O valor do tempo

Tempo é na essência a verdadeira “moeda” de troca. Nada é mais precioso, pois com ele vivemos, construímos relacionamentos e todas as histórias a contar. Também é com o tempo que evoluímos e alcançamos as nossas realizações. E se desperdiçado, não há como recuperar. Podemos tentar viver a mesma história e ainda assim será diferente, em outra época, outras pessoas e outro nível de maturidade.

Então eu me pergunto porque muitas vezes deixamos o tempo simplesmente passar, sem sentir, sem aproveitar o melhor de cada momento. Às vezes, até pior. Vamos ficando em lugares, atividades e até com pessoas nas quais não queremos estar, com uma voz interna repetindo e torcendo para o tempo passar logo para aquele momento acabar logo.

Há alguns anos que faço essa reflexão e a cada vez mais percebo uma ampliação da consciência sobre com que realmente vale a pena gastar meu tempo de vida. E aprendi algumas coisas que fizeram grande diferença no meu bem-estar e nível de satisfação.

O primeiro ponto é sobre o autoconhecimento. Em geral, as pessoas concordam que é importante se conhecer, mas curiosamente, muitos poucos poderiam afirmar que se conhecem muito bem. E há aqueles que acreditam que se conhecem, mas responsabiliza os outros pela sua infelicidade. Sem dedicar-se ao autoconhecimento, não há como descobrir o caminho da própria felicidade. O segundo ponto igualmente importante é ter qualidade de presença em cada um dos momentos que escolheu viver. É não se limitar a estar apenas de “corpo presente”, mas sim estar aberto a observar, ouvir e sentir a si e aos que estão a sua volta, identificando e fortalecendo as conexões com o mundo e com o que te faz bem. É encontrar espaços de pertencimento, que todos temos, mas às vezes esquecemos de procurar.

Quando comparo quem eu era há uns 15 anos e hoje, vejo a enorme diferença. Parece muito tempo, mas se passaram num instante! Percebo que tenho me tornado muito mais capaz de alinhar a minha vida com quem sou e o que aprecio. E cada vez mais, essa expressão se torna verdadeira para mim: Faça o que Ama e Ame o que Faz. Sempre que entender ser possível, escolho o que amo fazer com o meu tempo. Mas quando não estou disposta a “pagar o preço”, posso escolher pelo senso de dever ou outras razões e me comprometer com algo que não amo fazer. Nesse caso, o mais sábio para a minha felicidade é identificar algo que me ajude a aprender a amar o que decidi fazer. Sei que essa é uma ideia simples de pensar, mas não tão simples de adotar no dia-a-dia, mas tem me feito muito bem, trazendo leveza e o sentimento de que estou onde deveria estar. E o mais incrível, tem feito muito bem também para as pessoas à minha volta. Parece que acaba proporcionando um ambiente de consciência de que todos temos escolhas e cada um deve assumir as consequências das próprias escolhas. A autorresponsabilização ajuda a trazer um ambiente de menos julgamento e mais apreciação pela vida e pelas qualidades das pessoas, onde é permitido se expressar e também concordar ou discordar. Onde a individualidade convive com a coletividade.

Nos primeiros anos da minha carreira, a minha relação com o tempo era de fazer mais com menos. Como a maioria das pessoas no início de carreira, buscava aprender a fazer mais rapidamente e melhor, para evoluir. E tudo isso foi importante na época para valorizar o tempo. Com a maturidade, vejo que o sucesso, considerando ter talento e ser capaz de fazer muitas coisas, faz mais sentido, se direcionarmos para o que realmente importa para nós. Não se trata de quanto tempo se passou na nossa vida e se vivemos muito ou pouco, mas de como gastamos e apreciamos cada segundo de vida. A felicidade está em saber dar valor ao que temos e saber ver o que existe de bom a nossa volta, não importando quanto tempo ainda temos, até porque não sabemos. Um instante de felicidade, pode parecer uma vida toda. Um instante de crítica também. E pode ter consequências por muito tempo.

O valor do tempo é atribuído por cada um com o modo como olha para o mundo, onde destina sua atenção e como se relaciona. O tempo é seu. Como você gasta é a medida do quanto vale para você!

Se você deseja ter uma vida valiosa, onde cada segundo vale a pena ser vivido, é importante decidir o que vale o seu tempo de vida e o que não vale.

