Você rejeita ter esperanças?

Dizem que a esperança é a última que morre. É como um facho de luz que insiste em escapar pela fresta da porta, para alcançar o quarto mais escuro, prometendo que o dia ainda não terminou. E nos acalenta a expectativa de que dias melhores virão.

Quem não teve em algum momento a esperança na realização de algo desejado?

É justamente esta esperança que nos impede de desistir de sonhos, objetivos de vida e até de relacionamentos…

E é nesse período de virada de ano que fico refletindo ainda mais sobre a natureza humana, sobre os anseios e dúvidas sobre o futuro, mas também sobre o que realmente quero para os próximos anos. E através deste texto eu o convido a refletir comigo sobre a presença da esperança e a importância do seu transbordamento na construção de um caminho do seu jeito para os próximos anos da sua vida.

Este texto também se trata de uma reflexão mais profunda e sensível sobre a essência do que é ser humano, a busca da felicidade e plenitude, e como lidamos com as nossas limitações, dilemas internos e contextos externos.

Se este ano que se inicia não for um ano melhor, que você possa pelo menos estar acompanhado de mais inspiração e amparado por resiliência.

Antes de avançar, permita-me te contar pequena história sobre como cheguei na esperança.

Sou uma pessoa de planejamento e nem tanto de esperança. Acredito em fazer acontecer e não em torcer para acontecer.

Por natureza, tenho visão mais sistêmica e pensamento crítico. Já fui gestora de projetos e gosto de desenvolver estratégias e antecipar passos. Talvez eu tenha um lado romântico, ou talvez deva chamar de otimista com relação à vida (sei que nem tudo é só lógica). Mas também sou daquelas pessoas que ao longo de toda a vida, manteve-se na fase dos porquês. Sigo curiosa, observando, perguntando e aprendendo… Sei que não sei tudo, e que nem tudo é explicado pela lógica, pelo menos a curto prazo.

Eu tenho a necessidade de entender e persigo respostas. Até para aprender e memorizar, se entendo, é bem fluído e ágil. E para entender, aprofundo em significados e contextos. Saber o porquê das coisas me traz maior confiança e coragem para qualquer desafio.

E na busca de respostas, refletindo, pesquisando e procurando pelos porquês… é uma sensação maravilhosa quando as ideias se conectam e tudo faz sentido para mim (o que muitos chamam de “momento aha”).

Então a minha tendência, como a de muitas pessoas que se consideram racionais, é subestimar o poder da esperança e superestimar dados, fatos e o que é mais tangível.

A esperança não parece ser coisa para os racionais. Mas o que aprendi é que não se trata de querer ou não. Em algum momento da sua vida, você terá esperanças. Você terá expectativas de que algo bom aconteça e são evidenciadas pelas decepções quando não se alcança o que esperava. Mas podem ser recompensadas quando se concretizam.

A esperança é inseparável do ser humano e habita em nós sem convite. Alguns negam a sua presença, menosprezam ou refutam, mas ela teimosa, persiste presente.

Há outros que supervaloriza e pesam sobre ela boa parte dos resultados da vida, mesmo que não esteja fazendo quase nada para contribuir.

Por ser de natureza mais estruturada e racional, eu precisei de encontrei com reiteradas evidências da força da esperança para entender o valor e acolher feliz. Passei a perceber que me energiza e impulsiona a persistir, e me torna mais resiliente às decepções porque aprendi que a expectativa de tempo é minha. E se ainda não alcancei, talvez precise de um pouco mais de tempo. Posso estar vendo um ponto final, quando na verdade, cheguei na vírgula.

Reconhecer a função da esperança em mim me livrou do fardo pesado do dever da ação pela ação, criando a expectativa de que coisas boas podem acontecer se tiver ações coerentes com o que desejo. E as minhas conclusões não vieram somente da experiência com meus clientes ao longo de 14 anos, desenvolvendo pessoas. Vieram principalmente da minha curiosidade e busca pela resposta para uma importante questão para mim: porque algumas pessoas persistem mais até alcançar o que desejam, enquanto outras desistem nos primeiros obstáculos, muitas vezes transponíveis? Essa curiosidade foi motivada inicialmente por um incômodo trabalhando em um projeto social chamado de “Desenvolvimento de Jovens Líderes“, que tem por foco jovens entre 18 a 26 anos, de renda pessoal e familiar mais baixa. Visa proporcionar oportunidade para uma formação robusta, e é 100% gratuito aos participantes. Parece bom demais, certo? Mas por que havia uma taxa de desistência, muitas vezes por barreiras que surgiam na vida dos participantes, mas na grande maioria, facilmente contornáveis?

Este projeto é realizado pela união de esforços de muitos profissionais experientes de mercado e no total foram 12 edições anuais, com centenas de jovens. E tivemos o prazer de acompanhar grandes saltos e mudanças de vida e carreira. Mas também observamos um número significativo de desistências antes de que se alcance resultados. A pergunta que não quer calar continua sendo: por quê? Resolvemos aplicar uma pesquisa, incluindo formulários mais entrevistas em profundidade, com um número expressivo de jovens. Queríamos entender o que fazia alguns entrarem em ação e persistir mais do que outros. E estava claro que quem se colocava mais em ação, conquistava mais (do que desejava).

Os meus maiores aprendizados sobre a esperança vieram desta pesquisa, que evidenciou a esperança é o elemento presente que distingue os que tem mais êxito dos que que sequer se permitem tentar porque não tem esperança (ou não se permitem ter) de dias melhores. Passaram boa parte da vida dizendo para não ter esperança para não se decepcionar. Ou pior, não ter esperança porque aquilo (que deseja) não é para si. É para quem nasceu em condições mais favoráveis.

Em conclusão: a esperança coloca uma lente otimista, amplia a autoconfiança e aumenta a energia, que permite persistir e enfrentar melhor os obstáculos até alcançar o que acredita que tem chances de alcançar. Acreditar que pode decide “o jogo”.

O aprendizado com centenas de jovens ao longo destes anos foi extremamente rico e me trouxe um profundo sentimento de realização em paralelo com o meu trabalho com os clientes. Mas é tema para ser melhor compartilhado em um outro momento.

Se o tema deste texto já cutucou com a sua curiosidade, continue até o fim. Vai te trazer muitos insights ao longo da leitura até o final.

Para quem este texto é especialmente útil?

Se você também é uma pessoa curiosa, às vezes reflexiva e que está em busca de inspiração para o Novo Ano que se inicia, esse texto é para você.

Se você é uma pessoa de planejamento e está no momento de pensar na sua visão de futuro e metas para os próximos anos (que efetivamente te engajem), uma reflexão mais aprofundada e um pouco de inspiração com este texto não fará mal.

O que esperança tem a ver com o seu futuro?

A grande lição é que quem tem muita esperança não costuma desistir do que deseja. E ao persistir, muitas vezes alcança.

Eu te pergunto: quantas vezes por não acreditar que você consegue, nem tentou? E tem como saber se é possível, sem nem tentar? Que portas já fechou para si ao desistir antes de saber se era possível?

Vamos refletir sobre alguns exemplos:

  • Você já deixou de se candidatar a alguma vaga por acreditar que não tem chance?
  • Já teve vontade de abordar uma autoridade, mas acredita que não conseguirá a sua atenção?
  • Já quis ser palestrante ou escritor, mas nem tentou porque não acredita que seja capaz?
  • Já deixou de conquistar novos amigos, porque pensou que não tem nada a ver ficar abordando as pessoas que tem mais o que fazer do que te ouvir?
  • E quantas pessoas não estariam casados se não tivessem dado o primeiro passo?

Reitero: a esperança é que nos encoraja a agir, insistir e não desistir.

Mas por que somos cautelosos para alimentar as nossas esperanças? Algumas pessoas acreditam que se não tiverem expectativas, não terão decepções. Pensando no ser humano, enxergo nessa lógica duas missões impossíveis. O primeiro é não ter expectativas. Independentemente de sua vontade, todos tem alguma expectativa, mesmo que não seja consciente. O segundo é que em algum momento você se decepcionará porque as coisas não acontecem sempre do seu jeito e no seu tempo. Não existe garantia de realizar tudo, mesmo que tenha o melhor planejamento do mundo. E se colocamos alguma energia e não realiza, como evitar a decepção?

Será que precisamos mesmo de fugir da decepção, como se fosse algo possível? Para mim, a decepção é sinal de que ainda não cheguei lá. De que tem mais que ainda desejo alcançar e tenho horizonte futuro. E isso é ter perspectiva. É sentir-se vivo pulsando por algo e não se limitar a apenas sobreviver.

Vamos falar mais sobre o receio de ter esperança e como muitas vezes somos o primeiro a bater a porta na própria cara.

O que acreditamos determina o que nos permitimos tentar. Este é um dilema humano. Para não se decepcionar, preferimos acreditar que não nascemos para isso, que não somos bons naquilo e que não é o momento para tentar. São muitos os mecanismos para evitar frustrações, decepções e fracassos. Mas existe um princípio universal: o plantio vem antes da colheita.

É preciso plantar, mas para você plantar você precisa acreditar que vai gerar frutos (ou acreditar que precisa fazer porque não tem opção). E se as suas crenças estão cortando as esperanças pela raiz… Você terá menos forças para lidar com barreiras que todos encontramos, volta e meia, na vida.

E as Crenças não são necessariamente verdades. Mas por acreditar, torna-se a sua verdade. E como consequência tem impacto em suas ações e na sua vida, impulsionando ou limitando o seu campo de visão, o que se permite tentar e as suas escolhas.

Apesar disso, as crenças não precisam ser determinantes do que você pode alcançar para o futuro. Você pode escolher desafiar aquelas que te limitam buscando converter o “não” em “sim”.

Sempre que eu me pego pensando em “isso não é possível”, mudo a frase para “Isso pode ser possível se…”

E por mais que você duvide de si, por alguma razão, algumas vezes temos uma voz da esperança nos lembrando de tentar. E pode ter uma presença tão forte quanto aquela réstia de luz que teima em passar pela frestinha da janela como uma promessa que a história ainda não acabou.

Há algum tempo que o tema esperança me desperta a curiosidade. Todos os estados emocionais tem um impacto nas pessoas, sejam positivas ou negativas. Mas a esperança me parece a mais poderosa força para que as pessoas enfrentem positivamente as dificuldades que encontram.

Você sabia que em várias culturas é frequentemente representado por muitos símbolos? Os que mais gosto são a Flor de Lótus e a estrela cadente.

A Flor de Lótus é uma flor elegante e delicada que simboliza superação, pureza e renascimento por sua capacidade de florescer em águas lamacentas.

A estrela cadente, que na verdade é um rastro luminoso de um pequeno fragmento de um meteoroide em alta velocidade, simboliza o renascimento, as mudanças e a iluminação.

E fico me perguntando de onde vem… Será que ter esperança é sempre bom? Até que ponto a esperança se transforma em mera teimosia? Será que algumas pessoas já nascem com mais predisposição para alimentar esperanças ou é cultivável?

E como pessoal racional que sou (boa parte do tempo), não podia deixar de pesquisar. E na minha busca por respostas e mais balizamento, encontrei alguns estudos e livros muito interessantes sobre o tema. Compartilho a seguir dois que me chamaram mais a atenção. Se você é mais do tipo racional como eu, pode querer entender mais sobre a ciência da esperança.

