Morte, Tempo e Amor

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Nesse primeiro dia do ano, acordei inspirada para escrever sobre temas eternos e mais atuais que nunca: Morte, Amor e Tempo. Espero que o texto o(a) inspire a um ano realmente novo de sentido e realizações.

A minha vida foi marcada pela morte de entes queridos, incluindo pais e um irmão ainda muito jovem, aos 26 anos, de latrocínio. Não posso dizer que a vida foi justa ou injusta. Posso dizer que como todo ser humano, tive a minha cota de coisas que não pedi. Mas também que me deu um senso diferente de valor à vida, de construir, vontade de viver “o hoje” e fazer melhores escolhas. Nos momentos mais difíceis, o que nos cabe decidir é como lidar com o que recebemos. E confesso que o meu maior desafio até hoje é lidar com a impotência. É perceber que quando tudo o que faço não basta. É reconhecer que algumas coisas não estão no meu alcance, como evitar a morte de quem está ao nosso lado. Sempre tive o impulso em me empenhar para alcançar o que queria, e conquistei muitas coisas assim. Dependia de mim. Quando comecei a enfrentar situações que me trouxeram a consciência do pouco controle que temos sobre a vida e a morte… foi difícil. Foi muito difícil poder apenas dar dignidade ao tempo de vida que meus pais ainda tinham, sem conseguir afetar positivamente na saúde deles. Foi chocante descobrir que uma vida valia tão pouco para as pessoas que assaltaram o meu irmão e não queria deixar testemunha. Eram dois irmãos, um até sem antecedentes. E que eu não era capaz de modificar esse acontecimento.

Mas esse texto não trata do aspecto triste dos acontecimentos. Trata do quanto os acontecimentos podem nos fortalecer enquanto pessoas, nos reconectar com a nossa essência e nos ensinar a escolher melhor para nossas vidas.

Um filme com abordagem muito interessante, chama-se “Beleza Oculta” (nome original Collateral Beauty), e afirma que tudo o que fazemos é motivado pela morte, tempo e amor. A sombra da morte, que vem sem convite, pode trazer maior senso de urgência de viver. E ensina o quanto o tempo é precioso e deve ser melhor utilizado. Mas também revela o quanto somos incoerentes entre o amor que sentimos e a nossa capacidade em demonstrar com as pessoas que amamos. Quanta coisa é feita em nome do amor… às vezes grandes gestos, às vezes atos absurdos.

Quantas pessoas gostariam de evitar a morte, encontrar o amor e ter mais tempo… Mas viver é encontrar incertezas sobre o quanto teremos de cada um. O que podemos aprender é a melhor aproveitar a vida e torcer para vivermos mais, com amor e lidando melhor com a consciência da morte.

O senso de que somos mortais também deveria ser um importante alerta para se cuidar da nossa saúde física e mental. A saúde em si não traz a felicidade, mas sem ela, fica mais difícil de alcançá-la. Nem tudo depende de nós, mas com certeza têm estilos de vida que colaboram ou atrapalham uma vida com mais saúde. Cabe a cada um agir a favor da qualidade de vida que deseja ter. Quanto de saúde deseja ter? E o que tem feito para ter?
São duas perguntas que andam juntas para investirmos no que depende de nós.

Eu fico refletindo ao observar pessoas e seus hábitos. Por que será que mesmo conscientes que faz mal, as pessoas comem o que não devem, não praticam atividade física e se irritam por qualquer coisa? Parece contraditório não fazermos muito do que já sabemos que é melhor para nós e deixarmos de fazer o que faz mal e pronto. Entre o que faz mal, penso também na saúde emocional, quando convivemos com pessoas que parecem especializadas em reclamar, ou em ambientes de trabalho tóxicos e até em relacionamentos onde se esperam que deixe de ser você. Faz mal, mas vive-se de esperança de que vai melhorar. Por quê?

No trânsito então é um rico laboratório para se observar o estresse e os mais variados comportamentos. Criei alguns rótulos. Você já observou pessoas que parecem os “donos da rua”, aqueles que acreditam que a prioridade é sempre deles independentemente da regra de trânsito? Se não cedemos ou abrimos espaço, vem buzinada, palavrão, gritos, às vezes perseguição no trânsito e fechadas… Também nesse grupo estão aqueles que acreditam que a sua pressa é sempre maior do que a pressa do outro. E isso dá direito de furar filas, fazer manobras perigosas e até contramão. Sempre tentando ganhar pequenas vantagens. Você também já deve ter observado os “distraídos”, aqueles que dirigem como se estivessem em outro mundo e não tivesse ninguém à sua volta. Está na metade da velocidade da via, na faixa de maior velocidade, às vezes navega à direita e à esquerda como se estivesse num mar aberto, reduz e até para repentinamente no meio da rua, com você atrás… E os “multifuncionais”? Você conhece pessoas que acreditam que podem fazer várias coisas enquanto dirigem? Alguns falando ou até digitando texto enquanto dirigem, ou procurando objeto no porta-luvas, até escrevendo endereço em GPS? Sempre se tem a opção de parar o carro para fazer isso, mas por alguma razão, apesar da ciência afirmar que não fomos feitos para realizar mais de uma tarefa com o mesmo nível de atenção ao mesmo tempo, queremos acreditar que a atenção que desviamos da pista não trará consequências, até que traga.

Esses comportamentos, além de muitas vezes prejudicarem o fluxo do trânsito que pode já estar complicado, eleva o nível de estresse de todos, inclusive de quem está provocando isso. Em resumo, não faz bem para ninguém, mas continua sendo feito.

E observando pessoas às vezes algo “grita” em mim: somos mortais, entendeu? E não viemos com selo de garantia de quanto tempo viveremos… Dá para começar a viver melhor já?

Não se cuidar é brincar com a morte, ou pelo menos com a saúde. E não sei qual das duas opções é pior. Uma vida sem saúde ou sem vida sequer.

Não precisamos de sofrer perdas para valorizar a vida, mas a verdade é que perdas são eficazes em nos acordar para a vida. Podemos nos apegar às perdas ou lembrar de quantas pessoas ainda estão à nossa volta e se estamos sabendo valorizá-las.