Muitas vezes reclamar é uma medida de insatisfação e todos em algum momento podem fazer isso. Mas reclamar muda alguma realidade? Outros dedicam muito tempo a criticar alguém. Mas será que em vez de criticar seria possível fazer melhor? Quem sabe, ser um exemplo, dentro de suas possibilidades?

Como é a melhor forma de gastar o eu tempo aqui e agora? Pratique essa pergunta e busque suas respostas. Valorize a sua vida e não carregue o que não deseja para si, porque a sua vida se torna o que pratica regularmente.

Qual é o real valor do tempo? Hoje, nesse início de Novo Ano, sinto como um convite a se observar a vida e refletir sobre quem sou, o que faz sentido manter e o que posso deixar ir para uma vida mais leve e significativa.

Sou daquelas pessoas que sempre buscou o autoconhecimento. Sei que não é um lugar que se chega, mas um processo contínuo de reconhecer e ampliar o que te faz bem, aprender a colocar limites, em si e nos outros, quando faz sentido e permitir-se novas fronteiras e realizações.

O período de virada de ano convida a pensar sobre a vida, sobre o que deu certo ou não, e sobre tudo o que ainda queremos realizar. Podemos ser mais felizes, mas precisamos de fazer melhores escolhas.

Então o convido para uma retrospectiva sobre a vida. Onde você tem destinado boa parte do seu tempo? Esse tempo foi bem gasto? Fortaleceu os relacionamentos mais importantes na sua vida? Criou novas conexões, experiências incríveis e aprendizados importantes? Viveu ao máximo os seus momentos? Esteve realmente presente na vida de seus filhos, pais e amigos?

Que vida você conquistou até o momento?

O tempo é limitado e não negocia. Não gera poupança para gastar no futuro. O que podemos é escolher melhor com que gastar o tempo. Se você fosse listar aqueles itens que não te trouxeram nada de bom e eram até dispensáveis nos anos anteriores, o que você poderia não levar para o Novo Ano?

E quais foram as coisas que você não fez porque não teve tempo? Liste tudo, leia e reflita sobre os itens que você gostaria de ter tempo. Tudo é possível, mas aceite que o tempo é limitado e que terá que fazer escolhas do que é mais importante e efetivamente colocar na frente. Disso depende uma vida significativa com maior amplitude para a sua felicidade!

Penso que no final das contas, o sucesso não se trata de quantas coisas acumulamos, mas do quanto vivemos sendo verdadeiro conosco e com as pessoas que amamos.

E sem tempo, não há como construir laços. Mas ter tempo não significa necessariamente que construiremos a felicidade, se não soubermos apreciar o lado bom e ser grato ao que já temos.

Talvez seja o momento de deixar de se conformar com o “ruim conhecido” e se aventurar a buscar o que te faz bem! O desapego faz parte do processo de abrir espaços para o que até agora não cabia. Descarte o que não faz bem e conviva mais com o que faz bem!

Não deixe o tempo simplesmente passar… Viva!

Desejo a você: disposição para conquistar o Ano Novo que deseja, determinação para ampliar o autoconhecimento continuamente e encontrar espaços de felicidade onde estiver!

Feliz Ano Novo!

Você está realmente “Presente” na sua vida?

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Esta é uma reflexão sobre a qualidade de vida. Sobre escolhas e sobre realmente vivenciar os momentos em vez de estar sempre em correria e já pensando na próxima atividade. Penso em como os relacionamentos se “empobreceram” com a falta da presença. E com o tempo… até nos perdermos de quem nós somos, por estar mais conectado em FAZER do que em SER.

Quantos instantes preciosos simplesmente passam porque não estávamos atentos?

Veja se você já se viu em algumas dessas situações:

  • Você já se percebeu com pessoas à sua volta e não tinha a menor ideia do que estava sendo falado?
  • Já se pegou rindo de uma piada que não entendeu?
  • Já passou por amigos num shopping, sem ver porque estava imerso em seus pensamentos?
  • Já segurou um livro passando os olhos nas letras sem absorver?
  • Lembra-se de ter trabalhado horas e até dias em cima de um projeto e seu chefe lhe diz que entendeu tudo errado?
  • E o que você faz quando é sua filha que diz: olha para mim!