Psychology of Hope: You Can Get Here from There (edição em inglês), por C.R. Snyder. Em tradução livre o título é “A Psicologia da Esperança”. Neste livro o autor fala sobre como as pessoas com alta esperança estabelecem metas claras, imaginam múltiplos caminhos e acreditam na sua capacidade de perseverar, mesmo diante de obstáculos. Também oferece um teste para medir traços de personalidade relacionados à esperança, além de dicas sobre como cultivar a esperança.

Learned Hopefulness: The Power of Positivity to Overcome Depression (edição em inglês), por Dan Tomasulo. Em tradução livre o título é “A Esperança aprendida”.

Este livro oferece exercícios fundamentados na psicologia positiva e comprovados cientificamente. Fala sobre a importância de conhecer os pontos fortes e livrar das crenças limitantes para majorar a capacidade de ser positivo e aumentar seus sentimentos de motivação, resiliência e bem-estar. E ensina a desvencilhar da ruminação sobre eventos negativos do passado, mudando sua perspectiva para o momento presente e antecipando seu futuro com uma visão mais positiva.

Sim, porque a esperança também se cultiva e amplia.

Se você se identificou como alguém que vive dizimando ou ignorando as próprias esperanças, quem sabe, estes livros te fazem mudar a sua perspectiva.

Sei que não ter o livro em português pode ser um limitante, mas atualmente há muita tecnologia que ajuda a superar a barreira de língua. E tenho a esperança que encontrará a ajuda que precisar, se quiser decifrar mais o tema. E claro, estou por aqui para trocar ideias.

Agora que o papel da esperança ficou mais claro, convido a olhar para o futuro: Que esperanças você tem para que o próximo ano? Ou talvez eu deva perguntar que objetivos você tem esperança de alcançar nos próximos anos?

O ponto é: não tenho dúvidas do poder da esperança, mas se limitar à ela é retirar-se do protagonismo da própria vida e tirar as chances da vida ir na direção do que deseja. É preciso aproveitar o movimento que a esperança convida dentro de cada um, para manter o impulso com ações concretas que ajudem a avançar na direção dos objetivos.

Mas ações sem clareza de direção, não alcançam os objetivos. Por isso, gosto de estimular que as pessoas tenham um tempo de qualidade para o planejamento. Não precisa necessariamente ser nada muito estruturado e demorado, mas uma reflexão de qualidade pode fazer muita diferença.

Dê uma força às suas esperanças com um planejamento. Só você sabe o que realmente é importante para você.

Uma dica essencial: planejamento tem que ser realizável. Então seja mais simples, concentrando em menos itens, que sejam realmente importantes para você. Nem pense no conceito de sucesso dos outros. A vida é sua.  Mas não planeje o que não tem esperança de realizar, não terá a energia para enfrentar barreiras. Mas é sempre possível descobrir o que precisa para ter esperanças… Mas se tiver um pouco que seja, foque em demover os empecilhos. Tenha em mente que nenhuma barreira é grande o bastante se o seu sonho for maior.

Se puder te sugerir algo, que funciona para mim, imagine-se daqui a 1, 2 e 3 anos. Nada muito longe para você. E comece com a sua visão de futuro, do que quer SER (quem terá se tornado idealmente), TER (bens, certificações, títulos…) ou ESTAR FAZENDO (estilo de vida).

Tudo está muito dinâmico. Planejar é tirar tempo de qualidade para pensar no que realmente importa para você e buscar um pouco de clareza sobre o que deseja realizar ou conquistar (mesmo!) e possíveis e melhores caminhos.

Pensar em um plano de ação, com possíveis opções de como realizar é válido, mas descomplique. Não se trata da quantidade de ações, mas de quais geram melhor impacto em encurtar o caminho entre hoje e o futuro desejado.

Ainda mais quando o planejamento é para você. Pense simples e seja seletivo, pois o tempo é limitado. E você não quer criar um mecanismo de decepção recorrente. Foque nas conquistas mais valiosas que farão o seu ano valer a pena. Não foque em quantidade, que o manterá muito ocupado, mas não necessariamente produtivo e feliz.

Eu gosto de utilizar a metodologia OKR (Objective and Key Results), adaptada e simplificada para a minha realidade. E sempre reflito conjuntamente a minha vida pessoal e profissional porque disputam o mesmo tempo que tenho. Proporciona clareza quando planejado. E serve de instrumento de acompanhamento e reflexões para aprendizados. E gosto de estabelecer alguns “milestones”, que são basicamente os grandes gols que desejo conquistar ao longo do caminho, definindo a data para estes.

Este texto não é sobre planejamento, mas como dar vida longa à esperança, sem viver só dela. Então não aprofundaremos na metodologia OKR, mas caso tenha interesse em saber mais, deixo como referência o autor John Doerr e o seu livro “Avalie o que Importa”. E este livro tem a versão em português.

Para fechar a ideia de planejamento, deixo algumas dicas para você:

  • Avalie bem o tempo necessário e bloqueie a sua agenda, ou viverá de esperança de que amanhã recuperará o que não fez hoje. E costuma ser irreal.
  • Imprevistos acontecem. Não planeje os seus dias lotados. Deixe espaços para ter a opção de resolver imprevistos se forem importantes, sem precisar de desmontar a sua agenda.
  • Estas mesmas janelas de tempo “sobrando” também são úteis para aproveitar oportunidades raras que você quer aproveitar.
  • Mas tenha em mente que o tempo continua sendo limitado e você precisa ser bom em definir as suas prioridades colocando o que é importante primeiro, ou nunca terá tempo suficiente para realizar os seus maiores sonhos e objetivos.

Antes de terminar, quero compartilhar uma pequena parábola, que espero trazer inspiração para o seu planejamento.

“O Agricultor e a Seca

Uma seca terrível castigou a terra. Todos abandonaram os campos, menos um agricultor que continuou lavrando e semeando.

“Estás louco?”, diziam. “Não chove há meses!”

Ele respondia: “Se eu parar de preparar a terra, quando a chuva vier não estarei pronto para receber a colheita.”

Anos depois, quando as chuvas voltaram abundantes, só ele teve campos prontos para dar frutos.

A esperança não é esperar a chuva sentada; é preparar a terra para quando ela chegar, na confiança de que uma hora chegará.”

Todos queremos estar preparados para quando a oportunidade aparecer. Eu espero que neste ano que se inicia, você dê voz às suas esperanças. E mais do que tudo, reforce as esperanças com planejamento de qualidade e ações concretas.

Que ao final deste ano, antes do próximo Ano Novo, você possa revisitar o seu planejamento, celebrar as realizações e conquistas, e constatar a importância da presença amiga da esperança, te apoiando nas batalhas e encorajando a prosseguir ao longo de todo o ano.

Dê boas vindas às suas esperanças, mais que isso, alimente, sinta e viva a esperança, porque ela te faz persistir no que ninguém mais está fazendo. Mas não a utilize como zona de conforto para não agir. A esperança te dá senso de certeza e energia, o planejamento te dá maior clareza e estrutura, e as ações concretas tem o poder de transformar a sua realidade e aproximar do que você deseja realizar!

Feliz Ano Novo!

#Esperanca #Otimismo #Futuro #Planejamento #OKR

Morte, Tempo e Amor

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Nesse primeiro dia do ano, acordei inspirada para escrever sobre temas eternos e mais atuais que nunca: Morte, Amor e Tempo. Espero que o texto o(a) inspire a um ano realmente novo de sentido e realizações.

A minha vida foi marcada pela morte de entes queridos, incluindo pais e um irmão ainda muito jovem, aos 26 anos, de latrocínio. Não posso dizer que a vida foi justa ou injusta. Posso dizer que como todo ser humano, tive a minha cota de coisas que não pedi. Mas também que me deu um senso diferente de valor à vida, de construir, vontade de viver “o hoje” e fazer melhores escolhas. Nos momentos mais difíceis, o que nos cabe decidir é como lidar com o que recebemos. E confesso que o meu maior desafio até hoje é lidar com a impotência. É perceber que quando tudo o que faço não basta. É reconhecer que algumas coisas não estão no meu alcance, como evitar a morte de quem está ao nosso lado. Sempre tive o impulso em me empenhar para alcançar o que queria, e conquistei muitas coisas assim. Dependia de mim. Quando comecei a enfrentar situações que me trouxeram a consciência do pouco controle que temos sobre a vida e a morte… foi difícil. Foi muito difícil poder apenas dar dignidade ao tempo de vida que meus pais ainda tinham, sem conseguir afetar positivamente na saúde deles. Foi chocante descobrir que uma vida valia tão pouco para as pessoas que assaltaram o meu irmão e não queria deixar testemunha. Eram dois irmãos, um até sem antecedentes. E que eu não era capaz de modificar esse acontecimento.

Mas esse texto não trata do aspecto triste dos acontecimentos. Trata do quanto os acontecimentos podem nos fortalecer enquanto pessoas, nos reconectar com a nossa essência e nos ensinar a escolher melhor para nossas vidas.

Um filme com abordagem muito interessante, chama-se “Beleza Oculta” (nome original Collateral Beauty), e afirma que tudo o que fazemos é motivado pela morte, tempo e amor. A sombra da morte, que vem sem convite, pode trazer maior senso de urgência de viver. E ensina o quanto o tempo é precioso e deve ser melhor utilizado. Mas também revela o quanto somos incoerentes entre o amor que sentimos e a nossa capacidade em demonstrar com as pessoas que amamos. Quanta coisa é feita em nome do amor… às vezes grandes gestos, às vezes atos absurdos.

Quantas pessoas gostariam de evitar a morte, encontrar o amor e ter mais tempo… Mas viver é encontrar incertezas sobre o quanto teremos de cada um. O que podemos aprender é a melhor aproveitar a vida e torcer para vivermos mais, com amor e lidando melhor com a consciência da morte.

O senso de que somos mortais também deveria ser um importante alerta para se cuidar da nossa saúde física e mental. A saúde em si não traz a felicidade, mas sem ela, fica mais difícil de alcançá-la. Nem tudo depende de nós, mas com certeza têm estilos de vida que colaboram ou atrapalham uma vida com mais saúde. Cabe a cada um agir a favor da qualidade de vida que deseja ter. Quanto de saúde deseja ter? E o que tem feito para ter?
São duas perguntas que andam juntas para investirmos no que depende de nós.

Eu fico refletindo ao observar pessoas e seus hábitos. Por que será que mesmo conscientes que faz mal, as pessoas comem o que não devem, não praticam atividade física e se irritam por qualquer coisa? Parece contraditório não fazermos muito do que já sabemos que é melhor para nós e deixarmos de fazer o que faz mal e pronto. Entre o que faz mal, penso também na saúde emocional, quando convivemos com pessoas que parecem especializadas em reclamar, ou em ambientes de trabalho tóxicos e até em relacionamentos onde se esperam que deixe de ser você. Faz mal, mas vive-se de esperança de que vai melhorar. Por quê?

No trânsito então é um rico laboratório para se observar o estresse e os mais variados comportamentos. Criei alguns rótulos. Você já observou pessoas que parecem os “donos da rua”, aqueles que acreditam que a prioridade é sempre deles independentemente da regra de trânsito? Se não cedemos ou abrimos espaço, vem buzinada, palavrão, gritos, às vezes perseguição no trânsito e fechadas… Também nesse grupo estão aqueles que acreditam que a sua pressa é sempre maior do que a pressa do outro. E isso dá direito de furar filas, fazer manobras perigosas e até contramão. Sempre tentando ganhar pequenas vantagens. Você também já deve ter observado os “distraídos”, aqueles que dirigem como se estivessem em outro mundo e não tivesse ninguém à sua volta. Está na metade da velocidade da via, na faixa de maior velocidade, às vezes navega à direita e à esquerda como se estivesse num mar aberto, reduz e até para repentinamente no meio da rua, com você atrás… E os “multifuncionais”? Você conhece pessoas que acreditam que podem fazer várias coisas enquanto dirigem? Alguns falando ou até digitando texto enquanto dirigem, ou procurando objeto no porta-luvas, até escrevendo endereço em GPS? Sempre se tem a opção de parar o carro para fazer isso, mas por alguma razão, apesar da ciência afirmar que não fomos feitos para realizar mais de uma tarefa com o mesmo nível de atenção ao mesmo tempo, queremos acreditar que a atenção que desviamos da pista não trará consequências, até que traga.

