Você rejeita ter esperanças?

Dizem que a esperança é a última que morre. É como um facho de luz que insiste em escapar pela fresta da porta, para alcançar o quarto mais escuro, prometendo que o dia ainda não terminou. E nos acalenta a expectativa de que dias melhores virão.

Quem não teve em algum momento a esperança na realização de algo desejado?

É justamente esta esperança que nos impede de desistir de sonhos, objetivos de vida e até de relacionamentos…

E é nesse período de virada de ano que fico refletindo ainda mais sobre a natureza humana, sobre os anseios e dúvidas sobre o futuro, mas também sobre o que realmente quero para os próximos anos. E através deste texto eu o convido a refletir comigo sobre a presença da esperança e a importância do seu transbordamento na construção de um caminho do seu jeito para os próximos anos da sua vida.

Este texto também se trata de uma reflexão mais profunda e sensível sobre a essência do que é ser humano, a busca da felicidade e plenitude, e como lidamos com as nossas limitações, dilemas internos e contextos externos.

Se este ano que se inicia não for um ano melhor, que você possa pelo menos estar acompanhado de mais inspiração e amparado por resiliência.

Antes de avançar, permita-me te contar pequena história sobre como cheguei na esperança.

Sou uma pessoa de planejamento e nem tanto de esperança. Acredito em fazer acontecer e não em torcer para acontecer.

Por natureza, tenho visão mais sistêmica e pensamento crítico. Já fui gestora de projetos e gosto de desenvolver estratégias e antecipar passos. Talvez eu tenha um lado romântico, ou talvez deva chamar de otimista com relação à vida (sei que nem tudo é só lógica). Mas também sou daquelas pessoas que ao longo de toda a vida, manteve-se na fase dos porquês. Sigo curiosa, observando, perguntando e aprendendo… Sei que não sei tudo, e que nem tudo é explicado pela lógica, pelo menos a curto prazo.

Eu tenho a necessidade de entender e persigo respostas. Até para aprender e memorizar, se entendo, é bem fluído e ágil. E para entender, aprofundo em significados e contextos. Saber o porquê das coisas me traz maior confiança e coragem para qualquer desafio.

E na busca de respostas, refletindo, pesquisando e procurando pelos porquês… é uma sensação maravilhosa quando as ideias se conectam e tudo faz sentido para mim (o que muitos chamam de “momento aha”).

Então a minha tendência, como a de muitas pessoas que se consideram racionais, é subestimar o poder da esperança e superestimar dados, fatos e o que é mais tangível.

A esperança não parece ser coisa para os racionais. Mas o que aprendi é que não se trata de querer ou não. Em algum momento da sua vida, você terá esperanças. Você terá expectativas de que algo bom aconteça e são evidenciadas pelas decepções quando não se alcança o que esperava. Mas podem ser recompensadas quando se concretizam.

A esperança é inseparável do ser humano e habita em nós sem convite. Alguns negam a sua presença, menosprezam ou refutam, mas ela teimosa, persiste presente.

Há outros que supervaloriza e pesam sobre ela boa parte dos resultados da vida, mesmo que não esteja fazendo quase nada para contribuir.

Por ser de natureza mais estruturada e racional, eu precisei de encontrei com reiteradas evidências da força da esperança para entender o valor e acolher feliz. Passei a perceber que me energiza e impulsiona a persistir, e me torna mais resiliente às decepções porque aprendi que a expectativa de tempo é minha. E se ainda não alcancei, talvez precise de um pouco mais de tempo. Posso estar vendo um ponto final, quando na verdade, cheguei na vírgula.

Reconhecer a função da esperança em mim me livrou do fardo pesado do dever da ação pela ação, criando a expectativa de que coisas boas podem acontecer se tiver ações coerentes com o que desejo. E as minhas conclusões não vieram somente da experiência com meus clientes ao longo de 14 anos, desenvolvendo pessoas. Vieram principalmente da minha curiosidade e busca pela resposta para uma importante questão para mim: porque algumas pessoas persistem mais até alcançar o que desejam, enquanto outras desistem nos primeiros obstáculos, muitas vezes transponíveis? Essa curiosidade foi motivada inicialmente por um incômodo trabalhando em um projeto social chamado de “Desenvolvimento de Jovens Líderes“, que tem por foco jovens entre 18 a 26 anos, de renda pessoal e familiar mais baixa. Visa proporcionar oportunidade para uma formação robusta, e é 100% gratuito aos participantes. Parece bom demais, certo? Mas por que havia uma taxa de desistência, muitas vezes por barreiras que surgiam na vida dos participantes, mas na grande maioria, facilmente contornáveis?