A vida pode estar passando enquanto nos distraímos. E fica o sentimento de que não aproveitamos bem o tempo.

Nem sempre mais é realmente mais. Às vezes para SER MAIS, é preciso FAZER MENOS. E como resultado: VIVER MELHOR!

Seja pelo prazer ou pelo desempenho, estar presente vai aumentar a sua qualidade de estudo, de trabalho, nos relacionamentos e na diversão. Mas como chegamos nessa situação de viver sem estar realmente presente na própria vida? 

À medida que ampliam opções e recebemos uma quantidade muito maior de informações e até de oportunidades, proporcionalmente parece ter aumentado a ansiedade em não perder nada. Aquela cobrança em conseguir fazer e ter mais e mais. Nada errado em batalhar por melhores condições para o seu futuro, mas será que é um bom preço se for a custa de qualidade no momento presente?

O que você pode perder enquanto a vida passa? Afinal, num instante, temos mais idade, não temos mais disposição, as crianças crescem, os amigos se mudam, etc…

Mas criamos muitos mecanismos na expectativa de caber mais, que nem percebemos que não registramos mais o que vale a pena.

Nesse ponto, quero levantar a questão de escolhas. Muitas vezes não escolher o que é prioridade para nós, também é uma escolha. Se você não pondera e faz escolhas, fica mais fácil basear na esperança, de que vai sempre caber mais algo. E o foco se torna quantidade e não o que é mais importante.

Você conhece alguém que não tem nenhum horário livre na agenda, como se fosse possível não ter imprevistos? Você conhece alguém que está num restaurante com a família, mas não larga as redes sociais no celular? E pessoas que fazem tanto curso, mas mal tem tempo para colocar em ação algo novo que aprendeu?

As perguntas que naturalmente vem à mente: para que planejar uma agenda que não tem como cumprir? E se não o tempo não der, o que vai ficar de fora é o menos importante? Para que estar com corpo presente em um grupo e a mente em outro? Para que se estuda tanto, se não der tempo de usar os novos conhecimentos?

Uma vez ouvi de alguém muito sábio: tenha apenas o que você precisa. E faz muito sentido, porque tudo se paga com horas de vida. Se gasta tempo para ganhar dinheiro e compra algo que não precisa, ainda assim, o que comprou lhe custou horas de vida!

Mas você pode estar pensando: é mais fácil falar que fazer. E não tenho menor dúvida disso, em especial se você estiver vivendo a mil por hora, “pedalando o mundo”.

Mas se você quer ter qualidade de vida, deve aprender sobre duas coisas: fazer escolhas e ter presença.

Ao aprender a fazer melhores escolhas para si, vai perceber que se torna mais fácil aproveitar o momento e estar presente. Mas como se faz melhores escolhas? Fazendo!

Como assim? Fazendo? Isso mesmo. Coloque-se em ação para fazer escolhas pela sua vida sempre que tiver mais de uma atividade disputando a sua atenção. E observe a medida que faz suas escolhas, o que fez sentido e o que faria diferente na próxima vez. É um processo de consciência e de assumir a responsabilidade pelo que é melhor para si.

Um recurso que pode lhe ajudar a se situar em reflexões e pensar sobre suas prioridades é o volume “Meu Outono, Minhas Escolhas“, do MyActionBook. É de minha autoria e pode lhe ajudar a se conhecer e melhor entender o que é importante para você.

Mas saiba que mesmo quando se escolhe e quer estar presente, nem sempre é simples. Às vezes tem simplesmente muitas interferências na sua mente, que você não consegue calar. Fica inquieto, distraído e até ansioso. Isso quando não alimenta raiva ou angústia por algo que às vezes nem aconteceu, mas na nossa imaginação, só de imaginar que poderia acontecer, já se expandiu e a emoção tomou conta.

Saiba que se você quer aprender mais e desenvolver a capacidade de estar mais no presente, é possível. Não importa qual tarefa, você pode estar mais presente na sua caminhada, brincando com sua filha, tomando um café, fazendo o seu trabalho ou lendo. Não importa o que, é possível se você estiver disposto a mudar.