Esses comportamentos, além de muitas vezes prejudicarem o fluxo do trânsito que pode já estar complicado, eleva o nível de estresse de todos, inclusive de quem está provocando isso. Em resumo, não faz bem para ninguém, mas continua sendo feito.

E observando pessoas às vezes algo “grita” em mim: somos mortais, entendeu? E não viemos com selo de garantia de quanto tempo viveremos… Dá para começar a viver melhor já?

Não se cuidar é brincar com a morte, ou pelo menos com a saúde. E não sei qual das duas opções é pior. Uma vida sem saúde ou sem vida sequer.

Não precisamos de sofrer perdas para valorizar a vida, mas a verdade é que perdas são eficazes em nos acordar para a vida. Podemos nos apegar às perdas ou lembrar de quantas pessoas ainda estão à nossa volta e se estamos sabendo valorizá-las.

Porque o tempo que passou, passou! E vai continuar passando. Você só pode viver melhor com o tempo que ainda tem pela frente. Qual a razão de sua vida? Se não encontrou, procure! Encontrando ou não, a busca trará sentido. Quem são as pessoas mais importantes para você? Tem convivido e demonstrado o que sente? Lembre-se: amanhã pode não existir. O que ainda deseja realizar? O que precisa já ter realizado? Se estiver contando um monte de desculpas para si, pare e pense. É realmente importante para você ou algo o segura de realmente agir na direção do que deseja? Como seria chegar ao fim da vida sem ter realizado? Só você pode ter a sua resposta do que é viver bem, sem arrependimentos.

Penso que a vida é suficientemente complexa para complicarmos mais. Passei a aplicar uma regra há algum tempo: simplifique. Tudo pode ser mais simples e profundo. Escolha suas brigas, nem tudo vale a pena. E com certeza não vale a pena se naquele momento não tem chance de fazer diferença. Não precisamos de deixar de fazer algo importante, encontre uma forma mais simples e faça. Não pense demais para fazer algo importante. Às vezes é melhor o feito do que o perfeito. E desapegue do ter por ter. Acostumamos com uma cultura do ter e de acumular, como se fosse sempre melhor ter mais. Tenha o que acrescenta à sua vida. O que não acrescenta, não vale a pena. Porque tudo que temos exige manutenção, seja um relacionamento ou uma casa, dá trabalho. Se efetivamente agrega à sua vida, vale a pena. De outra forma é apenas gasto de nosso limitado tempo.

E tempo é algo que nunca teremos o suficiente porque sempre queremos mais. Mas não nos cabe decidir o quanto teremos, somente como investimos o que tivermos. Planejar o que fazer de mais importante com uma quantidade limitada, mas desconhecida de tempo é um grande desafio! Como usar bem o seu tempo? Mas o que é usar bem o tempo para cada um? Em que seria um tempo bem gasto para você?

Quando pensamos no tic-tac diário, vemos pessoas confundirem o ocupado com o produtivo. Vemos pessoas que lutam para zerar a fila de tarefas a fazer, que não pára de entrar novas demandas e algumas “puxadas” pelas próprias pessoas. E pessoas dizendo para si que no dia seguinte conseguirá fazer mais. Vemos quem não tem tempo para pessoas importantes em suas vidas e dizendo para si que é só uma fase… Pode até ser… Mas há quanto tempo está nessa fase?

Já sabemos que não dominamos o tempo, só podemos escolher melhor com o que gastar. E a vida é dinâmica, então as nossas escolhas precisam ser revisitadas frequentemente. É preciso fazer as suas escolhas sobre com que deseja investir o seu tempo, e aproveitar profundamente o momento escolhido, ou terá jogado o tempo fora, pelo menos em parte.

Em ambiente de trabalho é muito comum as pessoas lidarem com o tempo pensando em aumentar a eficiência, sem dar a devida importância às escolhas sobre o que é essencial. Há apego ao que já faz, do jeito que é feito, muitas vezes sem questionar porque precisa ser feito. Se fizermos muito quantidade de tarefas em pouco tempo, mas poderiam ser feitos de outra forma ou até não precisariam ser feitas, teremos perdido tempo mesmo sendo eficiente. Saber escolher o que fazer precisa vir antes de ser eficiente.

Criamos tantas desculpas para não desapegar de como já fazemos que acabamos não conseguindo enxergar novas e melhores possibilidades para investir o nosso tempo. E ficamos vivendo o mesmo “filme” de novo e de novo. E tentando “esticar” o tempo.

Mas vale aprofundar. Você quer mais tempo para o quê? O que traria maior sentido à sua vida? Se você não tivesse limite de tempo e tudo pudesse ser feito a tempo, o que você colocaria na frente e faria primeiro? Por quanto tempo até cansar?

A morte incita urgência, o tempo é um recurso precioso e limitado, mas se não tivéssemos nada a amar, o tempo e a morte perderiam a relevância. Como humanos, amamos. Em nome do amor, movemos mundos e alcançamos muitas realizações. A vida seria vazia se passássemos por ela sem o amor. E de quantas maneiras se manifesta! Quando pensamos em ter um companheiro para a vida toda, quando temos nossos pais, avôs, filhos, netos, amigos, animais de estimação, etc. Quando amamos a nossa profissão, uma causa social, um hobby, etc… O amor é a razão pela qual a vida parece ter novas cores. No melhor, o amor nos inspira a sermos mais generosos e a acreditarmos em alcançar grandes feitos. Pelo ente querido, queremos mostrar nossa melhor versão e nos tornar melhores pessoas.

É por todas as coisas que queremos realizar, todas as pessoas com quem queremos estar e todos os momentos que ainda queremos viver é que precisamos de entender que a morte faz parte da vida, que o tempo passa e muito rapidamente e que podemos não ter tempo para amar depois.

Então se eu puder te dizer do que aprendi com a minha vida até agora:

  • Honre o seu corpo fazendo atividades físicas e alimentando-se melhor. Você terá mais energia e disposição para o seu dia-a-dia e maior longevidade com alguma saúde. E saúde importa muito!
  • Cuide da sua mente, desapegando de tudo que faz mal e concentrando-se em melhor observar o que aprecia. Enxergue o belo que existe em tudo, mesmo que seja em pequena porção.
  • Tenha tempo regularmente para as pessoas queridas. Pouco ou muito, disponha de algum. E faça o possível para que a pessoa sinta e aproveite a sua presença. Esteja por inteiro. Demonstre o amor.
  • Viva simples. Quanto menos coisas você precisar com você, menos você carrega e menos tempo ocupará para manter. independentemente do “dono”, aproveite o que está à sua volta. Muitas vezes não enxergamos o que já temos ou o que não precisamos de ter para alegrar a nossa vida.
  • Ocupe-se com atividades que façam bem a você. Produza algo útil a alguém. Isso trará um senso de realização e propósito.

A vida é uma jornada de autoconhecimento. Quanto mais se conhecer, melhores escolhas fará para a sua vida. O meu desejo é que 2020 seja um ano de mais sabedoria e resiliência para construir a vida que deseja! Não escolhemos tudo, mas muito depende de nossas escolhas. Se não exercemos nem o que temos controle, não podemos reclamar do que não temos.

Então deixe os arrependimentos para o passado, apenas aprenda e se fortaleça.

Viva mais plenamente o agora. Seja presente!

E continuamente semeie com suas ações o futuro desejado. Se deseja mais amor, semeie amor. Se desejar paz, semeie paz. Se desejar prosperidade, coloque a cada dia um tijolinho do que será a sua futura realização.

Não se preocupe em TER, mas em SER.

Que 2020 seja a década da maior virada na sua vida! Abundância está a nossa volta. Tenha claro em mente o que deseja se tornar e esteja aberto(a) às mudanças. E construa uma vida extraordinária! Afinal não se vive duas vezes da mesma forma!

Feliz Nova Década!

 

O valor do tempo

Tempo é na essência a verdadeira “moeda” de troca. Nada é mais precioso, pois com ele vivemos, construímos relacionamentos e todas as histórias a contar. Também é com o tempo que evoluímos e alcançamos as nossas realizações. E se desperdiçado, não há como recuperar. Podemos tentar viver a mesma história e ainda assim será diferente, em outra época, outras pessoas e outro nível de maturidade.

Então eu me pergunto porque muitas vezes deixamos o tempo simplesmente passar, sem sentir, sem aproveitar o melhor de cada momento. Às vezes, até pior. Vamos ficando em lugares, atividades e até com pessoas nas quais não queremos estar, com uma voz interna repetindo e torcendo para o tempo passar logo para aquele momento acabar logo.

Há alguns anos que faço essa reflexão e a cada vez mais percebo uma ampliação da consciência sobre com que realmente vale a pena gastar meu tempo de vida. E aprendi algumas coisas que fizeram grande diferença no meu bem-estar e nível de satisfação.

O primeiro ponto é sobre o autoconhecimento. Em geral, as pessoas concordam que é importante se conhecer, mas curiosamente, muitos poucos poderiam afirmar que se conhecem muito bem. E há aqueles que acreditam que se conhecem, mas responsabiliza os outros pela sua infelicidade. Sem dedicar-se ao autoconhecimento, não há como descobrir o caminho da própria felicidade. O segundo ponto igualmente importante é ter qualidade de presença em cada um dos momentos que escolheu viver. É não se limitar a estar apenas de “corpo presente”, mas sim estar aberto a observar, ouvir e sentir a si e aos que estão a sua volta, identificando e fortalecendo as conexões com o mundo e com o que te faz bem. É encontrar espaços de pertencimento, que todos temos, mas às vezes esquecemos de procurar.

Quando comparo quem eu era há uns 15 anos e hoje, vejo a enorme diferença. Parece muito tempo, mas se passaram num instante! Percebo que tenho me tornado muito mais capaz de alinhar a minha vida com quem sou e o que aprecio. E cada vez mais, essa expressão se torna verdadeira para mim: Faça o que Ama e Ame o que Faz. Sempre que entender ser possível, escolho o que amo fazer com o meu tempo. Mas quando não estou disposta a “pagar o preço”, posso escolher pelo senso de dever ou outras razões e me comprometer com algo que não amo fazer. Nesse caso, o mais sábio para a minha felicidade é identificar algo que me ajude a aprender a amar o que decidi fazer. Sei que essa é uma ideia simples de pensar, mas não tão simples de adotar no dia-a-dia, mas tem me feito muito bem, trazendo leveza e o sentimento de que estou onde deveria estar. E o mais incrível, tem feito muito bem também para as pessoas à minha volta. Parece que acaba proporcionando um ambiente de consciência de que todos temos escolhas e cada um deve assumir as consequências das próprias escolhas. A autorresponsabilização ajuda a trazer um ambiente de menos julgamento e mais apreciação pela vida e pelas qualidades das pessoas, onde é permitido se expressar e também concordar ou discordar. Onde a individualidade convive com a coletividade.