Porque o tempo que passou, passou! E vai continuar passando. Você só pode viver melhor com o tempo que ainda tem pela frente. Qual a razão de sua vida? Se não encontrou, procure! Encontrando ou não, a busca trará sentido. Quem são as pessoas mais importantes para você? Tem convivido e demonstrado o que sente? Lembre-se: amanhã pode não existir. O que ainda deseja realizar? O que precisa já ter realizado? Se estiver contando um monte de desculpas para si, pare e pense. É realmente importante para você ou algo o segura de realmente agir na direção do que deseja? Como seria chegar ao fim da vida sem ter realizado? Só você pode ter a sua resposta do que é viver bem, sem arrependimentos.

Penso que a vida é suficientemente complexa para complicarmos mais. Passei a aplicar uma regra há algum tempo: simplifique. Tudo pode ser mais simples e profundo. Escolha suas brigas, nem tudo vale a pena. E com certeza não vale a pena se naquele momento não tem chance de fazer diferença. Não precisamos de deixar de fazer algo importante, encontre uma forma mais simples e faça. Não pense demais para fazer algo importante. Às vezes é melhor o feito do que o perfeito. E desapegue do ter por ter. Acostumamos com uma cultura do ter e de acumular, como se fosse sempre melhor ter mais. Tenha o que acrescenta à sua vida. O que não acrescenta, não vale a pena. Porque tudo que temos exige manutenção, seja um relacionamento ou uma casa, dá trabalho. Se efetivamente agrega à sua vida, vale a pena. De outra forma é apenas gasto de nosso limitado tempo.

E tempo é algo que nunca teremos o suficiente porque sempre queremos mais. Mas não nos cabe decidir o quanto teremos, somente como investimos o que tivermos. Planejar o que fazer de mais importante com uma quantidade limitada, mas desconhecida de tempo é um grande desafio! Como usar bem o seu tempo? Mas o que é usar bem o tempo para cada um? Em que seria um tempo bem gasto para você?

Quando pensamos no tic-tac diário, vemos pessoas confundirem o ocupado com o produtivo. Vemos pessoas que lutam para zerar a fila de tarefas a fazer, que não pára de entrar novas demandas e algumas “puxadas” pelas próprias pessoas. E pessoas dizendo para si que no dia seguinte conseguirá fazer mais. Vemos quem não tem tempo para pessoas importantes em suas vidas e dizendo para si que é só uma fase… Pode até ser… Mas há quanto tempo está nessa fase?

Já sabemos que não dominamos o tempo, só podemos escolher melhor com o que gastar. E a vida é dinâmica, então as nossas escolhas precisam ser revisitadas frequentemente. É preciso fazer as suas escolhas sobre com que deseja investir o seu tempo, e aproveitar profundamente o momento escolhido, ou terá jogado o tempo fora, pelo menos em parte.

Em ambiente de trabalho é muito comum as pessoas lidarem com o tempo pensando em aumentar a eficiência, sem dar a devida importância às escolhas sobre o que é essencial. Há apego ao que já faz, do jeito que é feito, muitas vezes sem questionar porque precisa ser feito. Se fizermos muito quantidade de tarefas em pouco tempo, mas poderiam ser feitos de outra forma ou até não precisariam ser feitas, teremos perdido tempo mesmo sendo eficiente. Saber escolher o que fazer precisa vir antes de ser eficiente.

Criamos tantas desculpas para não desapegar de como já fazemos que acabamos não conseguindo enxergar novas e melhores possibilidades para investir o nosso tempo. E ficamos vivendo o mesmo “filme” de novo e de novo. E tentando “esticar” o tempo.

Mas vale aprofundar. Você quer mais tempo para o quê? O que traria maior sentido à sua vida? Se você não tivesse limite de tempo e tudo pudesse ser feito a tempo, o que você colocaria na frente e faria primeiro? Por quanto tempo até cansar?

A morte incita urgência, o tempo é um recurso precioso e limitado, mas se não tivéssemos nada a amar, o tempo e a morte perderiam a relevância. Como humanos, amamos. Em nome do amor, movemos mundos e alcançamos muitas realizações. A vida seria vazia se passássemos por ela sem o amor. E de quantas maneiras se manifesta! Quando pensamos em ter um companheiro para a vida toda, quando temos nossos pais, avôs, filhos, netos, amigos, animais de estimação, etc. Quando amamos a nossa profissão, uma causa social, um hobby, etc… O amor é a razão pela qual a vida parece ter novas cores. No melhor, o amor nos inspira a sermos mais generosos e a acreditarmos em alcançar grandes feitos. Pelo ente querido, queremos mostrar nossa melhor versão e nos tornar melhores pessoas.

É por todas as coisas que queremos realizar, todas as pessoas com quem queremos estar e todos os momentos que ainda queremos viver é que precisamos de entender que a morte faz parte da vida, que o tempo passa e muito rapidamente e que podemos não ter tempo para amar depois.

Então se eu puder te dizer do que aprendi com a minha vida até agora:

  • Honre o seu corpo fazendo atividades físicas e alimentando-se melhor. Você terá mais energia e disposição para o seu dia-a-dia e maior longevidade com alguma saúde. E saúde importa muito!
  • Cuide da sua mente, desapegando de tudo que faz mal e concentrando-se em melhor observar o que aprecia. Enxergue o belo que existe em tudo, mesmo que seja em pequena porção.
  • Tenha tempo regularmente para as pessoas queridas. Pouco ou muito, disponha de algum. E faça o possível para que a pessoa sinta e aproveite a sua presença. Esteja por inteiro. Demonstre o amor.
  • Viva simples. Quanto menos coisas você precisar com você, menos você carrega e menos tempo ocupará para manter. independentemente do “dono”, aproveite o que está à sua volta. Muitas vezes não enxergamos o que já temos ou o que não precisamos de ter para alegrar a nossa vida.
  • Ocupe-se com atividades que façam bem a você. Produza algo útil a alguém. Isso trará um senso de realização e propósito.

A vida é uma jornada de autoconhecimento. Quanto mais se conhecer, melhores escolhas fará para a sua vida. O meu desejo é que 2020 seja um ano de mais sabedoria e resiliência para construir a vida que deseja! Não escolhemos tudo, mas muito depende de nossas escolhas. Se não exercemos nem o que temos controle, não podemos reclamar do que não temos.

Então deixe os arrependimentos para o passado, apenas aprenda e se fortaleça.

Viva mais plenamente o agora. Seja presente!

E continuamente semeie com suas ações o futuro desejado. Se deseja mais amor, semeie amor. Se desejar paz, semeie paz. Se desejar prosperidade, coloque a cada dia um tijolinho do que será a sua futura realização.