Este projeto é realizado pela união de esforços de muitos profissionais experientes de mercado e no total foram 12 edições anuais, com centenas de jovens. E tivemos o prazer de acompanhar grandes saltos e mudanças de vida e carreira. Mas também observamos um número significativo de desistências antes de que se alcance resultados. A pergunta que não quer calar continua sendo: por quê? Resolvemos aplicar uma pesquisa, incluindo formulários mais entrevistas em profundidade, com um número expressivo de jovens. Queríamos entender o que fazia alguns entrarem em ação e persistir mais do que outros. E estava claro que quem se colocava mais em ação, conquistava mais (do que desejava).

Os meus maiores aprendizados sobre a esperança vieram desta pesquisa, que evidenciou a esperança é o elemento presente que distingue os que tem mais êxito dos que que sequer se permitem tentar porque não tem esperança (ou não se permitem ter) de dias melhores. Passaram boa parte da vida dizendo para não ter esperança para não se decepcionar. Ou pior, não ter esperança porque aquilo (que deseja) não é para si. É para quem nasceu em condições mais favoráveis.

Em conclusão: a esperança coloca uma lente otimista, amplia a autoconfiança e aumenta a energia, que permite persistir e enfrentar melhor os obstáculos até alcançar o que acredita que tem chances de alcançar. Acreditar que pode decide “o jogo”.

O aprendizado com centenas de jovens ao longo destes anos foi extremamente rico e me trouxe um profundo sentimento de realização em paralelo com o meu trabalho com os clientes. Mas é tema para ser melhor compartilhado em um outro momento.

Se o tema deste texto já cutucou com a sua curiosidade, continue até o fim. Vai te trazer muitos insights ao longo da leitura até o final.

Para quem este texto é especialmente útil?

Se você também é uma pessoa curiosa, às vezes reflexiva e que está em busca de inspiração para o Novo Ano que se inicia, esse texto é para você.

Se você é uma pessoa de planejamento e está no momento de pensar na sua visão de futuro e metas para os próximos anos (que efetivamente te engajem), uma reflexão mais aprofundada e um pouco de inspiração com este texto não fará mal.

O que esperança tem a ver com o seu futuro?

A grande lição é que quem tem muita esperança não costuma desistir do que deseja. E ao persistir, muitas vezes alcança.

Eu te pergunto: quantas vezes por não acreditar que você consegue, nem tentou? E tem como saber se é possível, sem nem tentar? Que portas já fechou para si ao desistir antes de saber se era possível?

Vamos refletir sobre alguns exemplos:

  • Você já deixou de se candidatar a alguma vaga por acreditar que não tem chance?
  • Já teve vontade de abordar uma autoridade, mas acredita que não conseguirá a sua atenção?
  • Já quis ser palestrante ou escritor, mas nem tentou porque não acredita que seja capaz?
  • Já deixou de conquistar novos amigos, porque pensou que não tem nada a ver ficar abordando as pessoas que tem mais o que fazer do que te ouvir?
  • E quantas pessoas não estariam casados se não tivessem dado o primeiro passo?

Reitero: a esperança é que nos encoraja a agir, insistir e não desistir.

Mas por que somos cautelosos para alimentar as nossas esperanças? Algumas pessoas acreditam que se não tiverem expectativas, não terão decepções. Pensando no ser humano, enxergo nessa lógica duas missões impossíveis. O primeiro é não ter expectativas. Independentemente de sua vontade, todos tem alguma expectativa, mesmo que não seja consciente. O segundo é que em algum momento você se decepcionará porque as coisas não acontecem sempre do seu jeito e no seu tempo. Não existe garantia de realizar tudo, mesmo que tenha o melhor planejamento do mundo. E se colocamos alguma energia e não realiza, como evitar a decepção?

Será que precisamos mesmo de fugir da decepção, como se fosse algo possível? Para mim, a decepção é sinal de que ainda não cheguei lá. De que tem mais que ainda desejo alcançar e tenho horizonte futuro. E isso é ter perspectiva. É sentir-se vivo pulsando por algo e não se limitar a apenas sobreviver.

Vamos falar mais sobre o receio de ter esperança e como muitas vezes somos o primeiro a bater a porta na própria cara.

O que acreditamos determina o que nos permitimos tentar. Este é um dilema humano. Para não se decepcionar, preferimos acreditar que não nascemos para isso, que não somos bons naquilo e que não é o momento para tentar. São muitos os mecanismos para evitar frustrações, decepções e fracassos. Mas existe um princípio universal: o plantio vem antes da colheita.