Nos primeiros anos da minha carreira, a minha relação com o tempo era de fazer mais com menos. Como a maioria das pessoas no início de carreira, buscava aprender a fazer mais rapidamente e melhor, para evoluir. E tudo isso foi importante na época para valorizar o tempo. Com a maturidade, vejo que o sucesso, considerando ter talento e ser capaz de fazer muitas coisas, faz mais sentido, se direcionarmos para o que realmente importa para nós. Não se trata de quanto tempo se passou na nossa vida e se vivemos muito ou pouco, mas de como gastamos e apreciamos cada segundo de vida. A felicidade está em saber dar valor ao que temos e saber ver o que existe de bom a nossa volta, não importando quanto tempo ainda temos, até porque não sabemos. Um instante de felicidade, pode parecer uma vida toda. Um instante de crítica também. E pode ter consequências por muito tempo.

O valor do tempo é atribuído por cada um com o modo como olha para o mundo, onde destina sua atenção e como se relaciona. O tempo é seu. Como você gasta é a medida do quanto vale para você!

Se você deseja ter uma vida valiosa, onde cada segundo vale a pena ser vivido, é importante decidir o que vale o seu tempo de vida e o que não vale.

Muitas vezes reclamar é uma medida de insatisfação e todos em algum momento podem fazer isso. Mas reclamar muda alguma realidade? Outros dedicam muito tempo a criticar alguém. Mas será que em vez de criticar seria possível fazer melhor? Quem sabe, ser um exemplo, dentro de suas possibilidades?

Como é a melhor forma de gastar o eu tempo aqui e agora? Pratique essa pergunta e busque suas respostas. Valorize a sua vida e não carregue o que não deseja para si, porque a sua vida se torna o que pratica regularmente.

Qual é o real valor do tempo? Hoje, nesse início de Novo Ano, sinto como um convite a se observar a vida e refletir sobre quem sou, o que faz sentido manter e o que posso deixar ir para uma vida mais leve e significativa.

Sou daquelas pessoas que sempre buscou o autoconhecimento. Sei que não é um lugar que se chega, mas um processo contínuo de reconhecer e ampliar o que te faz bem, aprender a colocar limites, em si e nos outros, quando faz sentido e permitir-se novas fronteiras e realizações.

O período de virada de ano convida a pensar sobre a vida, sobre o que deu certo ou não, e sobre tudo o que ainda queremos realizar. Podemos ser mais felizes, mas precisamos de fazer melhores escolhas.

Então o convido para uma retrospectiva sobre a vida. Onde você tem destinado boa parte do seu tempo? Esse tempo foi bem gasto? Fortaleceu os relacionamentos mais importantes na sua vida? Criou novas conexões, experiências incríveis e aprendizados importantes? Viveu ao máximo os seus momentos? Esteve realmente presente na vida de seus filhos, pais e amigos?

Que vida você conquistou até o momento?

O tempo é limitado e não negocia. Não gera poupança para gastar no futuro. O que podemos é escolher melhor com que gastar o tempo. Se você fosse listar aqueles itens que não te trouxeram nada de bom e eram até dispensáveis nos anos anteriores, o que você poderia não levar para o Novo Ano?

E quais foram as coisas que você não fez porque não teve tempo? Liste tudo, leia e reflita sobre os itens que você gostaria de ter tempo. Tudo é possível, mas aceite que o tempo é limitado e que terá que fazer escolhas do que é mais importante e efetivamente colocar na frente. Disso depende uma vida significativa com maior amplitude para a sua felicidade!

Penso que no final das contas, o sucesso não se trata de quantas coisas acumulamos, mas do quanto vivemos sendo verdadeiro conosco e com as pessoas que amamos.

E sem tempo, não há como construir laços. Mas ter tempo não significa necessariamente que construiremos a felicidade, se não soubermos apreciar o lado bom e ser grato ao que já temos.

Talvez seja o momento de deixar de se conformar com o “ruim conhecido” e se aventurar a buscar o que te faz bem! O desapego faz parte do processo de abrir espaços para o que até agora não cabia. Descarte o que não faz bem e conviva mais com o que faz bem!

Não deixe o tempo simplesmente passar… Viva!

Desejo a você: disposição para conquistar o Ano Novo que deseja, determinação para ampliar o autoconhecimento continuamente e encontrar espaços de felicidade onde estiver!

Feliz Ano Novo!

Você vive apagando incêndios?

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Você vive em correria, sem tempo para nada, apagando um incêndio atrás de outro? Tem se sentido exaurido mas acredita que não tem opção? Então me acompanhe através desse texto e encontrará ideias interessantes que poderá aplicar imediatamente à sua vida, mudando a sua rotina e ampliando a qualidade de vida.

Antes de falar diretamente sobre como fazer isso acontecer, é importante entendermos o momento em que vivemos e como isso está afetando todas as formas de relacionamento. Por isso apresento a seguir um breve contexto.

Há não muito tempo, no que se entende por era industrial, a padronização dos processos deu escala e era o meio de fazer mais com menos. Era também o meio de reduzir erros operacionais e alcançar padrões de qualidade. Para se alcançar maior produtividade, as empresas investiam em automação e em profissionais com conhecimento, experiência anterior e dedicação. E dessa forma, quanto mais se trabalhava, mais se aperfeiçoavam os processos, produtos e serviços. Era um mercado de trabalho onde a carreira tinha maior sequência e era construída acumulando conhecimentos da mesma área e áreas afins. De certa forma eram momentos de grande valorização e ascensão para os “especialistas” e os mais diplomados.

Com o advento da internet e grandes saltos na tecnologia da informação, a relação de como alcançar maior eficiência e produtividade modificou completamente. Vivemos numa era onde a informação é abundante assim como a “desinformação”. Os meios de aprendizagem se multiplicaram e não depende mais da formação tradicional, que não tem conseguido acompanhar a velocidade das novas necessidades do mercado. E observamos a mídia digital “fabricar” especialistas da noite para o dia, até porque se tornou fácil ser visto e produzir conhecimento. E chegamos ao grande desafio de ter informação de valor e altamente segmentada conforme o público. No entanto, o público se tornou muito melhor informado e com necessidades mais distintas.

Saímos da era de padronização para se ter escala, para uma era de diferenciação e criatividade para criação de valor, seja enquanto profissional ou enquanto empresa. Com isso, modifica-se também o conceito de produtividade, tornando “o melhor” mais importante do que “o mais”. 

Continua sendo importante fazer mais com menos, mas isso não basta. A tecnologia elevou a quantidade de informações que são processados, armazenados e disponibilizados. E como consequência, somos demandados a lidar com um volume absurdo, inimaginável há poucos anos. Ao mesmo tempo, aumentou-se a capacidade de controle das organizações e a comparabilidade entre a produtividade de diferentes profissionais.

Igualmente na vida social, podemos constatar uma nova realidade nas relações, onde é opcional a profundidade das relações, mas quase obrigatória conhecer cada vez mais pessoas e ter “prova social” da sua importância e sucesso. As redes sociais se proliferam e as pessoas são tentadas a participar de mais canais do que são capazes de administrar com qualidade. Todos podem ser acessados a qualquer hora e estimulados a responder. E com maior facilidade para se ter contato virtual, ameniza-se e até substitui a necessidade do contato presencial.

Nesse cenário reforça a necessidade de desenvolver a competência de estrategista para ter maior produtividade. Porque se continuarmos tentando fazer de tudo e cada vez mais, o que alcançaremos não será eficiência, mas ansiedade e estresse. A falta de clareza sobre o importante, leva a uma rotina de muito trabalho, muitas urgências, com risco de perda de qualidade e dedicação de tempo significativo para o que pode não ter importância.

Vamos deixar claro: ser ocupado nem sempre é ser produtivo! E o tempo não foi feito para caber tudo o que aparece. Você terá que fazer suas escolhas.

A perda de competitividade nas organizações não está relacionada à falta de volume de trabalho realizado. Está relacionada à falta de visão sobre o que é mais importante para se alcançar o que deseja e a falta de estratégia para canalizar a energia e a maior parte do tempo de seus colaboradores nessa direção. É uma nova era onde talvez o aprendizado mais importante seja que o “menos é mais”. Se você consegue distinguir as poucas tarefas que trarão maior impacto com os resultados organizacionais, você contribuirá mais do que estar trabalhando mais horas do que foi contratado e ainda não conseguir terminar a longa fila de tarefas que o esperam.

O mesmo acontece com a vida pessoal. Muito do que acostumamos a fazer não tem mais importância, mas continuamos fazendo sem parar para questionar qual a importância se não fizesse.  É necessário aprender a lidar com um volume impossível de caber no nosso dia e começarmos a distinguir o que é realmente importante para voltar a ter domínio sobre a própria vida. A produtividade passa a a ser decorrente da melhoria do nosso processo de escolha sobre o que fazer no tempo limitado que todos nós temos.

Hoje a vida é centrada em seletividade e criatividade para produzir melhores resultados.

Como você vive determina os seus resultados na vida!

A essa altura, se você ainda mantém o pensamento de que é refém da situação e que precisa continuar apagando incêndios… Preciso lhe perguntar: você é bombeiro ou gosta de apagar incêndios? Sim, porque se você é bombeiro, tem mais que apagar incêndios mesmo. Mas mesmo pessoas que não são bombeiros podem acabar construindo uma rotina de estresse por gostar da adrenalina que as urgências trazem. Em geral esse mecanismo não é consciente, mas mesmo assim acaba estabelecendo uma forma de trabalho que procrastina o importante até que vire urgente. E nesse bolo de atividades urgentes, até o que não é importante acaba ganhando o nosso reduzido tempo. E quanto mais incêndios apagamos, mais capazes nos sentimos. Mas isso vem com um custo na qualidade de vida e na produtividade.

Se você se encontra nessa situação onde não vê saída e se sente cada vez mais cansado; acredite, é possível mudar. Mas a mudança começa em si. E a primeira pergunta que você deve responder como sim: Quero abrir a mão de dessa adrenalina?

O livro “5 Escolhas – O caminho para uma produtividade extraordinária“, fala sobre o desenvolvimento de 3 capacidades, necessárias e complementares para uma produtividade pessoal extraordinária: 1) Decisões de Alto Valor; 2) Atenção Focada; 3) Alta Energia.

As decisões de Alto Valor são o ponto de partida para a produtividade. No mesmo livro é apresentado o processo pausar, esclarecer e decidir (PED), onde enfatiza a importância em não se limitar ao piloto automático, mas sim a decisões conscientes que agreguem valor à sua vida.

Para lhe ajudar a adotar uma rotina de decisões conscientes, experimente utilizar a seguinte pergunta antes de iniciar o dia: Se eu tiver tempo para concluir somente uma tarefa hoje, qual trará resultados mais importantes?

Para aumentar a eficiência no uso do seu tempo e decidir o que deve continuar na sua “fila”, experimente a seguinte sequência de perguntas que faço para os meus clientes:

  • Tem que ser feito?
  • Tem que ser feito por você?
  • De que maneira deve ser feito? [Pense Simples!]

A Atenção Focada tem por base dois pontos críticos: a qualidade da atenção e a nossa capacidade em concentrar no importante em vez de reagir ao urgente. Algumas pessoas poderão precisar de treinar a qualidade de atenção e talvez as técnicas de Atenção Plena ou Mindfulness sejam muito úteis. Outras pessoas precisam desenvolver a capacidade de resistir à tentação do urgente. Nesse caso, o modelo da Matriz do Tempo do livro acima citado, vai lhe ampliar a consciência sobre o uso do seu tempo. Veja o quadro a seguir e faça uma rápida auto-avaliação sobre o uso efetivo do seu tempo. Distribua nos 4 quadrantes de forma a totalizar 100%. E reflita: Onde você está destinando a maior parte do seu tempo? O que isso diz sobre o seu modo de viver?