Não se preocupe em TER, mas em SER.

Que 2020 seja a década da maior virada na sua vida! Abundância está a nossa volta. Tenha claro em mente o que deseja se tornar e esteja aberto(a) às mudanças. E construa uma vida extraordinária! Afinal não se vive duas vezes da mesma forma!

Feliz Nova Década!

 

Você vive apagando incêndios?

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Você vive em correria, sem tempo para nada, apagando um incêndio atrás de outro? Tem se sentido exaurido mas acredita que não tem opção? Então me acompanhe através desse texto e encontrará ideias interessantes que poderá aplicar imediatamente à sua vida, mudando a sua rotina e ampliando a qualidade de vida.

Antes de falar diretamente sobre como fazer isso acontecer, é importante entendermos o momento em que vivemos e como isso está afetando todas as formas de relacionamento. Por isso apresento a seguir um breve contexto.

Há não muito tempo, no que se entende por era industrial, a padronização dos processos deu escala e era o meio de fazer mais com menos. Era também o meio de reduzir erros operacionais e alcançar padrões de qualidade. Para se alcançar maior produtividade, as empresas investiam em automação e em profissionais com conhecimento, experiência anterior e dedicação. E dessa forma, quanto mais se trabalhava, mais se aperfeiçoavam os processos, produtos e serviços. Era um mercado de trabalho onde a carreira tinha maior sequência e era construída acumulando conhecimentos da mesma área e áreas afins. De certa forma eram momentos de grande valorização e ascensão para os “especialistas” e os mais diplomados.

Com o advento da internet e grandes saltos na tecnologia da informação, a relação de como alcançar maior eficiência e produtividade modificou completamente. Vivemos numa era onde a informação é abundante assim como a “desinformação”. Os meios de aprendizagem se multiplicaram e não depende mais da formação tradicional, que não tem conseguido acompanhar a velocidade das novas necessidades do mercado. E observamos a mídia digital “fabricar” especialistas da noite para o dia, até porque se tornou fácil ser visto e produzir conhecimento. E chegamos ao grande desafio de ter informação de valor e altamente segmentada conforme o público. No entanto, o público se tornou muito melhor informado e com necessidades mais distintas.

Saímos da era de padronização para se ter escala, para uma era de diferenciação e criatividade para criação de valor, seja enquanto profissional ou enquanto empresa. Com isso, modifica-se também o conceito de produtividade, tornando “o melhor” mais importante do que “o mais”. 

Continua sendo importante fazer mais com menos, mas isso não basta. A tecnologia elevou a quantidade de informações que são processados, armazenados e disponibilizados. E como consequência, somos demandados a lidar com um volume absurdo, inimaginável há poucos anos. Ao mesmo tempo, aumentou-se a capacidade de controle das organizações e a comparabilidade entre a produtividade de diferentes profissionais.

Igualmente na vida social, podemos constatar uma nova realidade nas relações, onde é opcional a profundidade das relações, mas quase obrigatória conhecer cada vez mais pessoas e ter “prova social” da sua importância e sucesso. As redes sociais se proliferam e as pessoas são tentadas a participar de mais canais do que são capazes de administrar com qualidade. Todos podem ser acessados a qualquer hora e estimulados a responder. E com maior facilidade para se ter contato virtual, ameniza-se e até substitui a necessidade do contato presencial.

Nesse cenário reforça a necessidade de desenvolver a competência de estrategista para ter maior produtividade. Porque se continuarmos tentando fazer de tudo e cada vez mais, o que alcançaremos não será eficiência, mas ansiedade e estresse. A falta de clareza sobre o importante, leva a uma rotina de muito trabalho, muitas urgências, com risco de perda de qualidade e dedicação de tempo significativo para o que pode não ter importância.

Vamos deixar claro: ser ocupado nem sempre é ser produtivo! E o tempo não foi feito para caber tudo o que aparece. Você terá que fazer suas escolhas.

A perda de competitividade nas organizações não está relacionada à falta de volume de trabalho realizado. Está relacionada à falta de visão sobre o que é mais importante para se alcançar o que deseja e a falta de estratégia para canalizar a energia e a maior parte do tempo de seus colaboradores nessa direção. É uma nova era onde talvez o aprendizado mais importante seja que o “menos é mais”. Se você consegue distinguir as poucas tarefas que trarão maior impacto com os resultados organizacionais, você contribuirá mais do que estar trabalhando mais horas do que foi contratado e ainda não conseguir terminar a longa fila de tarefas que o esperam.

O mesmo acontece com a vida pessoal. Muito do que acostumamos a fazer não tem mais importância, mas continuamos fazendo sem parar para questionar qual a importância se não fizesse.  É necessário aprender a lidar com um volume impossível de caber no nosso dia e começarmos a distinguir o que é realmente importante para voltar a ter domínio sobre a própria vida. A produtividade passa a a ser decorrente da melhoria do nosso processo de escolha sobre o que fazer no tempo limitado que todos nós temos.

Hoje a vida é centrada em seletividade e criatividade para produzir melhores resultados.

Como você vive determina os seus resultados na vida!

A essa altura, se você ainda mantém o pensamento de que é refém da situação e que precisa continuar apagando incêndios… Preciso lhe perguntar: você é bombeiro ou gosta de apagar incêndios? Sim, porque se você é bombeiro, tem mais que apagar incêndios mesmo. Mas mesmo pessoas que não são bombeiros podem acabar construindo uma rotina de estresse por gostar da adrenalina que as urgências trazem. Em geral esse mecanismo não é consciente, mas mesmo assim acaba estabelecendo uma forma de trabalho que procrastina o importante até que vire urgente. E nesse bolo de atividades urgentes, até o que não é importante acaba ganhando o nosso reduzido tempo. E quanto mais incêndios apagamos, mais capazes nos sentimos. Mas isso vem com um custo na qualidade de vida e na produtividade.

Se você se encontra nessa situação onde não vê saída e se sente cada vez mais cansado; acredite, é possível mudar. Mas a mudança começa em si. E a primeira pergunta que você deve responder como sim: Quero abrir a mão de dessa adrenalina?

O livro “5 Escolhas – O caminho para uma produtividade extraordinária“, fala sobre o desenvolvimento de 3 capacidades, necessárias e complementares para uma produtividade pessoal extraordinária: 1) Decisões de Alto Valor; 2) Atenção Focada; 3) Alta Energia.