É preciso plantar, mas para você plantar você precisa acreditar que vai gerar frutos (ou acreditar que precisa fazer porque não tem opção). E se as suas crenças estão cortando as esperanças pela raiz… Você terá menos forças para lidar com barreiras que todos encontramos, volta e meia, na vida.

E as Crenças não são necessariamente verdades. Mas por acreditar, torna-se a sua verdade. E como consequência tem impacto em suas ações e na sua vida, impulsionando ou limitando o seu campo de visão, o que se permite tentar e as suas escolhas.

Apesar disso, as crenças não precisam ser determinantes do que você pode alcançar para o futuro. Você pode escolher desafiar aquelas que te limitam buscando converter o “não” em “sim”.

Sempre que eu me pego pensando em “isso não é possível”, mudo a frase para “Isso pode ser possível se…”

E por mais que você duvide de si, por alguma razão, algumas vezes temos uma voz da esperança nos lembrando de tentar. E pode ter uma presença tão forte quanto aquela réstia de luz que teima em passar pela frestinha da janela como uma promessa que a história ainda não acabou.

Há algum tempo que o tema esperança me desperta a curiosidade. Todos os estados emocionais tem um impacto nas pessoas, sejam positivas ou negativas. Mas a esperança me parece a mais poderosa força para que as pessoas enfrentem positivamente as dificuldades que encontram.

Você sabia que em várias culturas é frequentemente representado por muitos símbolos? Os que mais gosto são a Flor de Lótus e a estrela cadente.

A Flor de Lótus é uma flor elegante e delicada que simboliza superação, pureza e renascimento por sua capacidade de florescer em águas lamacentas.

A estrela cadente, que na verdade é um rastro luminoso de um pequeno fragmento de um meteoroide em alta velocidade, simboliza o renascimento, as mudanças e a iluminação.

E fico me perguntando de onde vem… Será que ter esperança é sempre bom? Até que ponto a esperança se transforma em mera teimosia? Será que algumas pessoas já nascem com mais predisposição para alimentar esperanças ou é cultivável?

E como pessoal racional que sou (boa parte do tempo), não podia deixar de pesquisar. E na minha busca por respostas e mais balizamento, encontrei alguns estudos e livros muito interessantes sobre o tema. Compartilho a seguir dois que me chamaram mais a atenção. Se você é mais do tipo racional como eu, pode querer entender mais sobre a ciência da esperança.

Psychology of Hope: You Can Get Here from There (edição em inglês), por C.R. Snyder. Em tradução livre o título é “A Psicologia da Esperança”. Neste livro o autor fala sobre como as pessoas com alta esperança estabelecem metas claras, imaginam múltiplos caminhos e acreditam na sua capacidade de perseverar, mesmo diante de obstáculos. Também oferece um teste para medir traços de personalidade relacionados à esperança, além de dicas sobre como cultivar a esperança.

Learned Hopefulness: The Power of Positivity to Overcome Depression (edição em inglês), por Dan Tomasulo. Em tradução livre o título é “A Esperança aprendida”.

Este livro oferece exercícios fundamentados na psicologia positiva e comprovados cientificamente. Fala sobre a importância de conhecer os pontos fortes e livrar das crenças limitantes para majorar a capacidade de ser positivo e aumentar seus sentimentos de motivação, resiliência e bem-estar. E ensina a desvencilhar da ruminação sobre eventos negativos do passado, mudando sua perspectiva para o momento presente e antecipando seu futuro com uma visão mais positiva.

Sim, porque a esperança também se cultiva e amplia.

Se você se identificou como alguém que vive dizimando ou ignorando as próprias esperanças, quem sabe, estes livros te fazem mudar a sua perspectiva.

Sei que não ter o livro em português pode ser um limitante, mas atualmente há muita tecnologia que ajuda a superar a barreira de língua. E tenho a esperança que encontrará a ajuda que precisar, se quiser decifrar mais o tema. E claro, estou por aqui para trocar ideias.

Agora que o papel da esperança ficou mais claro, convido a olhar para o futuro: Que esperanças você tem para que o próximo ano? Ou talvez eu deva perguntar que objetivos você tem esperança de alcançar nos próximos anos?

O ponto é: não tenho dúvidas do poder da esperança, mas se limitar à ela é retirar-se do protagonismo da própria vida e tirar as chances da vida ir na direção do que deseja. É preciso aproveitar o movimento que a esperança convida dentro de cada um, para manter o impulso com ações concretas que ajudem a avançar na direção dos objetivos.

Mas ações sem clareza de direção, não alcançam os objetivos. Por isso, gosto de estimular que as pessoas tenham um tempo de qualidade para o planejamento. Não precisa necessariamente ser nada muito estruturado e demorado, mas uma reflexão de qualidade pode fazer muita diferença.