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Ao ter uma Atenção Focada no que é mais importante, você desenvolverá o que eu gosto de chamar de “acabativas”. Os resultados na sua vida não vem do quanto você trabalhou, mas do que você finalizou e se tornou útil para alguém. Então abrir muitas frentes e estar sempre ocupado, não garante o reconhecimento. Para que você colha resultados na vida é preciso ter início-meio-fim. É preciso ter mais “acabativas”.

Por mais que as pessoas valorizem quem é esforçado, tenha em mente que o que produz resultado são as entregas. Onde você estiver, a sua capacidade de concluir com a necessária qualidade, determinará resultados para você.

Então quando tiver decidido algo importante a ser feito, faça todo o possível para manter o foco até finalizar. Com o tempo, terá desenvolvido a prática da disciplina em ter “acabativas”.

A terceira capacidade necessária para uma produtividade extraordinária é a Alta Energia. É muito bom trabalhar com pessoas assim, melhor ainda nós somos assim e sentimos constantemente energizados. Mas não é fácil manter a Alta Energia.

Para que se tenha uma alta energia, é preciso compreender que somos um sistema integrado e interdependente, onde reúne o corpo, a mente e as emoções. Para que esse conjunto funcione bem é preciso zelar com ações concretas e periódicas. É preciso ter saúde física e mental. E é preciso que o que você faz tenha sentido.

Se considerarmos a saúde, os médicos lhe dirão que é preciso se alimentar bem, dormir o suficiente e realizar exercícios físicos. E tudo isso é essencial, para que tenhamos o suficiente para ter energia. Mas a motivação é a mola propulsora de Alta Energia. Como ter energia destinando tempo a atividades sem sentido?

Talvez esse seja o maior desafio: escolher fazer o que tem sentido para você ou encontrar sentido no que você faz no seu dia-a-dia.

Tendo saúde e motivação, você alcança a Alta Energia e realizará o extraordinário! Porque nenhuma barreira será grande o suficiente para a sua vontade de realizar!

Agora você deve estar pensando: posso até me organizar, mas logo surge outra coisa urgente. Não sou eu, mas o chefe que me interrompe… As coisas vão aparecendo e bagunçam o que planejei.

Deixa eu esclarecer uma coisa: a fila anda! Isso mesmo. A vida é dinâmica e aparecem coisas mesmo. A capacidade em estabelecer prioridades e manter focado é um processo vivo. A cada possível incêndio, cabe perguntar: o que acontece se eu não resolver isso agora? E conscientemente fazer escolhas considerando o conjunto de atividades e colocando na frente o que você considera mais importante.

Observo nas organizações onde presto serviços, a necessidade crescente de atitude e pessoas que resolvam. Mas observo também alguns dilemas:

  • Autonomia x Controle. Para que os colaboradores se tornem cada vez mais capazes de propor soluções e resolver problemas, é preciso ter maior autonomia. Igualmente para multiplicar resultados, a maior autonomia é crítica. Mas as organizações e especialmente os seus líderes temem que a autonomia não venha com responsabilidade e inteligência. Então buscam formas de controle, o que muitas vezes resulta na limitação da autonomia e consequentemente dos resultados.
  • Processos x Criatividade. Quanto maior a empresa, maior necessidade em organizar e documentar seus processos. E o tempo parece trazer o esquecimento sobre os motivos que originaram determinado processo e quais benefícios se quer assegurar. É quando se torna burocrático demais. Quando tudo tem o jeito certo de fazer, o ambiente se torna hostil para a criatividade, um fator crítico para a inovação e competitividade das empresas. Então se por um lado a criatividade poderá consumir parte da energia em ações sem resultado, por outro lado é fonte de inovações, algumas muito significativas. Como harmonizar e conviver?
  • Produtividade x Qualidade de Vida. Há um mito de que existe uma maneira certa de ter produtividade e que os colaboradores mais produtivos são os que mais priorizam o trabalho e não um balanceamento adequado com qualidade de vida. Então vamos começar dizendo o que sei que todos já sabem: as pessoas não são iguais e portanto serão produtivos em diferentes condições. E se não sentir que tem qualidade de vida, a organização pode até garantir a quantidade de horas de trabalho, mas não será capaz de assegurar a produtividade máxima. Pessoas exauridas se obrigam a trabalhar, mas o resultado não se compara a de pessoas altamente energizadas. Dar sentido ao trabalho a ser realizado é dever de todos os líderes. Mas é igualmente dever de cada, pois não importa o motivo pelo qual destina seu tempo, é o seu próprio tempo de vida! Faça valer a pena! Lembre-se que para alcançar ambas: produtividade e a qualidade de vida, a chave é o uso inteligente do seu tempo.

Nesse último ponto, convido o leitor a ampliar o olhar. A qualidade de vida com certeza não se restringe ao ambiente de trabalho. Teoricamente, todos querem qualidade de vida. Na prática, quantos fazem de tudo para ter qualidade de vida? Existe qualidade de vida se estivermos vivendo um conflito interno? Você já se percebeu dividido entre ficar com a filha que está lhe pedindo maior tempo e ir fazer um trabalho que está com prazo apertado? Cada situação mal resolvida divide a nossa atenção, reduzindo a produtividade. E não temos apenas um papel. Então como definir os mais importantes papéis que queremos ter e organizar a nossa hierarquia nesse momento de vida?

Sem a clareza do que realmente importa para nós em cada esfera de atuação, teremos dificuldade em estabelecer nossas prioridades e agir de forma a ser produtivo. Então observe a imagem abaixo.

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Defina o que é importante para você em cada esfera. Estabeleça  que você não abre a mão. E sempre que se sentir dividido entre duas tarefas importantes. Negocie consigo e com quem é diretamente afetado. Você não precisa fazer tudo ao mesmo tempo. Ao encontrar uma solução para atender às várias tarefas importantes, você evitará viver em conflito interno. O que permitirá a Atenção Focada, que leva a produtividade ampliada.

Finalizo com a seguinte reflexão: Se você fosse mais produtivo, o que de importante muda na sua vida?

Se você encontrar uma resposta que faça sentido para o seu racional e igualmente faça o seu coração bater mais forte, então terá encontrado a mola propulsora para mudanças significativas na sua produtividade.

Recursos não faltam. O ponto de partida será a partir do que realmente importa para si e aceitar que o tempo é limitado e terá que fazer escolhas. Quanto mais praticar, mais suas escolhas serão sábias.

E quem sabe, no lugar de apagar incêndios, poderá ampliar espaço de tempo de qualidade para conviver com pessoas que você ama e aprender coisas novas que farão toda a diferença na sua vida e carreira?

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Por que conflitos são necessários?

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A ideia desse artigo é explorar os mitos em torno de conflitos e trazer novas perspectivas para lidar com o tema, com impactos positivos nos relacionamentos, seja na sua vida pessoal ou profissional. No lugar de basear em pesquisas científicas, gosto de trazer o leitor para exemplos observáveis em sua vida, sem que precise ser certo ou errado. Então fica o convite de buscar observar o que acontece, o que significa para cada um e o que podemos aprender para uma vida melhor.

Volta e meia comento sobre isso, mas quero reafirmar que aprendo muito com as pessoas com quem convivo. E aprendo muito também com meus clientes, que trazem questionamentos e reflexões fantásticos! Em tudo que faço, vem um pouquinho do que aprendi com as muitas pessoas com quem tive a oportunidade de conviver. Por isso, esse artigo é especialmente dedicado a elas!

Começo o tema desse artigo com a seguinte reflexão. Se você for perguntar para dez pessoas sobre se gostam de conflito, provavelmente todos lhe responderiam que não. É até natural que não se goste de conflitos em si, mas sem conflitos, se acumularia muito mais desconfortos, mágoas, sentimento de vítima e raiva, sem chance de solução. Isso faz sentido?

Possivelmente muitos de vocês estarão pensando que o conflito é sempre ruim e seria bom não ter. Então convido-os a acompanhar como vejo isso.

Acredito que somos únicos e portanto diferente de todos os outros no mundo. Algumas pessoas podem ter muitas características em comum conosco, enquanto outros, aparentemente, nada em comum. Se somos diferentes, então pensamos e agimos diferentemente. E por isso mesmo, o que fazemos e falamos pode ser compreendido de forma totalmente diverso da nossa real intenção. A mesma coisa o outro, mesmo com a melhor intenção em nos ajudar, pode se colocar de uma forma que para nós significa pouco caso ou algum outra percepção negativa.

A diferença entre as pessoas exige maior esforço de compreensão e de colaboração. Mas nem sempre estamos atentos ou dispostos a isso. Quanto maior a diferença entre as pessoas, maior a chance de conflitos. Sempre? Não necessariamente. Todas as pessoas tem o seu mecanismo, consciente ou não, de lidar com suas dificuldades. Quando nos encontramos em uma situação que não sabemos lidar, acionamos o nosso mecanismo de proteção. É muito comum a fuga, mas para algumas pessoas o enfrentamento é o padrão. As pessoas que tem por mecanismo a fuga, podem se silenciar, distanciar da conversa ou até do ambiente, desconversar ou mudar a conversa. Enquanto as pessoas cujo mecanismo é de enfrentamento, podem levantar a voz, utilizar-se de palavras ásperas, demonstrar agressividade ou até desqualificar quem está à frente.

A depender do quanto você fica incomodado com alguém, em especial, se acredita que feriu seus valores, a sua reação natural será proporcionalmente intensa ao quanto você se sentiu afetado, seja na fuga ou no enfrentamento. Um padrão é melhor que outro? Depende com quem você está lidando. Algumas pessoas preferem discutir do que ser ignoradas. Outras podem preferir “o que os olhos não vêem (e ouvidos não escutam), o coração não sente“.

Mas é interessante observar as consequências comuns de cada padrão. Quando não se conversa sobre o desconforto, nem sempre o outro sabe que lhe causa desconforto ou que tem diferenças a lidar. Quando se enfrenta sem preparo, pode agravar as emoções negativas do outro e acrescentar outros elementos de mágoa.

O conflito tem uma função preciosa de sinalizar que tem algo importante para você, que está mal resolvido. Faço uma comparação. Quando o seu corpo não está bem, a dor e a febre são sinais frequentes. Quando algo não vai bem entre várias pessoas, o conflito é um importante sinalizador da relevância e tamanho do desconforto. Em qualquer interação com pessoas ou expectativa de relacionamento (de qualquer tipo), o conflito é um ótimo sinalizador de que as pessoas se importam mas estão com dificuldades em “digerir” algo. E nesse ponto, vale a sabedoria da época das avós: é conversando que se entende. Mas conversar sem levantar a defensividade das pessoas é uma arte. Todos nós conhecemos algumas pessoas com especial talento a falar sobre qualquer assunto sem que os outros se sintam agredidos. Também conhecemos pessoas que seja qual for o assunto, parece que tem um jeito especial de provocar reações negativas nas pessoas. Vale a reflexão de que tipo de pessoa queremos ser. Pergunto: o que muda na sua vida se puder falar sobre tudo com as pessoas à sua volta sem agravar conflitos? E o que muda na sua vida se no lugar de sofrer, ressignificasse o conflito como estímulo para melhorar o relacionamento?