As decisões de Alto Valor são o ponto de partida para a produtividade. No mesmo livro é apresentado o processo pausar, esclarecer e decidir (PED), onde enfatiza a importância em não se limitar ao piloto automático, mas sim a decisões conscientes que agreguem valor à sua vida.

Para lhe ajudar a adotar uma rotina de decisões conscientes, experimente utilizar a seguinte pergunta antes de iniciar o dia: Se eu tiver tempo para concluir somente uma tarefa hoje, qual trará resultados mais importantes?

Para aumentar a eficiência no uso do seu tempo e decidir o que deve continuar na sua “fila”, experimente a seguinte sequência de perguntas que faço para os meus clientes:

  • Tem que ser feito?
  • Tem que ser feito por você?
  • De que maneira deve ser feito? [Pense Simples!]

A Atenção Focada tem por base dois pontos críticos: a qualidade da atenção e a nossa capacidade em concentrar no importante em vez de reagir ao urgente. Algumas pessoas poderão precisar de treinar a qualidade de atenção e talvez as técnicas de Atenção Plena ou Mindfulness sejam muito úteis. Outras pessoas precisam desenvolver a capacidade de resistir à tentação do urgente. Nesse caso, o modelo da Matriz do Tempo do livro acima citado, vai lhe ampliar a consciência sobre o uso do seu tempo. Veja o quadro a seguir e faça uma rápida auto-avaliação sobre o uso efetivo do seu tempo. Distribua nos 4 quadrantes de forma a totalizar 100%. E reflita: Onde você está destinando a maior parte do seu tempo? O que isso diz sobre o seu modo de viver?

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Ao ter uma Atenção Focada no que é mais importante, você desenvolverá o que eu gosto de chamar de “acabativas”. Os resultados na sua vida não vem do quanto você trabalhou, mas do que você finalizou e se tornou útil para alguém. Então abrir muitas frentes e estar sempre ocupado, não garante o reconhecimento. Para que você colha resultados na vida é preciso ter início-meio-fim. É preciso ter mais “acabativas”.

Por mais que as pessoas valorizem quem é esforçado, tenha em mente que o que produz resultado são as entregas. Onde você estiver, a sua capacidade de concluir com a necessária qualidade, determinará resultados para você.

Então quando tiver decidido algo importante a ser feito, faça todo o possível para manter o foco até finalizar. Com o tempo, terá desenvolvido a prática da disciplina em ter “acabativas”.

A terceira capacidade necessária para uma produtividade extraordinária é a Alta Energia. É muito bom trabalhar com pessoas assim, melhor ainda nós somos assim e sentimos constantemente energizados. Mas não é fácil manter a Alta Energia.

Para que se tenha uma alta energia, é preciso compreender que somos um sistema integrado e interdependente, onde reúne o corpo, a mente e as emoções. Para que esse conjunto funcione bem é preciso zelar com ações concretas e periódicas. É preciso ter saúde física e mental. E é preciso que o que você faz tenha sentido.

Se considerarmos a saúde, os médicos lhe dirão que é preciso se alimentar bem, dormir o suficiente e realizar exercícios físicos. E tudo isso é essencial, para que tenhamos o suficiente para ter energia. Mas a motivação é a mola propulsora de Alta Energia. Como ter energia destinando tempo a atividades sem sentido?

Talvez esse seja o maior desafio: escolher fazer o que tem sentido para você ou encontrar sentido no que você faz no seu dia-a-dia.

Tendo saúde e motivação, você alcança a Alta Energia e realizará o extraordinário! Porque nenhuma barreira será grande o suficiente para a sua vontade de realizar!

Agora você deve estar pensando: posso até me organizar, mas logo surge outra coisa urgente. Não sou eu, mas o chefe que me interrompe… As coisas vão aparecendo e bagunçam o que planejei.

Deixa eu esclarecer uma coisa: a fila anda! Isso mesmo. A vida é dinâmica e aparecem coisas mesmo. A capacidade em estabelecer prioridades e manter focado é um processo vivo. A cada possível incêndio, cabe perguntar: o que acontece se eu não resolver isso agora? E conscientemente fazer escolhas considerando o conjunto de atividades e colocando na frente o que você considera mais importante.

Observo nas organizações onde presto serviços, a necessidade crescente de atitude e pessoas que resolvam. Mas observo também alguns dilemas:

  • Autonomia x Controle. Para que os colaboradores se tornem cada vez mais capazes de propor soluções e resolver problemas, é preciso ter maior autonomia. Igualmente para multiplicar resultados, a maior autonomia é crítica. Mas as organizações e especialmente os seus líderes temem que a autonomia não venha com responsabilidade e inteligência. Então buscam formas de controle, o que muitas vezes resulta na limitação da autonomia e consequentemente dos resultados.
  • Processos x Criatividade. Quanto maior a empresa, maior necessidade em organizar e documentar seus processos. E o tempo parece trazer o esquecimento sobre os motivos que originaram determinado processo e quais benefícios se quer assegurar. É quando se torna burocrático demais. Quando tudo tem o jeito certo de fazer, o ambiente se torna hostil para a criatividade, um fator crítico para a inovação e competitividade das empresas. Então se por um lado a criatividade poderá consumir parte da energia em ações sem resultado, por outro lado é fonte de inovações, algumas muito significativas. Como harmonizar e conviver?
  • Produtividade x Qualidade de Vida. Há um mito de que existe uma maneira certa de ter produtividade e que os colaboradores mais produtivos são os que mais priorizam o trabalho e não um balanceamento adequado com qualidade de vida. Então vamos começar dizendo o que sei que todos já sabem: as pessoas não são iguais e portanto serão produtivos em diferentes condições. E se não sentir que tem qualidade de vida, a organização pode até garantir a quantidade de horas de trabalho, mas não será capaz de assegurar a produtividade máxima. Pessoas exauridas se obrigam a trabalhar, mas o resultado não se compara a de pessoas altamente energizadas. Dar sentido ao trabalho a ser realizado é dever de todos os líderes. Mas é igualmente dever de cada, pois não importa o motivo pelo qual destina seu tempo, é o seu próprio tempo de vida! Faça valer a pena! Lembre-se que para alcançar ambas: produtividade e a qualidade de vida, a chave é o uso inteligente do seu tempo.