Dê uma força às suas esperanças com um planejamento. Só você sabe o que realmente é importante para você.

Uma dica essencial: planejamento tem que ser realizável. Então seja mais simples, concentrando em menos itens, que sejam realmente importantes para você. Nem pense no conceito de sucesso dos outros. A vida é sua.  Mas não planeje o que não tem esperança de realizar, não terá a energia para enfrentar barreiras. Mas é sempre possível descobrir o que precisa para ter esperanças… Mas se tiver um pouco que seja, foque em demover os empecilhos. Tenha em mente que nenhuma barreira é grande o bastante se o seu sonho for maior.

Se puder te sugerir algo, que funciona para mim, imagine-se daqui a 1, 2 e 3 anos. Nada muito longe para você. E comece com a sua visão de futuro, do que quer SER (quem terá se tornado idealmente), TER (bens, certificações, títulos…) ou ESTAR FAZENDO (estilo de vida).

Tudo está muito dinâmico. Planejar é tirar tempo de qualidade para pensar no que realmente importa para você e buscar um pouco de clareza sobre o que deseja realizar ou conquistar (mesmo!) e possíveis e melhores caminhos.

Pensar em um plano de ação, com possíveis opções de como realizar é válido, mas descomplique. Não se trata da quantidade de ações, mas de quais geram melhor impacto em encurtar o caminho entre hoje e o futuro desejado.

Ainda mais quando o planejamento é para você. Pense simples e seja seletivo, pois o tempo é limitado. E você não quer criar um mecanismo de decepção recorrente. Foque nas conquistas mais valiosas que farão o seu ano valer a pena. Não foque em quantidade, que o manterá muito ocupado, mas não necessariamente produtivo e feliz.

Eu gosto de utilizar a metodologia OKR (Objective and Key Results), adaptada e simplificada para a minha realidade. E sempre reflito conjuntamente a minha vida pessoal e profissional porque disputam o mesmo tempo que tenho. Proporciona clareza quando planejado. E serve de instrumento de acompanhamento e reflexões para aprendizados. E gosto de estabelecer alguns “milestones”, que são basicamente os grandes gols que desejo conquistar ao longo do caminho, definindo a data para estes.

Este texto não é sobre planejamento, mas como dar vida longa à esperança, sem viver só dela. Então não aprofundaremos na metodologia OKR, mas caso tenha interesse em saber mais, deixo como referência o autor John Doerr e o seu livro “Avalie o que Importa”. E este livro tem a versão em português.

Para fechar a ideia de planejamento, deixo algumas dicas para você:

  • Avalie bem o tempo necessário e bloqueie a sua agenda, ou viverá de esperança de que amanhã recuperará o que não fez hoje. E costuma ser irreal.
  • Imprevistos acontecem. Não planeje os seus dias lotados. Deixe espaços para ter a opção de resolver imprevistos se forem importantes, sem precisar de desmontar a sua agenda.
  • Estas mesmas janelas de tempo “sobrando” também são úteis para aproveitar oportunidades raras que você quer aproveitar.
  • Mas tenha em mente que o tempo continua sendo limitado e você precisa ser bom em definir as suas prioridades colocando o que é importante primeiro, ou nunca terá tempo suficiente para realizar os seus maiores sonhos e objetivos.

Antes de terminar, quero compartilhar uma pequena parábola, que espero trazer inspiração para o seu planejamento.

“O Agricultor e a Seca

Uma seca terrível castigou a terra. Todos abandonaram os campos, menos um agricultor que continuou lavrando e semeando.

“Estás louco?”, diziam. “Não chove há meses!”

Ele respondia: “Se eu parar de preparar a terra, quando a chuva vier não estarei pronto para receber a colheita.”

Anos depois, quando as chuvas voltaram abundantes, só ele teve campos prontos para dar frutos.

A esperança não é esperar a chuva sentada; é preparar a terra para quando ela chegar, na confiança de que uma hora chegará.”

Todos queremos estar preparados para quando a oportunidade aparecer. Eu espero que neste ano que se inicia, você dê voz às suas esperanças. E mais do que tudo, reforce as esperanças com planejamento de qualidade e ações concretas.

Que ao final deste ano, antes do próximo Ano Novo, você possa revisitar o seu planejamento, celebrar as realizações e conquistas, e constatar a importância da presença amiga da esperança, te apoiando nas batalhas e encorajando a prosseguir ao longo de todo o ano.