Um termo em inglês que vem sendo cada vez mais objeto de pesquisa é Mindfulness, traduzido como Atenção Plena. O chamado Mindfulness conta com evidência científica e comprovada eficácia, surgiu na Universidade de Massachussets por volta dos anos 80. Atualmente, em todo o mundo existem estudos e escolas que disseminam suas práticas, como forma de trazer qualidade de vida e redução do stress. Uma grande referência no mundo é La Universidad de Zaragoza, na Espanha, que oferece o Master de MindFulness. Um centro de referência no Brasil é a Mente Aberta Mindfulness Brasil. Mas se você busca uma leitura consistente, conheça o livro Atenção Plena – Mindfulness – Como encontrar a paz em um mundo frenético, de Mark Williams e Danny Penman, encontrada nas principais livrarias do Brasil em português.

O que se pode aprender de interessante com este tema? Muita coisa! Em primeiro lugar, estado de atenção plena é algo simples, mas nem por isso fácil de alcançar. Estar desperto e consciente do momento presente não parece acontecer naturalmente num mundo hiper-conectado e de cobranças em que vivemos. Imagine como seria a sua vida se você tivesse maior presença com as pessoas, numa entrevista de emprego, na preparação para uma prova, na elaboração de orçamento de projeto e até doméstico!

Nesse livro, você poderá aprender sobre como acontecem as muitas interferências na nossa mente e como interferências emocionais acontecem. Por exemplo entender que emoções são feixes de pensamentos, sentimentos, sensações físicas e impulsos para agir. Ao se observar terá oportunidade de registrar como se processa em você.

Poderá aprender várias técnicas para conectar-se com o momento presente, que incluem meditação (vem com CD), mas não somente.

Para mim a maior contribuição está numa parte singela, mas profunda na página 36: Mudar sua perspectiva pode transformar sua experiência de vida, seja por um ponto de vista diferente ou por um ponto diferente no tempo. O livro traz evidências e técnicas para mudar a “paisagem interna” ou também conhecido como “paisagem mental”, de forma que você possa deixar de depender das circunstâncias externas para encontrar a felicidade, o contentamento e o equilíbrio. Em resumo: a atenção plena surge espontaneamente do modo Existente quando aprendemos a prestar atenção deliberada, no momento presente e sem julgamento nas coisas como de fato são.

Faça uma experiência de atenção plena e veja como o mundo se transforma quando você presta mais atenção nele. Escolha uma tarefa simples que faz volta e meia, por exemplo tomar o café da manhã. Faça a escolha consciente de quanto tempo deseja destinar. Vamos supor que defina 15 minutos. Dedique plenamente esses minutos a observar o momento. Se estiver sozinho, perceba os aromas, a textura dos alimentos, se tem som quando morde um pedaço de pão crocante, veja a fumaça, sinta o seu corpo se nutrindo para iniciar maravilhosamente um novo dia! Se tiver com uma criança, experimente observar cada expressão, gesto, o olhar de curiosidade, as perguntas e tudo mais que aquele momento permite. Cada instante lhe reserva algo precioso se você estiver presente.

Observe quando você está apenas de corpo presente. Onde sua mente divaga? Alguns especialistas dizem que isso acontece por conflito de prioridades. Na dúvida onde deveria estar, acaba tentando estar em vários lugares ao mesmo tempo. E com isso, acaba não estando nem em um lugar e nem em outro.

Gosto muito do significado de presente = dádiva. Sim ter a oportunidade de vivenciar no momento presente é uma dádiva, que poucos usufruem profundamente. De uma forma ou de outra, muito rapidamente o presente se torna passado, e não poderá mais ser reescrito, apenas lembrado, se lembrado.

As suas lembranças, você constrói no presente! Então não deixe a vida passar enquanto está se distraindo. E não se distrai enquanto está com seus amados, eles poderão não estar ao seu lado amanhã. E o amanhã? Você nem sabe se existirá! Então exista agora e já!

E viva a cada dia a dádiva de ter o momento presente!

 

* Esse texto é uma homenagem a duas Senhoras muito inspiradoras, que têm sede pela vida e conexão com os momentos presentes: Helena Tonet (gratidão pelo papo muito interessante sobre como o mundo parece que perdeu a qualidade de atenção) e Voinha (avó do meu esposo), uma dama de personalidade, que vive destemidamente cada momento presente, completando 100 anos de vida no ano passado.