Há uma grande oportunidade de aprendizado com os conflitos e nos tornam mais conscientes de que somos humanos e nos desentendemos. O ponto chave não está em ter ou não ter conflito, mas como você deseja lidar quando está envolvido em algum conflito. O como você lida pode determinar os seus resultados naquele relacionamento e pode explicar muito dos resultados que você conseguiu ou não na sua vida. Lembre-se que o pior estágio de um relacionamento não é um conflito, mas a total indiferença. Quando nada mais importa, também não há porta de passagem para alcançar o coração do outro.

Para quem ainda tem alguma dúvida, sugiro que imagine como seria a sua vida se soubesse lidar bem com os conflitos? Na sua percepção, diminui ou aumenta a quantidade de conflitos? As pessoas à sua volta se sentiram afetados de que forma? E o mais importante, como afeta você e seu bem estar?

Agora se você prefere evitar conflitos e escolhe o padrão de fuga, só posso ficar na torcida por você de que a outra pessoa envolvida seja mais sábia e lhe ajude a lidar com o que você tem dificuldade de enfrentar. Porque quanto mais importante for aquele relacionamento, maior fica o problema não resolvido! E com o tempo é tanta história e mágoa acumulada que não será capaz de olhar o relacionamento sem a “lente” do que acumulou. Quanto isso lhe custará? Pense nisso!

Que você possa encontrar a sua forma de enxergar uma perspectiva positiva dos conflitos e com isso tornar o difícil, mais fácil. E nessa jornada, ficará cada vez mais forte e capaz de construir excelentes relacionamentos com conflitos de menor intensidade e frequência.

O meu desejo para você e para o mundo é que todos nós possamos ser capazes de tomar a iniciativa para construir a vida de qualidade que queremos! Que você possa ter uma vida próspera e de evolução contínua!

Espero que esse artigo tenha contribuído com você! Dúvidas e comentários são muito bem vindos! E se você gostou do artigo, acompanhe o blog e se faça presente!

Wang Ching

 

Reflexões sobre o Coaching, uma profissão ainda não regulamentada

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Banco de Imagens por assinatura: Shutterstock

Esse texto é dedicado a pessoas que buscam formar suas próprias convicções sobre o tema coaching e procuram informações consistentes para sua análise. A minha pretensão não é estar certa ou errada, mas contribuir com a reflexão de um assunto que tem tido crescente interesse da mídia e da população como um todo, no entanto, ainda reside tanta polêmica.

É importante deixar claro, que todas as minhas colocações aqui, não representam a voz de nenhuma instituição, citada ou não, mas de uma coach dedicada a buscar continuamente a excelência no que faz.

Começo então com a pergunta: a profissão de coaching é ilegal? Não. A base legal da ilegalidade é: “Exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce, sem preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício.” Pergunto: como pode ser ilegal se ainda não há lei que subordine o seu exercício?

É necessário a regulamentação da atividade de coaching para que seja exercida? Também não. Muitas atividades praticadas, tem reconhecimento da existência em algumas legislações e enquanto atividade econômica, recolhem impostos, mesmo as não regulamentadas enquanto profissão. Observando a história, a atividade começa primeiro por alguma necessidade no mundo. E à medida que se crescem seus impactos, podem vir a ser regulamentadas ou não. No Brasil, o percentual de profissões não regulamentadas segundo algumas pesquisas, ultrapassa a 95%.

A profissão coach atua em funções privativas ao psicólogo? Não deveria. O fato de necessitar de conhecimentos comuns não o qualifica como mesma forma de atuação. Se o psicólogo tiver matérias de sociologia, o torna sociólogo ou alguém que pratica a profissão de sociologia? Se na formação de marketing ou licenciatura tiver matérias de psicologia, significa que haverá exercício ilegal da psicologia? Penso que se existe na grade curricular determinada matéria é porque o conhecimento é importante para o futuro profissional, mas o que distingue é como utilizará o conhecimento na prática profissional. O uso de conhecimentos diversos para melhor apoiar a prática da sua própria atividade profissional, com fronteiras específicas, sem assumir funções privativas de outras profissões, é legítimo.

Essa reflexão me levou a pensar se a origem de muitos entendimentos precipitados e equivocados não seria na falta de conhecimento do que é Coaching e o que não é Coaching.

Adicionalmente, talvez não esteja claro que maus profissionais existem em qualquer atividade, seja regulamentada ou não. Isso não deveria desqualificar a atividade, mas àqueles que não adotam as boas práticas ou desrespeitam a Lei.

Então vamos entender um pouco melhor o que é coaching. Na ausência de regulamentação no país, eu me baseio em padrões e instituições de credibilidade internacional. Segundo ICF – International Coach Federation, uma instituição sem fins lucrativos e fundada em 1995, considerado um recurso mundial de informações e pesquisas sobre o coaching: “Parceria com o coachee através de um processo provocativo e criativo que inspire a maximizar o potencial pessoal e profissional”. Denomina-se coachee a pessoa que está sendo atendida pelo profissional coach.

Também conforme a ICF, o que não é coaching: a) Consultoria; b) Terapia; c) Aconselhamento. O Código de Ética da ICF e o documento intitulado 11 Competências Fundamentais de Coaching (Core Competences), são bases de excelência para a atividade e define o conceito e fronteiras. E um documento base intitulado 10 Indicadores (Top Ten Indicators to Refer a Client to a Mental Health Professional) orienta seus associados coaches a convidar o seu cliente a procurar ajuda de profissionais de outras especialidades, quando alguns indícios são observados, levando a refletir se o que ele precisa pode não ser coaching.

Vamos deixar claro. O coach não diagnostica, não aconselha, não dá orientações e nem dá soluções. O coach proporciona condições para que o cliente identifique e utilize melhor recursos internos que já têm e por qualquer motivo, não têm utilizado para alcançar seus objetivos. Como exemplo, vou citar hábitos, que todos temos. Os hábitos são desenvolvidos em algum momento para “facilitar” a nossa vida. Fica mais fácil e automático fazer algo que queremos ou precisamos de fazer. Mas a vida segue e mudanças acontecem, tanto no cenário à nossa volta, quanto internamente passamos a querer mais e até novas coisas. Alguns hábitos ajudam a nova realidade, outros poderão ser entraves. O que o coach faz? Pergunta de que forma o cliente percebe que o hábito influencia nos objetivos futuros.

Agora convido-os a ampliar o olhar para entender porque o coaching funciona. O Coaching trabalha com o cliente 3 elementos essenciais: confiança, consciência e escolha. Vamos clarificar. Sem confiar em si o cliente não buscará soluções diferentes e limitará ações, o que limita resultados diferentes na sua vida. Mas confiança sem consciência de si e fatos que afetam a sua vida, limitará a qualidade de suas ações. A consciência é primordial para que o cliente aprenda com a própria experiência e melhore as futuras escolhas para si. Por isso muitas técnicas e ferramentas trabalham para ampliar a consciência como base fundamental para encontrar as opções e fazer escolhas. Mas de quem são as escolhas? No coaching, as escolhas são sempre do cliente. Uma função essencial do coach é de apoiar a desenvolver novas e mais eficazes formas de aprender e realizar para si.

Agora eu pergunto a você, leitor: se você tiver um espaço onde se sinta confiante a buscar alternativas, que o auxilie a examinar e explorar momentos de vida sem julgamento e ainda preserva o seu direito de escolha; você estaria mais comprometido com sua vida e encorajado a correr atrás de seus objetivos?

Pois isso é coaching. E é um mercado crescente porque existe a necessidade e tem apresentado resultados. E se considerarmos o cenário de crise, se torna altamente atrativo para quem busca oportunidade de atividade profissional, estando ou não preparado.

Então fica a todos nós o desafio da qualidade e responsabilidade nessa atividade, que como todas as atividades existentes, regulamentadas ou não, também tem impacto na vida das pessoas.

Se você é coach, eu o convido a buscar padrões mais elevados continuamente, reunindo melhor formação com a prática responsável e continuada. Fica a reflexão: que coach você deseja ser?

Se você é um potencial cliente, eu o convido a entender melhor o que é coaching. E quando for o momento de contratar um coach, busque evidências da qualidade e responsabilidade que você deseja nesse profissional, para fazer valer a pena o investimento, seja para si ou para a organização que você representa. Acredito que há grande diferença entre os muitos que se intitulam coaches. Existem os com e sem formação de coaching. Existem os com formação em escolas de longa tradição ou em escolas recém-criadas. Existem os que têm várias formações e os que pararam no tempo. Existem os com experiência prática recente e outros com larga experiência e recomendação de clientes. Então fica a reflexão: que coach você deseja contratar?

O mundo tem acesso a melhores técnicas de coaching e entidades de referência. Mas é necessário que elas sejam apropriadas pelas pessoas, seja quem pode exigir ou quem vai oferecer.

E independentemente da polêmica, o coaching veio para ficar simplesmente porque atende a determinadas necessidades humanas de desenvolvimento. No dia que perder o sentido, deixará de ser procurado.

Só posso dizer que amo o tema e me dedico a estudar continuamente, porque me abre um mundo de possibilidades para despertar e utilizar o meu potencial e dos muitos com quem me encontro na vida!

Eu acredito no coaching! E você?

Se você gostou do texto, compartilhe! Vamos construir um mundo melhor a partir de melhores informações e de ter um olhar para o construtivo. E isso não acontece isoladamente, mas com a soma de pessoas que acreditam!

Comprometendo-se de coração com a sua vida!

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Quantas vezes você torna o outro mais prioridade do que a você mesmo?

Ao longo da vida, o conjunto de nossas ações escreve mais do que a nossa história, mas quem nos somos, o que valorizamos e que futuro estamos esculpindo.

Tem um motivo de ser quando você não encontra forças para realizar o que deveria fazer e se apega ao que gostaria de fazer. E tudo começa, quando deixamos de lutar pelos nossos valores.

Em algum momento, para que sua vida faça sentido, terá que poder ser íntegro com seus valores, refletida em seus relacionamentos e escolhas. Esquecer-se de quem é para atender ao outro pode lhe trazer o reconhecimento e satisfação naquele momento. Mas de forma repetitiva, vai criar em você um hábito de difícil mudança, até porque às vezes não se tem consciência que tem. E assim, vamos nos esquecendo do que é importante para nós, vivendo cada vez mais a vida do outro, até que não nos encontramos mais.

Ao longo da minha carreira apoiei várias pessoas a “reencontrar” o melhor de si, acreditar nas suas qualidades, redirecionar seus esforços e encontrar o papel que deseja ter na vida. E o ganho é imensurável em autoconfiança, bem-estar, significado e realizações. Reduz significativamente o esforço de “segurar” a essência (e isso custa caro), para simplesmente SER. Retira-se barreiras para realizações que fazem sentido para você. E mais seguros de quem você é, reconhecerá e valorizará melhor suas próprias qualidades, utilizando naturalmente para ampliar chances de sucesso.

Seja na vida pessoal ou profissional, há sempre espaço para que seja você possa colocar em ação o que você valoriza. Quanto mais forte forem suas convicções, mais força você terá para influenciar os outros e enfrentar barreiras para realizar o que desejar.

Mas se já estivermos nos sentindo perdidas?

O ponto de partida é comprometer-se de coração com a sua vida. É entender que o outro tem outras prioridades e não é você. É saber que merece mais, mas terá demonstrar que merece com ações concretas. Além disso, o segredo da vida que deseja, está dentro de si, mesmo que bem no fundo e difícil de achar, ainda assim, existe.

Então faça para si a seguinte pergunta: Estou disposto a demonstrar o meu comprometimento com meus valores todos os dias da minha vida?

Você encontrará dificuldades, mas vivenciará a cada dia novas oportunidades de viver seus valores se estiver efetivamente comprometido. Mas se tiver dúvidas, os obstáculos ganharam dimensões cada vez maiores em sua mente e em suas emoções, até parecer impossíveis de superar.