Dê boas vindas às suas esperanças, mais que isso, alimente, sinta e viva a esperança, porque ela te faz persistir no que ninguém mais está fazendo. Mas não a utilize como zona de conforto para não agir. A esperança te dá senso de certeza e energia, o planejamento te dá maior clareza e estrutura, e as ações concretas tem o poder de transformar a sua realidade e aproximar do que você deseja realizar!

Feliz Ano Novo!

#Esperanca #Otimismo #Futuro #Planejamento #OKR

Morte, Tempo e Amor

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Nesse primeiro dia do ano, acordei inspirada para escrever sobre temas eternos e mais atuais que nunca: Morte, Amor e Tempo. Espero que o texto o(a) inspire a um ano realmente novo de sentido e realizações.

A minha vida foi marcada pela morte de entes queridos, incluindo pais e um irmão ainda muito jovem, aos 26 anos, de latrocínio. Não posso dizer que a vida foi justa ou injusta. Posso dizer que como todo ser humano, tive a minha cota de coisas que não pedi. Mas também que me deu um senso diferente de valor à vida, de construir, vontade de viver “o hoje” e fazer melhores escolhas. Nos momentos mais difíceis, o que nos cabe decidir é como lidar com o que recebemos. E confesso que o meu maior desafio até hoje é lidar com a impotência. É perceber que quando tudo o que faço não basta. É reconhecer que algumas coisas não estão no meu alcance, como evitar a morte de quem está ao nosso lado. Sempre tive o impulso em me empenhar para alcançar o que queria, e conquistei muitas coisas assim. Dependia de mim. Quando comecei a enfrentar situações que me trouxeram a consciência do pouco controle que temos sobre a vida e a morte… foi difícil. Foi muito difícil poder apenas dar dignidade ao tempo de vida que meus pais ainda tinham, sem conseguir afetar positivamente na saúde deles. Foi chocante descobrir que uma vida valia tão pouco para as pessoas que assaltaram o meu irmão e não queria deixar testemunha. Eram dois irmãos, um até sem antecedentes. E que eu não era capaz de modificar esse acontecimento.

Mas esse texto não trata do aspecto triste dos acontecimentos. Trata do quanto os acontecimentos podem nos fortalecer enquanto pessoas, nos reconectar com a nossa essência e nos ensinar a escolher melhor para nossas vidas.

Um filme com abordagem muito interessante, chama-se “Beleza Oculta” (nome original Collateral Beauty), e afirma que tudo o que fazemos é motivado pela morte, tempo e amor. A sombra da morte, que vem sem convite, pode trazer maior senso de urgência de viver. E ensina o quanto o tempo é precioso e deve ser melhor utilizado. Mas também revela o quanto somos incoerentes entre o amor que sentimos e a nossa capacidade em demonstrar com as pessoas que amamos. Quanta coisa é feita em nome do amor… às vezes grandes gestos, às vezes atos absurdos.

Quantas pessoas gostariam de evitar a morte, encontrar o amor e ter mais tempo… Mas viver é encontrar incertezas sobre o quanto teremos de cada um. O que podemos aprender é a melhor aproveitar a vida e torcer para vivermos mais, com amor e lidando melhor com a consciência da morte.

O senso de que somos mortais também deveria ser um importante alerta para se cuidar da nossa saúde física e mental. A saúde em si não traz a felicidade, mas sem ela, fica mais difícil de alcançá-la. Nem tudo depende de nós, mas com certeza têm estilos de vida que colaboram ou atrapalham uma vida com mais saúde. Cabe a cada um agir a favor da qualidade de vida que deseja ter. Quanto de saúde deseja ter? E o que tem feito para ter?
São duas perguntas que andam juntas para investirmos no que depende de nós.

Eu fico refletindo ao observar pessoas e seus hábitos. Por que será que mesmo conscientes que faz mal, as pessoas comem o que não devem, não praticam atividade física e se irritam por qualquer coisa? Parece contraditório não fazermos muito do que já sabemos que é melhor para nós e deixarmos de fazer o que faz mal e pronto. Entre o que faz mal, penso também na saúde emocional, quando convivemos com pessoas que parecem especializadas em reclamar, ou em ambientes de trabalho tóxicos e até em relacionamentos onde se esperam que deixe de ser você. Faz mal, mas vive-se de esperança de que vai melhorar. Por quê?