Nesse último ponto, convido o leitor a ampliar o olhar. A qualidade de vida com certeza não se restringe ao ambiente de trabalho. Teoricamente, todos querem qualidade de vida. Na prática, quantos fazem de tudo para ter qualidade de vida? Existe qualidade de vida se estivermos vivendo um conflito interno? Você já se percebeu dividido entre ficar com a filha que está lhe pedindo maior tempo e ir fazer um trabalho que está com prazo apertado? Cada situação mal resolvida divide a nossa atenção, reduzindo a produtividade. E não temos apenas um papel. Então como definir os mais importantes papéis que queremos ter e organizar a nossa hierarquia nesse momento de vida?

Sem a clareza do que realmente importa para nós em cada esfera de atuação, teremos dificuldade em estabelecer nossas prioridades e agir de forma a ser produtivo. Então observe a imagem abaixo.

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Defina o que é importante para você em cada esfera. Estabeleça  que você não abre a mão. E sempre que se sentir dividido entre duas tarefas importantes. Negocie consigo e com quem é diretamente afetado. Você não precisa fazer tudo ao mesmo tempo. Ao encontrar uma solução para atender às várias tarefas importantes, você evitará viver em conflito interno. O que permitirá a Atenção Focada, que leva a produtividade ampliada.

Finalizo com a seguinte reflexão: Se você fosse mais produtivo, o que de importante muda na sua vida?

Se você encontrar uma resposta que faça sentido para o seu racional e igualmente faça o seu coração bater mais forte, então terá encontrado a mola propulsora para mudanças significativas na sua produtividade.

Recursos não faltam. O ponto de partida será a partir do que realmente importa para si e aceitar que o tempo é limitado e terá que fazer escolhas. Quanto mais praticar, mais suas escolhas serão sábias.

E quem sabe, no lugar de apagar incêndios, poderá ampliar espaço de tempo de qualidade para conviver com pessoas que você ama e aprender coisas novas que farão toda a diferença na sua vida e carreira?

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Por que conflitos são necessários?

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Banco de Imagens Shutterstock

A ideia desse artigo é explorar os mitos em torno de conflitos e trazer novas perspectivas para lidar com o tema, com impactos positivos nos relacionamentos, seja na sua vida pessoal ou profissional. No lugar de basear em pesquisas científicas, gosto de trazer o leitor para exemplos observáveis em sua vida, sem que precise ser certo ou errado. Então fica o convite de buscar observar o que acontece, o que significa para cada um e o que podemos aprender para uma vida melhor.

Volta e meia comento sobre isso, mas quero reafirmar que aprendo muito com as pessoas com quem convivo. E aprendo muito também com meus clientes, que trazem questionamentos e reflexões fantásticos! Em tudo que faço, vem um pouquinho do que aprendi com as muitas pessoas com quem tive a oportunidade de conviver. Por isso, esse artigo é especialmente dedicado a elas!

Começo o tema desse artigo com a seguinte reflexão. Se você for perguntar para dez pessoas sobre se gostam de conflito, provavelmente todos lhe responderiam que não. É até natural que não se goste de conflitos em si, mas sem conflitos, se acumularia muito mais desconfortos, mágoas, sentimento de vítima e raiva, sem chance de solução. Isso faz sentido?

Possivelmente muitos de vocês estarão pensando que o conflito é sempre ruim e seria bom não ter. Então convido-os a acompanhar como vejo isso.

Acredito que somos únicos e portanto diferente de todos os outros no mundo. Algumas pessoas podem ter muitas características em comum conosco, enquanto outros, aparentemente, nada em comum. Se somos diferentes, então pensamos e agimos diferentemente. E por isso mesmo, o que fazemos e falamos pode ser compreendido de forma totalmente diverso da nossa real intenção. A mesma coisa o outro, mesmo com a melhor intenção em nos ajudar, pode se colocar de uma forma que para nós significa pouco caso ou algum outra percepção negativa.

A diferença entre as pessoas exige maior esforço de compreensão e de colaboração. Mas nem sempre estamos atentos ou dispostos a isso. Quanto maior a diferença entre as pessoas, maior a chance de conflitos. Sempre? Não necessariamente. Todas as pessoas tem o seu mecanismo, consciente ou não, de lidar com suas dificuldades. Quando nos encontramos em uma situação que não sabemos lidar, acionamos o nosso mecanismo de proteção. É muito comum a fuga, mas para algumas pessoas o enfrentamento é o padrão. As pessoas que tem por mecanismo a fuga, podem se silenciar, distanciar da conversa ou até do ambiente, desconversar ou mudar a conversa. Enquanto as pessoas cujo mecanismo é de enfrentamento, podem levantar a voz, utilizar-se de palavras ásperas, demonstrar agressividade ou até desqualificar quem está à frente.

A depender do quanto você fica incomodado com alguém, em especial, se acredita que feriu seus valores, a sua reação natural será proporcionalmente intensa ao quanto você se sentiu afetado, seja na fuga ou no enfrentamento. Um padrão é melhor que outro? Depende com quem você está lidando. Algumas pessoas preferem discutir do que ser ignoradas. Outras podem preferir “o que os olhos não vêem (e ouvidos não escutam), o coração não sente“.

Mas é interessante observar as consequências comuns de cada padrão. Quando não se conversa sobre o desconforto, nem sempre o outro sabe que lhe causa desconforto ou que tem diferenças a lidar. Quando se enfrenta sem preparo, pode agravar as emoções negativas do outro e acrescentar outros elementos de mágoa.

O conflito tem uma função preciosa de sinalizar que tem algo importante para você, que está mal resolvido. Faço uma comparação. Quando o seu corpo não está bem, a dor e a febre são sinais frequentes. Quando algo não vai bem entre várias pessoas, o conflito é um importante sinalizador da relevância e tamanho do desconforto. Em qualquer interação com pessoas ou expectativa de relacionamento (de qualquer tipo), o conflito é um ótimo sinalizador de que as pessoas se importam mas estão com dificuldades em “digerir” algo. E nesse ponto, vale a sabedoria da época das avós: é conversando que se entende. Mas conversar sem levantar a defensividade das pessoas é uma arte. Todos nós conhecemos algumas pessoas com especial talento a falar sobre qualquer assunto sem que os outros se sintam agredidos. Também conhecemos pessoas que seja qual for o assunto, parece que tem um jeito especial de provocar reações negativas nas pessoas. Vale a reflexão de que tipo de pessoa queremos ser. Pergunto: o que muda na sua vida se puder falar sobre tudo com as pessoas à sua volta sem agravar conflitos? E o que muda na sua vida se no lugar de sofrer, ressignificasse o conflito como estímulo para melhorar o relacionamento?