Mas como vou saber que estou vivendo meus valores?

Você já foi ajudar alguém mas não parava de pensar em algo que deveria ter feito? Já chegou numa festa que era muito importante para um amigo e se perguntou o que estava fazendo lá assim que chegou? Já deixou para última hora e dia seguinte estava se sentindo um lixo porque não conseguiu cumprir no prazo algo prometido? Já se distraiu em redes sociais enquanto alguma voz lhe dizia que não estava estudando o que se propôs e não iria passar na prova?

Todos sabem quando o que fazem não está alinhado com seus valores, mesmo quando não tem clareza de quais são. Tempo demais vivendo a inconsistência entre valores e o que você faz, resulta em vazios, frustrações, sentimento de fracasso e até medo de não encontrar mais o que faz sentido. Mas por quê as pessoas caem nessa armadilha? Porque tem necessidade de afeto, aceitação e reconhecimento. Então a curto prazo a recompensa parece mais garantida quando fazemos o que o outro deseja. Fazemos o que a mãe, a esposa, o amigo, o chefe e tantos outros desejam, reforçando os laços de afeto, aceitação e recebendo reconhecimento. Nada errado em desejar tudo isso. Mas por que não alcançar tudo isso sendo quem você é? Até porque a longo prazo, nada garante que fazer o que os outros desejam fará você mais querido, aceito e reconhecido. As pessoas se acostumam e o que você faz “vira” obrigação. E adicionalmente, é certo que terá que abrir a mão de si, se fizer tempo demais o que o outros desejam.

Então como evitar essa armadilha?

  1. Identifique os seus valores mais fortes. Em geral são poucos itens que não abrimos a mão de jeito nenhum. Os valores mais fortes dão sentido para você vivê-los no seu dia-a-dia. Um ótimo termômetro é a sua emoção. Observe quando de repente se irrita desproporcionamente ao fato. Muito provavelmente um valor importante foi agredido. Pergunte-se o que realmente o irritou? Assim como quando você se engaja em algum projeto e nem vê a hora passar. Algo nesse projeto nutre valores importantes para você. O que tem a ver esse projeto com seus valores?
  2. Coloque-se em estado de consciência. Ao observar melhor a si, começará a momentos em que o que faz não está alinhado ao que faz sentido para você. Pergunte-se o que é preciso para fazer sentido. O que está de errado com esse momento? Pode ser que precise ajustar a ação ou mudar para outra ação. Tente preencher as lacunas: Em vez (disso), faria mais sentido eu fazer (aquilo).
  3. Identifique seus padrões. O ser humano aprende e passa a repetir o que acredita que deu certo. E com isso constrói padrões e forma hábitos. A vantagem é que reduz o tempo para entrarmos em ação. A desvantagem é que o seu momento de vida pode ter mudado e aquele hábito estar sendo prejudicial. E por ser hábito, pode nem notar que faz automaticamente. Nesse ponto, lembre-se que o menos costuma ser mais. Identifique aqueles hábitos que mais trabalham contra seus desejos futuros. E identifique qual foi a necessidade que permitiu construir esse hábito. E busque novas formas de entrar em ação, que atenda essa necessidade (se ainda é uma necessidade).
  4. Identifique oportunidades para viver seus valores. Seja em seus relacionamentos ou outros espaços de convivência, as pessoas esperam o melhor de você. E você não conseguirá dar o melhor se sentir que seus valores são agredidos diariamente. Muitas vezes os desentendimentos começam não pelo que foi feito, mas porque não foi compreendido o porquê. Há um espaço enorme de conversa quando se dialoga com o coração e mostra o desejo de ser genuíno e oferecer o que tem de melhor. Igualmente de expressar nossas limitações e o porquê temos dificuldade em fazer do jeito do outro.
  5. Realinhe suas ações com seus valores. Com clareza de seus valores e tendo identificado tanto os pontos de desalinhamento quanto oportunidades ainda não praticadas, é hora de fazer escolhas para ampliar seu espaço de colocar seus valores em ação. Ser verdadeiramente comprometido de coração consigo. E tenha certeza que esse é o caminho para que seja mais e melhor também com todos à sua volta. Você proporcionará segurança às pessoas de saberem com quem contam.

A essa altura, alguns devem estar pensando no seguinte: isso não funciona. Na minha empresa não posso ser assim. Não posso abrir o jogo com a minha esposa. Imagina o que vai acontecer se eu quiser ser eu com meus subordinados.

Aí vão algumas reflexões:

  • Que problemas você tem evitado deixando de ser você?
  • E que problemas você tem ganhado deixando de ser você?
  • O que pesa mais?
  • Até quando?

Toda escolha implica em renúncia também. A reflexão desse texto é para pessoas que sentem que o preço está alto e que não dá mais para abrir a mão de si. E que é possível viver pelos seus valores sem agredir os outros. Muito pelo contrário, observe como as pessoas admiram e se inspiram em quem tem segurança no que acredita e realiza.

Se você é dessas pessoas e quer aprofundar no tema de valores, recomendo um livro que terminei a leitura recentemente e por isso inspirou o tema desse artigo: “Comprometa-se de Coração”, de Stan Slap. Nesse volume você também encontra nas páginas 67 a 72 um exercício que ajudará a identificar seus valores.

Outro livro que vale a pena é “O que mais importa – o Poder de Viver seus Valores”, de Hyrum W. Smith. Entre vários conteúdos, uma importante contribuição é a tripla equação do que mais importa: missão, valores e papéis.

A vida pode ser muito mais! Não saberemos o tempo total que temos, mas podemos sempre escolher o que fazer com o tempo que temos. Saber seus valores, permitirá colocar o que é mais importante primeiro e não esperar para ser você num futuro que pode não chegar.

Seja na vida pessoal ou profissional, o mais importante deve vir primeiro.

Acredito que há um espaço enorme para se viver seus valores no ambiente de trabalho e isso contribuirá também para uma carreira de sucesso.

Nas empresas é exigido comprometimento. Não existe comprometimento com meros números, mas com o que elas significam se você alcançar. Ou seja, as pessoas se comprometem com algo que faça sentido. Encontre uma causa e conseguirá encontrar como engajar as pessoas em torno do que propõe.

E vale uma reflexão para os líderes: como liderar sem direção? É como dizer: não me siga pois estou perdido!

Seja líder da sua própria vida! Saiba quem é e para onde deseja ir!

E lute pela vida que faça sentido! Num instante, a vida passa! E não poderá reescrever o que já passou!

Verdades sobre o Sucesso na Carreira

 

02E65972_peq.jpgDe onde vem a ideia de que sucesso traz a felicidade? E dinheiro então…

Você pode precisar de algum dinheiro para realizar o que deseja, mas de quanto dinheiro estamos falando? Até onde você iria para alcançar o dinheiro que deseja? Quais sacrifícios estaria disposto a fazer?

E quando pensamos nas pessoas de sucesso, é comum ouvirmos pessoas dizendo que gostariam de ser assim. Eu sempre penso comigo: será que gostariam se soubessem de toda a história? Porque sempre há mais do que conseguimos ver na história dos outros. E em todas as escolhas, também temos renúncias. Simplesmente a grama do vizinho pode parecer mais verde, mas se de fato for, quanto tempo e esforço foi destinado para que se mantivesse verde?

Ao longo da vida, colecionamos o nosso conceito de sucesso na carreira, que é muito influenciado pelo mundo que observamos à nossa volta. A geração dos meus pais acreditavam em dedicação e fidelidade. Entravam numa empresa pensando em fazer carreira. A minha geração acreditava em títulos. Se estudasse nas melhores escolas com muitos diplomas de pós-graduação, mestrado e doutorado, e quem sabe outros cursos, tinha mais chance de sucesso… A nova geração dá sinais de que não deseja sucesso… pelo menos financeiro… a qualquer custo. O sucesso parece estar na possibilidade de manter múltiplas atividades que incluem fazer o que gostam e ter muita interação seja virtual ou presencial (em geral ambos).

Mas será que o mundo mudou? Ou será que nós mudamos e o mundo é o resultado de nossas mudanças? Observe como aprendemos com as histórias à nossa volta e formamos o conceito do que queremos ou não queremos para nossa vida. E uma vez supridas algumas necessidades, passamos a ter outras.

Será que existe algum modelo de sucesso que nos sirva? Você conhece pessoas que parecem ter de tudo, mas a pessoa não se sente como exemplo de sucesso? Isso acontece mais frequentemente do que tomamos consciência. Por exemplo, você já viu pessoas com um dom e a pessoa acha que não é nada demais?

Para cada indivíduo, o sucesso é único. Temos o nosso conceito de sucesso mesmo que não saibamos conscientemente. E para identificar é necessário partir de quem nós somos e quem desejamos nos tornar.

Esqueça os outros. Comece a buscar a sua resposta. O que você precisa para sentir que é um sucesso? 

Por maiores que sejam os resultados na carreira, se você não estiver feliz, o preço pode ser caro demais. E quem disse que não pode ter sucesso fazendo o que gosta?

Faça um exercício de possibilidades. Olhe a sua volta, observe as pessoas com carreiras de sucesso. Quantas parecem convencidas do que fazem? E se observá-los, será que você não se convence de que há muitas maneiras de alcançar o sucesso na carreira? Encontre a sua e comece a viver que deseja!

Você pode pensar que não é fácil. E não é mesmo. Passamos a vida olhando para fora e não para dentro de nós. Passamos a vida acreditando que se fizermos muita coisa, passaremos a ter muita coisa, que nos levará a ser quem queremos ser.

Na semana passada, participando de uma nova formação em coaching, com Eliana Dutra e Melina Kunifas, dessa vez com acreditação ACTP pela ICF (International Coach Federation), ouvi o resumo do que acredito sobre esse tema.

E se o melhor caminho fosse começar com o ser? Ao ter clareza do ser, o próximo passo é ter somente o que faz parte da vida que deseja. E finalmente, fazer o que faz sentido.

SER -> TER -> FAZER

A clareza de quem queremos ser, provoca mudanças em como percebemos o mundo e nos relacionamos com tudo à nossa volta. Tudo se modifica, no pensar, sentir e agir. Você pode ser quem você deseja. Não espere para ser. Seja agora! Quer ser admirado pela inteligência? Como são as pessoas inteligentes? Quer ser bem relacionado? Como é ser bem relacionado? Quer ser uma boa pessoa? Como uma boa pessoa vê o mundo? No seu conceito, é claro!

Alcançar o sucesso na sua carreira e na vida está bem mais perto que imagina! Não espere para o amanhã, nunca se sabe se chegará.

Seja a sua melhor versão. Aprenda a apreciar e usar o seu acervo pessoal de talentos, habilidades, crenças e valores. Entenda os seus conceitos e escolha fazer o que tem sentido para você!

E SUCESSOS!

 

 

Você faz a gestão da sua carreira?

Businesspeople Having Meeting In Modern Open Plan Office

Na minha experiência profissional, de quem passou anos dando treinamentos e trabalhando com o coaching, aprendi bastante sobre pessoas e carreiras. E quero compartilhar o que fazer e o que não fazer, se o seu desejo for de crescer na carreira.

Mas antes, quero lhe dizer que mais do que aprender com as pessoas com quem trabalhei (e aprendi muito), aprendi igualmente com a minha vida pessoal. Eu mesma me incluo na lista daquelas pessoas focadas no trabalho que passava facilmente 14 horas num dia sem parar. Chegava a bater o ponto de saída, para não gerar mais banco de horas, e permanecer na empresa trabalhando.