No trânsito então é um rico laboratório para se observar o estresse e os mais variados comportamentos. Criei alguns rótulos. Você já observou pessoas que parecem os “donos da rua”, aqueles que acreditam que a prioridade é sempre deles independentemente da regra de trânsito? Se não cedemos ou abrimos espaço, vem buzinada, palavrão, gritos, às vezes perseguição no trânsito e fechadas… Também nesse grupo estão aqueles que acreditam que a sua pressa é sempre maior do que a pressa do outro. E isso dá direito de furar filas, fazer manobras perigosas e até contramão. Sempre tentando ganhar pequenas vantagens. Você também já deve ter observado os “distraídos”, aqueles que dirigem como se estivessem em outro mundo e não tivesse ninguém à sua volta. Está na metade da velocidade da via, na faixa de maior velocidade, às vezes navega à direita e à esquerda como se estivesse num mar aberto, reduz e até para repentinamente no meio da rua, com você atrás… E os “multifuncionais”? Você conhece pessoas que acreditam que podem fazer várias coisas enquanto dirigem? Alguns falando ou até digitando texto enquanto dirigem, ou procurando objeto no porta-luvas, até escrevendo endereço em GPS? Sempre se tem a opção de parar o carro para fazer isso, mas por alguma razão, apesar da ciência afirmar que não fomos feitos para realizar mais de uma tarefa com o mesmo nível de atenção ao mesmo tempo, queremos acreditar que a atenção que desviamos da pista não trará consequências, até que traga.

Esses comportamentos, além de muitas vezes prejudicarem o fluxo do trânsito que pode já estar complicado, eleva o nível de estresse de todos, inclusive de quem está provocando isso. Em resumo, não faz bem para ninguém, mas continua sendo feito.

E observando pessoas às vezes algo “grita” em mim: somos mortais, entendeu? E não viemos com selo de garantia de quanto tempo viveremos… Dá para começar a viver melhor já?

Não se cuidar é brincar com a morte, ou pelo menos com a saúde. E não sei qual das duas opções é pior. Uma vida sem saúde ou sem vida sequer.

Não precisamos de sofrer perdas para valorizar a vida, mas a verdade é que perdas são eficazes em nos acordar para a vida. Podemos nos apegar às perdas ou lembrar de quantas pessoas ainda estão à nossa volta e se estamos sabendo valorizá-las.

Porque o tempo que passou, passou! E vai continuar passando. Você só pode viver melhor com o tempo que ainda tem pela frente. Qual a razão de sua vida? Se não encontrou, procure! Encontrando ou não, a busca trará sentido. Quem são as pessoas mais importantes para você? Tem convivido e demonstrado o que sente? Lembre-se: amanhã pode não existir. O que ainda deseja realizar? O que precisa já ter realizado? Se estiver contando um monte de desculpas para si, pare e pense. É realmente importante para você ou algo o segura de realmente agir na direção do que deseja? Como seria chegar ao fim da vida sem ter realizado? Só você pode ter a sua resposta do que é viver bem, sem arrependimentos.

Penso que a vida é suficientemente complexa para complicarmos mais. Passei a aplicar uma regra há algum tempo: simplifique. Tudo pode ser mais simples e profundo. Escolha suas brigas, nem tudo vale a pena. E com certeza não vale a pena se naquele momento não tem chance de fazer diferença. Não precisamos de deixar de fazer algo importante, encontre uma forma mais simples e faça. Não pense demais para fazer algo importante. Às vezes é melhor o feito do que o perfeito. E desapegue do ter por ter. Acostumamos com uma cultura do ter e de acumular, como se fosse sempre melhor ter mais. Tenha o que acrescenta à sua vida. O que não acrescenta, não vale a pena. Porque tudo que temos exige manutenção, seja um relacionamento ou uma casa, dá trabalho. Se efetivamente agrega à sua vida, vale a pena. De outra forma é apenas gasto de nosso limitado tempo.

E tempo é algo que nunca teremos o suficiente porque sempre queremos mais. Mas não nos cabe decidir o quanto teremos, somente como investimos o que tivermos. Planejar o que fazer de mais importante com uma quantidade limitada, mas desconhecida de tempo é um grande desafio! Como usar bem o seu tempo? Mas o que é usar bem o tempo para cada um? Em que seria um tempo bem gasto para você?

Quando pensamos no tic-tac diário, vemos pessoas confundirem o ocupado com o produtivo. Vemos pessoas que lutam para zerar a fila de tarefas a fazer, que não pára de entrar novas demandas e algumas “puxadas” pelas próprias pessoas. E pessoas dizendo para si que no dia seguinte conseguirá fazer mais. Vemos quem não tem tempo para pessoas importantes em suas vidas e dizendo para si que é só uma fase… Pode até ser… Mas há quanto tempo está nessa fase?

Já sabemos que não dominamos o tempo, só podemos escolher melhor com o que gastar. E a vida é dinâmica, então as nossas escolhas precisam ser revisitadas frequentemente. É preciso fazer as suas escolhas sobre com que deseja investir o seu tempo, e aproveitar profundamente o momento escolhido, ou terá jogado o tempo fora, pelo menos em parte.