Há uma grande oportunidade de aprendizado com os conflitos e nos tornam mais conscientes de que somos humanos e nos desentendemos. O ponto chave não está em ter ou não ter conflito, mas como você deseja lidar quando está envolvido em algum conflito. O como você lida pode determinar os seus resultados naquele relacionamento e pode explicar muito dos resultados que você conseguiu ou não na sua vida. Lembre-se que o pior estágio de um relacionamento não é um conflito, mas a total indiferença. Quando nada mais importa, também não há porta de passagem para alcançar o coração do outro.

Para quem ainda tem alguma dúvida, sugiro que imagine como seria a sua vida se soubesse lidar bem com os conflitos? Na sua percepção, diminui ou aumenta a quantidade de conflitos? As pessoas à sua volta se sentiram afetados de que forma? E o mais importante, como afeta você e seu bem estar?

Agora se você prefere evitar conflitos e escolhe o padrão de fuga, só posso ficar na torcida por você de que a outra pessoa envolvida seja mais sábia e lhe ajude a lidar com o que você tem dificuldade de enfrentar. Porque quanto mais importante for aquele relacionamento, maior fica o problema não resolvido! E com o tempo é tanta história e mágoa acumulada que não será capaz de olhar o relacionamento sem a “lente” do que acumulou. Quanto isso lhe custará? Pense nisso!

Que você possa encontrar a sua forma de enxergar uma perspectiva positiva dos conflitos e com isso tornar o difícil, mais fácil. E nessa jornada, ficará cada vez mais forte e capaz de construir excelentes relacionamentos com conflitos de menor intensidade e frequência.

O meu desejo para você e para o mundo é que todos nós possamos ser capazes de tomar a iniciativa para construir a vida de qualidade que queremos! Que você possa ter uma vida próspera e de evolução contínua!

Espero que esse artigo tenha contribuído com você! Dúvidas e comentários são muito bem vindos! E se você gostou do artigo, acompanhe o blog e se faça presente!

Wang Ching

 

Reflexões sobre o Coaching, uma profissão ainda não regulamentada

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Banco de Imagens por assinatura: Shutterstock

Esse texto é dedicado a pessoas que buscam formar suas próprias convicções sobre o tema coaching e procuram informações consistentes para sua análise. A minha pretensão não é estar certa ou errada, mas contribuir com a reflexão de um assunto que tem tido crescente interesse da mídia e da população como um todo, no entanto, ainda reside tanta polêmica.

É importante deixar claro, que todas as minhas colocações aqui, não representam a voz de nenhuma instituição, citada ou não, mas de uma coach dedicada a buscar continuamente a excelência no que faz.

Começo então com a pergunta: a profissão de coaching é ilegal? Não. A base legal da ilegalidade é: “Exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce, sem preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício.” Pergunto: como pode ser ilegal se ainda não há lei que subordine o seu exercício?

É necessário a regulamentação da atividade de coaching para que seja exercida? Também não. Muitas atividades praticadas, tem reconhecimento da existência em algumas legislações e enquanto atividade econômica, recolhem impostos, mesmo as não regulamentadas enquanto profissão. Observando a história, a atividade começa primeiro por alguma necessidade no mundo. E à medida que se crescem seus impactos, podem vir a ser regulamentadas ou não. No Brasil, o percentual de profissões não regulamentadas segundo algumas pesquisas, ultrapassa a 95%.

A profissão coach atua em funções privativas ao psicólogo? Não deveria. O fato de necessitar de conhecimentos comuns não o qualifica como mesma forma de atuação. Se o psicólogo tiver matérias de sociologia, o torna sociólogo ou alguém que pratica a profissão de sociologia? Se na formação de marketing ou licenciatura tiver matérias de psicologia, significa que haverá exercício ilegal da psicologia? Penso que se existe na grade curricular determinada matéria é porque o conhecimento é importante para o futuro profissional, mas o que distingue é como utilizará o conhecimento na prática profissional. O uso de conhecimentos diversos para melhor apoiar a prática da sua própria atividade profissional, com fronteiras específicas, sem assumir funções privativas de outras profissões, é legítimo.

Essa reflexão me levou a pensar se a origem de muitos entendimentos precipitados e equivocados não seria na falta de conhecimento do que é Coaching e o que não é Coaching.

Adicionalmente, talvez não esteja claro que maus profissionais existem em qualquer atividade, seja regulamentada ou não. Isso não deveria desqualificar a atividade, mas àqueles que não adotam as boas práticas ou desrespeitam a Lei.

Então vamos entender um pouco melhor o que é coaching. Na ausência de regulamentação no país, eu me baseio em padrões e instituições de credibilidade internacional. Segundo ICF – International Coach Federation, uma instituição sem fins lucrativos e fundada em 1995, considerado um recurso mundial de informações e pesquisas sobre o coaching: “Parceria com o coachee através de um processo provocativo e criativo que inspire a maximizar o potencial pessoal e profissional”. Denomina-se coachee a pessoa que está sendo atendida pelo profissional coach.

Também conforme a ICF, o que não é coaching: a) Consultoria; b) Terapia; c) Aconselhamento. O Código de Ética da ICF e o documento intitulado 11 Competências Fundamentais de Coaching (Core Competences), são bases de excelência para a atividade e define o conceito e fronteiras. E um documento base intitulado 10 Indicadores (Top Ten Indicators to Refer a Client to a Mental Health Professional) orienta seus associados coaches a convidar o seu cliente a procurar ajuda de profissionais de outras especialidades, quando alguns indícios são observados, levando a refletir se o que ele precisa pode não ser coaching.

Vamos deixar claro. O coach não diagnostica, não aconselha, não dá orientações e nem dá soluções. O coach proporciona condições para que o cliente identifique e utilize melhor recursos internos que já têm e por qualquer motivo, não têm utilizado para alcançar seus objetivos. Como exemplo, vou citar hábitos, que todos temos. Os hábitos são desenvolvidos em algum momento para “facilitar” a nossa vida. Fica mais fácil e automático fazer algo que queremos ou precisamos de fazer. Mas a vida segue e mudanças acontecem, tanto no cenário à nossa volta, quanto internamente passamos a querer mais e até novas coisas. Alguns hábitos ajudam a nova realidade, outros poderão ser entraves. O que o coach faz? Pergunta de que forma o cliente percebe que o hábito influencia nos objetivos futuros.