E num certo dia, percebo que o meu esforço era cada vez maior para manter o meu grau de exigência, em todas as frentes, e eu estava perto do meu limite. E o meu acordar foi num processo de avaliação, quando apesar de bem avaliada, definiram que o aumento iria para outra pessoa. Na hora não entendi porque fiquei tão chateada, afinal de contas, o financeiro nunca havia sido o ponto mais importante para mim. Amava trabalhos desafiadores e conviver com pessoas de diferentes conhecimentos e experiências em todo o país. E isso eu tinha.

Precisei de ouvir nos corredores a conversa de como foi decidido o aumento para eu compreender o que estava me incomodando. O trecho foi mais ou menos assim: “não temos orçamento suficiente para todos. Além disso, ela não precisa de dinheiro, ela gosta mesmo é de trabalhar, o outro não vai ficar bem se não ganhar aumento “. Pouco a pouco, fui compreendendo que estava chateada pelo que isso significava: que o critério de escolha não era resultante do valor que eu produzia para a organização, como eu acreditava que deveria ser. E não importa qual o motivo, tinham que escolher e não fui eu a escolhida.

Naquele momento tomei a decisão de que precisava de assumir a gestão da minha carreira, para que fosse na direção que eu queria, combinando aprendizagem, desafios e resultados, todos relevantes para mim. E deixei de esperar que o reconhecimento fosse resultado exclusivo de um bom trabalho.

Se a sua carreira não está como deseja, é muito provável que você se concentra mais na ação que no planejamento. Você destina quase todo o tempo trabalhando e não tem tempo para fazer a gestão da sua carreira?

Pense na gestão da sua carreira como um instrumento poderoso para alcançar o que se deseja na sua vida profissional. Inclui a consciência, o planejamento e ação. A seguir apresento algumas perguntas para sua reflexão. O conjunto faz parte de um processo de gestão de carreira.

VISÃO DE FUTURO – O que você deseja para a sua carreira em 5, 10, 15 anos? E onde estará no final de sua carreira?

MOMENTO DE VIDA E CARREIRA – O que você mais valoriza na sua vida? O que você mais valoriza em empresas onde trabalhar? O que está faltando para ser realizado? Por qual mudança significativa você gostaria de começar?

O SEU CAMINHO PARA O DESENVOLVIMENTO – Por que ainda não chegou lá? O que tem impedido ou impede que alcance o que deseja? De quantas maneiras eu posso avançar para a minha visão de futuro? Que escolhas faço pela minha carreira? O que quero fazer quando sinto que não avancei? O que quero fazer para manter a consciência do processo de evolução?

Como utilizar o conjunto acima? Comece refletindo para responder. Estará criando a consciência. Definir o como fazer é parte do planejamento. E finalmente, entre em ação e aprenda com o processo. Isso é gestão de carreira. Revisite suas anotações de tempos em tempos para entender o que não está funcionando e para valorizar o que funciona. Algumas pessoas preferirão fazer sozinhos, outras, podem gostar de trocar ideias com amigos ou pessoas mais experientes. Alguns vão preferir ter o apoio profissional de um coach.

Lembre-se que você pode trabalhar muito e bem, mas nem sempre as pessoas sabem disso. Quando estamos concentrados demais no fazer, perdemos a capacidade de atenção ao que acontece à nossa volta, perdendo muitas vezes oportunidades, que podem não voltar… E a maioria das decisões na empresa, por exemplo de definir um gestor para um importante projeto, são tomadas muito rapidamente. E se você não é lembrado, não pode ser escolhido.

Então veja algumas dicas para abrir espaços nas empresas, se tornar necessário e ter crescimento na carreira:

  • Participe de grupos de trabalho e comitês multidisciplinares. É uma boa opção para que pessoas de várias áreas ou até de várias empresas tenham oportunidade de conhecer a sua capacidade.
  • Em momentos coletivos, não entre “mudo e saia calado”. Participe, contribua e apoie. Dê oportunidade para que pessoas lhe conheçam um pouco mais.
  • Destine tempo a ouvir sem pré-conceitos. Além de aprender temas variados, você aprenderá sobre pessoas. E as pessoas se sentirão respeitados e até valorizados por você.
  • Peça conselho aos mais experientes e em cargos superiores. Além da aprendizagem, eles saberão quem é você.
  • Preza por um bom relacionamento. Ninguém é de menos. Todos na empresa tem um papel. Para você ser valorizado, ajuda muito a percepção geral sobre você. E as organizações cada vez mais apreciam pessoas com bons comportamentos.
  • Adquira novos conhecimentos. Não se limite ao que já faz, por melhor que seja. Pois isso o limita a ser sempre referência naquele tema. Quanto maior for a sua versatilidade em trabalhar bem em vários ramos do conhecimento, maiores possibilidades de ascensão e reconhecimento. Além disso, você já conviveu com uma pessoa que sempre fala do mesmo assunto? Como é conviver diariamente?
  • Mostre que tem ambições. Saiba que quando é claro que você espera algo a mais, as pessoas tendem a corresponder às suas expectativas, lembrando de você quando surgem oportunidades que é a “sua cara”.

Antes de finalizar esse texto, tenha em mente: “FAÇA O QUE AMA, ou AME O QUE FAZ”. Você terá maiores chances de se destacar se viver esse conceito, pois por melhor que seja, se o trabalho é um sacrifício, não tem dicas que tornem possível e sustentável uma carreira feliz.

Escolha viver a vida que deseja. A escolha é sempre sua, assim como as consequências!

Faça todo o possível para ter a carreira que deseja e acredite: no mínimo estará avançando na direção desejada!

 

Você não vê a hora da sua carreira “decolar”?

No primeiro texto, dediquei a explicar um pouco sobre o coaching e para quem se aplica. Mas não se compreende o coaching na teoria. Então vou contar uma história real sobre desenvolvimento de carreira com o coaching.

Como coach, tenho apoiado o desenvolvimento de carreira em diferentes momentos e necessidades. E à primeira vista, parece contraditório que nem sempre os melhores profissionais, ou mesmo os mais dedicados, são os mais valorizados.

Já encontrei excelentes profissionais, que estão insatisfeitos com a carreira e às vezes com a empresa, porque não têm recebido o reconhecimento que desejam. É o caso de um dos processos do meu primeiro ano como coach que me traz saudosas lembranças. Vou chamar o cliente de Matheus, para preservar a sua privacidade. Mas você possivelmente encontrará semelhança em pessoas a sua volta.

Como o processo de coaching funciona?

Na nossa primeira conversa, o que o cliente-coachee me relatou foi que sabe da própria capacidade, mas por alguma razão, outros menos capazes são promovidos, como aconteceu em recente processo de avaliação e aumento salarial. A ideia inicial era se preparar para mudança de emprego, uma vez que não acreditava mais que a empresa saberia valorizar pessoas com a sua competência.

O ponto de partida era definir o foco do trabalho. A partir do que o cliente trouxe, perguntei se preferia trabalhar a mudança de emprego ou o reconhecimento profissional. O que de fato desejava alcançar? E após alguma reflexão, ficou estabelecido o foco de reconhecimento profissional, seja na mesma empresa ou em outra.

O próximo passo foi estabelecer o conceito pessoal de reconhecimento, assim como indicadores e metas. Após pedir para falar um pouco mais sobre o que é reconhecimento, perguntei: como você vai saber que alcançou o reconhecimento desejado? Nesse momento Matheus iniciou o exercício de possibilidades, que resultou nos seguintes itens, que ele se propôs a alcançar: ser indicado para liderar um projeto importante, ser consultado pela gerência nos processos de planejamento estratégico e ter ascensão profissional no horizonte de 1 ano (onde for).

Com clareza do que se almeja, é importante convidar o cliente a explorar o momento atual com o olhar curioso e sem pré-conceitos. É colocar-se como um observador diferente. E buscar os elementos importantes relacionados a seus objetivos.

Um momento relevante foi quando se refletiu sobre as evidências de que não era valorizado e em que contexto acontecia. Os relatos trouxeram importantes elementos e uma percepção ampliada. O processo de coaching, que é a parceria entre o coach e cliente-coachee, revelou já na segunda sessão, que não havia evidências de que as pessoas tinham consciência sobre a capacidade do Matheus. Isto porque, por questões de valores pessoais, o cliente fazia todo o possível para não falar ou mostrar sobre o que sabia. Acreditava que um bom trabalho fala por si. Só que as pessoas estavam sempre envolvidas no volume de trabalho e não havia espaços para troca de experiências e êxitos. Mas havia apoio ou intervenção superior quando o trabalho não saía.

Uma pergunta essencial foi: o que é necessário para que as pessoas o valorizem?

Nesse momento o meu cliente me disse, após um silêncio: eles não sabem que eu sei.

Então eu perguntei: como vão saber que você sabe? E ele revelou que não gosta de se colocar nas reuniões, pois as pessoas não gostam de opiniões diferentes. Acredita que sempre resulta em conflito.

Perguntei: Isso é uma crença ou um fato?

Quando trabalhamos para identificar os elementos associados, ele pôde identificar pessoas de seu conhecimento que conseguiam expressar opiniões até contrárias da maioria e não resultava em conflitos. Mais que isso, eram valorizadas na sua opinião. Esse foi o ponto de virada para construir a permissão interior de contribuir com o que ele tinha de melhor, sem temer por conflito; algo que agredia seus valores.

Aproveitamos esse precioso momento para refletir: o que essas pessoas fazem de diferente para ter esse resultado?

Como desdobramento, é chegado o momento de refletir e identificar de quantas maneiras o cliente pode alcançar o que deseja e qual a sua maneira escolhida.

Ao longo do processo, que teve ao todo doze sessões, ele foi descobrindo novas formas de mostrar o que sabia, tanto quanto ficava feliz em identificar novas formas de resolver problemas e construir soluções.

Como ganhos do processo, a curto prazo ele já estava sendo consultado pelo próprio gestor, não somente em planejamento estratégico, mas em vários temas e iniciativas novas e prioritárias para a área. Em poucos meses, assumiu liderança de um projeto que desejava como desafio e alcançou também a promoção financeira desejada.

O que ele concluiu foi que tudo acontece por algum motivo, mas nem sempre enxergamos com clareza. Ainda mais quando estamos envolvidos emocionalmente. E uma ajuda profissional de um bom coach pode lhe ajudar a melhor avaliar momentos, trazer perspectivas claras e possibilidades ainda não trilhadas. E o melhor: com o uso do próprio potencial em ação.

Isso é empoderamento! Isso é um processo de desenvolvimento pessoal e profissional sustentável, onde as pessoas se apropriam de quem são e como utilizar melhor suas capacidades. E de forma contínua, ampliam o autoconhecimento e trabalham para alcançar suas metas!

Como você deve ter observado, o instrumento principal de trabalho do coach são as perguntas, tendo como premissa a confiança, a confidencialidade e a verdade, para melhores resultados a favor de seu cliente! Muitas vezes, tudo o que precisamos é um ambiente seguro para descobrirmos alternativas para o que queremos.

Se você, assim como o Matheus, também tem a carreira como algo muito importante na sua vida e que ocupa um tempo significativo, faça valer a pena! Extraia o máximo de aprendizado e satisfação. Não se conforme em apenas passar o dia.

Você se identificou com essa situação? Quer saber mais sobre o coaching? Busque um profissional de coaching responsável e troque ideias. Quem sabe o coaching é justamente o recurso que faltava para o seu desenvolvimento pessoal e profissional?

 

Foto: Ingimage