Em ambiente de trabalho é muito comum as pessoas lidarem com o tempo pensando em aumentar a eficiência, sem dar a devida importância às escolhas sobre o que é essencial. Há apego ao que já faz, do jeito que é feito, muitas vezes sem questionar porque precisa ser feito. Se fizermos muito quantidade de tarefas em pouco tempo, mas poderiam ser feitos de outra forma ou até não precisariam ser feitas, teremos perdido tempo mesmo sendo eficiente. Saber escolher o que fazer precisa vir antes de ser eficiente.

Criamos tantas desculpas para não desapegar de como já fazemos que acabamos não conseguindo enxergar novas e melhores possibilidades para investir o nosso tempo. E ficamos vivendo o mesmo “filme” de novo e de novo. E tentando “esticar” o tempo.

Mas vale aprofundar. Você quer mais tempo para o quê? O que traria maior sentido à sua vida? Se você não tivesse limite de tempo e tudo pudesse ser feito a tempo, o que você colocaria na frente e faria primeiro? Por quanto tempo até cansar?

A morte incita urgência, o tempo é um recurso precioso e limitado, mas se não tivéssemos nada a amar, o tempo e a morte perderiam a relevância. Como humanos, amamos. Em nome do amor, movemos mundos e alcançamos muitas realizações. A vida seria vazia se passássemos por ela sem o amor. E de quantas maneiras se manifesta! Quando pensamos em ter um companheiro para a vida toda, quando temos nossos pais, avôs, filhos, netos, amigos, animais de estimação, etc. Quando amamos a nossa profissão, uma causa social, um hobby, etc… O amor é a razão pela qual a vida parece ter novas cores. No melhor, o amor nos inspira a sermos mais generosos e a acreditarmos em alcançar grandes feitos. Pelo ente querido, queremos mostrar nossa melhor versão e nos tornar melhores pessoas.

É por todas as coisas que queremos realizar, todas as pessoas com quem queremos estar e todos os momentos que ainda queremos viver é que precisamos de entender que a morte faz parte da vida, que o tempo passa e muito rapidamente e que podemos não ter tempo para amar depois.

Então se eu puder te dizer do que aprendi com a minha vida até agora:

  • Honre o seu corpo fazendo atividades físicas e alimentando-se melhor. Você terá mais energia e disposição para o seu dia-a-dia e maior longevidade com alguma saúde. E saúde importa muito!
  • Cuide da sua mente, desapegando de tudo que faz mal e concentrando-se em melhor observar o que aprecia. Enxergue o belo que existe em tudo, mesmo que seja em pequena porção.
  • Tenha tempo regularmente para as pessoas queridas. Pouco ou muito, disponha de algum. E faça o possível para que a pessoa sinta e aproveite a sua presença. Esteja por inteiro. Demonstre o amor.
  • Viva simples. Quanto menos coisas você precisar com você, menos você carrega e menos tempo ocupará para manter. independentemente do “dono”, aproveite o que está à sua volta. Muitas vezes não enxergamos o que já temos ou o que não precisamos de ter para alegrar a nossa vida.
  • Ocupe-se com atividades que façam bem a você. Produza algo útil a alguém. Isso trará um senso de realização e propósito.

A vida é uma jornada de autoconhecimento. Quanto mais se conhecer, melhores escolhas fará para a sua vida. O meu desejo é que 2020 seja um ano de mais sabedoria e resiliência para construir a vida que deseja! Não escolhemos tudo, mas muito depende de nossas escolhas. Se não exercemos nem o que temos controle, não podemos reclamar do que não temos.

Então deixe os arrependimentos para o passado, apenas aprenda e se fortaleça.

Viva mais plenamente o agora. Seja presente!

E continuamente semeie com suas ações o futuro desejado. Se deseja mais amor, semeie amor. Se desejar paz, semeie paz. Se desejar prosperidade, coloque a cada dia um tijolinho do que será a sua futura realização.

Não se preocupe em TER, mas em SER.

Que 2020 seja a década da maior virada na sua vida! Abundância está a nossa volta. Tenha claro em mente o que deseja se tornar e esteja aberto(a) às mudanças. E construa uma vida extraordinária! Afinal não se vive duas vezes da mesma forma!

Feliz Nova Década!

 

O valor do tempo

Tempo é na essência a verdadeira “moeda” de troca. Nada é mais precioso, pois com ele vivemos, construímos relacionamentos e todas as histórias a contar. Também é com o tempo que evoluímos e alcançamos as nossas realizações. E se desperdiçado, não há como recuperar. Podemos tentar viver a mesma história e ainda assim será diferente, em outra época, outras pessoas e outro nível de maturidade.