Agora convido-os a ampliar o olhar para entender porque o coaching funciona. O Coaching trabalha com o cliente 3 elementos essenciais: confiança, consciência e escolha. Vamos clarificar. Sem confiar em si o cliente não buscará soluções diferentes e limitará ações, o que limita resultados diferentes na sua vida. Mas confiança sem consciência de si e fatos que afetam a sua vida, limitará a qualidade de suas ações. A consciência é primordial para que o cliente aprenda com a própria experiência e melhore as futuras escolhas para si. Por isso muitas técnicas e ferramentas trabalham para ampliar a consciência como base fundamental para encontrar as opções e fazer escolhas. Mas de quem são as escolhas? No coaching, as escolhas são sempre do cliente. Uma função essencial do coach é de apoiar a desenvolver novas e mais eficazes formas de aprender e realizar para si.

Agora eu pergunto a você, leitor: se você tiver um espaço onde se sinta confiante a buscar alternativas, que o auxilie a examinar e explorar momentos de vida sem julgamento e ainda preserva o seu direito de escolha; você estaria mais comprometido com sua vida e encorajado a correr atrás de seus objetivos?

Pois isso é coaching. E é um mercado crescente porque existe a necessidade e tem apresentado resultados. E se considerarmos o cenário de crise, se torna altamente atrativo para quem busca oportunidade de atividade profissional, estando ou não preparado.

Então fica a todos nós o desafio da qualidade e responsabilidade nessa atividade, que como todas as atividades existentes, regulamentadas ou não, também tem impacto na vida das pessoas.

Se você é coach, eu o convido a buscar padrões mais elevados continuamente, reunindo melhor formação com a prática responsável e continuada. Fica a reflexão: que coach você deseja ser?

Se você é um potencial cliente, eu o convido a entender melhor o que é coaching. E quando for o momento de contratar um coach, busque evidências da qualidade e responsabilidade que você deseja nesse profissional, para fazer valer a pena o investimento, seja para si ou para a organização que você representa. Acredito que há grande diferença entre os muitos que se intitulam coaches. Existem os com e sem formação de coaching. Existem os com formação em escolas de longa tradição ou em escolas recém-criadas. Existem os que têm várias formações e os que pararam no tempo. Existem os com experiência prática recente e outros com larga experiência e recomendação de clientes. Então fica a reflexão: que coach você deseja contratar?

O mundo tem acesso a melhores técnicas de coaching e entidades de referência. Mas é necessário que elas sejam apropriadas pelas pessoas, seja quem pode exigir ou quem vai oferecer.

E independentemente da polêmica, o coaching veio para ficar simplesmente porque atende a determinadas necessidades humanas de desenvolvimento. No dia que perder o sentido, deixará de ser procurado.

Só posso dizer que amo o tema e me dedico a estudar continuamente, porque me abre um mundo de possibilidades para despertar e utilizar o meu potencial e dos muitos com quem me encontro na vida!

Eu acredito no coaching! E você?

Se você gostou do texto, compartilhe! Vamos construir um mundo melhor a partir de melhores informações e de ter um olhar para o construtivo. E isso não acontece isoladamente, mas com a soma de pessoas que acreditam!

Você está realmente “Presente” na sua vida?

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Esta é uma reflexão sobre a qualidade de vida. Sobre escolhas e sobre realmente vivenciar os momentos em vez de estar sempre em correria e já pensando na próxima atividade. Penso em como os relacionamentos se “empobreceram” com a falta da presença. E com o tempo… até nos perdermos de quem nós somos, por estar mais conectado em FAZER do que em SER.

Quantos instantes preciosos simplesmente passam porque não estávamos atentos?

Veja se você já se viu em algumas dessas situações:

  • Você já se percebeu com pessoas à sua volta e não tinha a menor ideia do que estava sendo falado?
  • Já se pegou rindo de uma piada que não entendeu?
  • Já passou por amigos num shopping, sem ver porque estava imerso em seus pensamentos?
  • Já segurou um livro passando os olhos nas letras sem absorver?
  • Lembra-se de ter trabalhado horas e até dias em cima de um projeto e seu chefe lhe diz que entendeu tudo errado?
  • E o que você faz quando é sua filha que diz: olha para mim!

A vida pode estar passando enquanto nos distraímos. E fica o sentimento de que não aproveitamos bem o tempo.

Nem sempre mais é realmente mais. Às vezes para SER MAIS, é preciso FAZER MENOS. E como resultado: VIVER MELHOR!

Seja pelo prazer ou pelo desempenho, estar presente vai aumentar a sua qualidade de estudo, de trabalho, nos relacionamentos e na diversão. Mas como chegamos nessa situação de viver sem estar realmente presente na própria vida? 

À medida que ampliam opções e recebemos uma quantidade muito maior de informações e até de oportunidades, proporcionalmente parece ter aumentado a ansiedade em não perder nada. Aquela cobrança em conseguir fazer e ter mais e mais. Nada errado em batalhar por melhores condições para o seu futuro, mas será que é um bom preço se for a custa de qualidade no momento presente?

O que você pode perder enquanto a vida passa? Afinal, num instante, temos mais idade, não temos mais disposição, as crianças crescem, os amigos se mudam, etc…

Mas criamos muitos mecanismos na expectativa de caber mais, que nem percebemos que não registramos mais o que vale a pena.

Nesse ponto, quero levantar a questão de escolhas. Muitas vezes não escolher o que é prioridade para nós, também é uma escolha. Se você não pondera e faz escolhas, fica mais fácil basear na esperança, de que vai sempre caber mais algo. E o foco se torna quantidade e não o que é mais importante.

Você conhece alguém que não tem nenhum horário livre na agenda, como se fosse possível não ter imprevistos? Você conhece alguém que está num restaurante com a família, mas não larga as redes sociais no celular? E pessoas que fazem tanto curso, mas mal tem tempo para colocar em ação algo novo que aprendeu?

As perguntas que naturalmente vem à mente: para que planejar uma agenda que não tem como cumprir? E se não o tempo não der, o que vai ficar de fora é o menos importante? Para que estar com corpo presente em um grupo e a mente em outro? Para que se estuda tanto, se não der tempo de usar os novos conhecimentos?

Uma vez ouvi de alguém muito sábio: tenha apenas o que você precisa. E faz muito sentido, porque tudo se paga com horas de vida. Se gasta tempo para ganhar dinheiro e compra algo que não precisa, ainda assim, o que comprou lhe custou horas de vida!

Mas você pode estar pensando: é mais fácil falar que fazer. E não tenho menor dúvida disso, em especial se você estiver vivendo a mil por hora, “pedalando o mundo”.

Mas se você quer ter qualidade de vida, deve aprender sobre duas coisas: fazer escolhas e ter presença.

Ao aprender a fazer melhores escolhas para si, vai perceber que se torna mais fácil aproveitar o momento e estar presente. Mas como se faz melhores escolhas? Fazendo!

Como assim? Fazendo? Isso mesmo. Coloque-se em ação para fazer escolhas pela sua vida sempre que tiver mais de uma atividade disputando a sua atenção. E observe a medida que faz suas escolhas, o que fez sentido e o que faria diferente na próxima vez. É um processo de consciência e de assumir a responsabilidade pelo que é melhor para si.

Um recurso que pode lhe ajudar a se situar em reflexões e pensar sobre suas prioridades é o volume “Meu Outono, Minhas Escolhas“, do MyActionBook. É de minha autoria e pode lhe ajudar a se conhecer e melhor entender o que é importante para você.

Mas saiba que mesmo quando se escolhe e quer estar presente, nem sempre é simples. Às vezes tem simplesmente muitas interferências na sua mente, que você não consegue calar. Fica inquieto, distraído e até ansioso. Isso quando não alimenta raiva ou angústia por algo que às vezes nem aconteceu, mas na nossa imaginação, só de imaginar que poderia acontecer, já se expandiu e a emoção tomou conta.

Saiba que se você quer aprender mais e desenvolver a capacidade de estar mais no presente, é possível. Não importa qual tarefa, você pode estar mais presente na sua caminhada, brincando com sua filha, tomando um café, fazendo o seu trabalho ou lendo. Não importa o que, é possível se você estiver disposto a mudar.

Um termo em inglês que vem sendo cada vez mais objeto de pesquisa é Mindfulness, traduzido como Atenção Plena. O chamado Mindfulness conta com evidência científica e comprovada eficácia, surgiu na Universidade de Massachussets por volta dos anos 80. Atualmente, em todo o mundo existem estudos e escolas que disseminam suas práticas, como forma de trazer qualidade de vida e redução do stress. Uma grande referência no mundo é La Universidad de Zaragoza, na Espanha, que oferece o Master de MindFulness. Um centro de referência no Brasil é a Mente Aberta Mindfulness Brasil. Mas se você busca uma leitura consistente, conheça o livro Atenção Plena – Mindfulness – Como encontrar a paz em um mundo frenético, de Mark Williams e Danny Penman, encontrada nas principais livrarias do Brasil em português.

O que se pode aprender de interessante com este tema? Muita coisa! Em primeiro lugar, estado de atenção plena é algo simples, mas nem por isso fácil de alcançar. Estar desperto e consciente do momento presente não parece acontecer naturalmente num mundo hiper-conectado e de cobranças em que vivemos. Imagine como seria a sua vida se você tivesse maior presença com as pessoas, numa entrevista de emprego, na preparação para uma prova, na elaboração de orçamento de projeto e até doméstico!

Nesse livro, você poderá aprender sobre como acontecem as muitas interferências na nossa mente e como interferências emocionais acontecem. Por exemplo entender que emoções são feixes de pensamentos, sentimentos, sensações físicas e impulsos para agir. Ao se observar terá oportunidade de registrar como se processa em você.

Poderá aprender várias técnicas para conectar-se com o momento presente, que incluem meditação (vem com CD), mas não somente.

Para mim a maior contribuição está numa parte singela, mas profunda na página 36: Mudar sua perspectiva pode transformar sua experiência de vida, seja por um ponto de vista diferente ou por um ponto diferente no tempo. O livro traz evidências e técnicas para mudar a “paisagem interna” ou também conhecido como “paisagem mental”, de forma que você possa deixar de depender das circunstâncias externas para encontrar a felicidade, o contentamento e o equilíbrio. Em resumo: a atenção plena surge espontaneamente do modo Existente quando aprendemos a prestar atenção deliberada, no momento presente e sem julgamento nas coisas como de fato são.

Faça uma experiência de atenção plena e veja como o mundo se transforma quando você presta mais atenção nele. Escolha uma tarefa simples que faz volta e meia, por exemplo tomar o café da manhã. Faça a escolha consciente de quanto tempo deseja destinar. Vamos supor que defina 15 minutos. Dedique plenamente esses minutos a observar o momento. Se estiver sozinho, perceba os aromas, a textura dos alimentos, se tem som quando morde um pedaço de pão crocante, veja a fumaça, sinta o seu corpo se nutrindo para iniciar maravilhosamente um novo dia! Se tiver com uma criança, experimente observar cada expressão, gesto, o olhar de curiosidade, as perguntas e tudo mais que aquele momento permite. Cada instante lhe reserva algo precioso se você estiver presente.

Observe quando você está apenas de corpo presente. Onde sua mente divaga? Alguns especialistas dizem que isso acontece por conflito de prioridades. Na dúvida onde deveria estar, acaba tentando estar em vários lugares ao mesmo tempo. E com isso, acaba não estando nem em um lugar e nem em outro.

Gosto muito do significado de presente = dádiva. Sim ter a oportunidade de vivenciar no momento presente é uma dádiva, que poucos usufruem profundamente. De uma forma ou de outra, muito rapidamente o presente se torna passado, e não poderá mais ser reescrito, apenas lembrado, se lembrado.

As suas lembranças, você constrói no presente! Então não deixe a vida passar enquanto está se distraindo. E não se distrai enquanto está com seus amados, eles poderão não estar ao seu lado amanhã. E o amanhã? Você nem sabe se existirá! Então exista agora e já!

E viva a cada dia a dádiva de ter o momento presente!

 

* Esse texto é uma homenagem a duas Senhoras muito inspiradoras, que têm sede pela vida e conexão com os momentos presentes: Helena Tonet (gratidão pelo papo muito interessante sobre como o mundo parece que perdeu a qualidade de atenção) e Voinha (avó do meu esposo), uma dama de personalidade, que vive destemidamente cada momento presente, completando 100 anos de vida no ano passado.