Então eu me pergunto porque muitas vezes deixamos o tempo simplesmente passar, sem sentir, sem aproveitar o melhor de cada momento. Às vezes, até pior. Vamos ficando em lugares, atividades e até com pessoas nas quais não queremos estar, com uma voz interna repetindo e torcendo para o tempo passar logo para aquele momento acabar logo.

Há alguns anos que faço essa reflexão e a cada vez mais percebo uma ampliação da consciência sobre com que realmente vale a pena gastar meu tempo de vida. E aprendi algumas coisas que fizeram grande diferença no meu bem-estar e nível de satisfação.

O primeiro ponto é sobre o autoconhecimento. Em geral, as pessoas concordam que é importante se conhecer, mas curiosamente, muitos poucos poderiam afirmar que se conhecem muito bem. E há aqueles que acreditam que se conhecem, mas responsabiliza os outros pela sua infelicidade. Sem dedicar-se ao autoconhecimento, não há como descobrir o caminho da própria felicidade. O segundo ponto igualmente importante é ter qualidade de presença em cada um dos momentos que escolheu viver. É não se limitar a estar apenas de “corpo presente”, mas sim estar aberto a observar, ouvir e sentir a si e aos que estão a sua volta, identificando e fortalecendo as conexões com o mundo e com o que te faz bem. É encontrar espaços de pertencimento, que todos temos, mas às vezes esquecemos de procurar.

Quando comparo quem eu era há uns 15 anos e hoje, vejo a enorme diferença. Parece muito tempo, mas se passaram num instante! Percebo que tenho me tornado muito mais capaz de alinhar a minha vida com quem sou e o que aprecio. E cada vez mais, essa expressão se torna verdadeira para mim: Faça o que Ama e Ame o que Faz. Sempre que entender ser possível, escolho o que amo fazer com o meu tempo. Mas quando não estou disposta a “pagar o preço”, posso escolher pelo senso de dever ou outras razões e me comprometer com algo que não amo fazer. Nesse caso, o mais sábio para a minha felicidade é identificar algo que me ajude a aprender a amar o que decidi fazer. Sei que essa é uma ideia simples de pensar, mas não tão simples de adotar no dia-a-dia, mas tem me feito muito bem, trazendo leveza e o sentimento de que estou onde deveria estar. E o mais incrível, tem feito muito bem também para as pessoas à minha volta. Parece que acaba proporcionando um ambiente de consciência de que todos temos escolhas e cada um deve assumir as consequências das próprias escolhas. A autorresponsabilização ajuda a trazer um ambiente de menos julgamento e mais apreciação pela vida e pelas qualidades das pessoas, onde é permitido se expressar e também concordar ou discordar. Onde a individualidade convive com a coletividade.

Nos primeiros anos da minha carreira, a minha relação com o tempo era de fazer mais com menos. Como a maioria das pessoas no início de carreira, buscava aprender a fazer mais rapidamente e melhor, para evoluir. E tudo isso foi importante na época para valorizar o tempo. Com a maturidade, vejo que o sucesso, considerando ter talento e ser capaz de fazer muitas coisas, faz mais sentido, se direcionarmos para o que realmente importa para nós. Não se trata de quanto tempo se passou na nossa vida e se vivemos muito ou pouco, mas de como gastamos e apreciamos cada segundo de vida. A felicidade está em saber dar valor ao que temos e saber ver o que existe de bom a nossa volta, não importando quanto tempo ainda temos, até porque não sabemos. Um instante de felicidade, pode parecer uma vida toda. Um instante de crítica também. E pode ter consequências por muito tempo.

O valor do tempo é atribuído por cada um com o modo como olha para o mundo, onde destina sua atenção e como se relaciona. O tempo é seu. Como você gasta é a medida do quanto vale para você!

Se você deseja ter uma vida valiosa, onde cada segundo vale a pena ser vivido, é importante decidir o que vale o seu tempo de vida e o que não vale.

Muitas vezes reclamar é uma medida de insatisfação e todos em algum momento podem fazer isso. Mas reclamar muda alguma realidade? Outros dedicam muito tempo a criticar alguém. Mas será que em vez de criticar seria possível fazer melhor? Quem sabe, ser um exemplo, dentro de suas possibilidades?

Como é a melhor forma de gastar o eu tempo aqui e agora? Pratique essa pergunta e busque suas respostas. Valorize a sua vida e não carregue o que não deseja para si, porque a sua vida se torna o que pratica regularmente.

Qual é o real valor do tempo? Hoje, nesse início de Novo Ano, sinto como um convite a se observar a vida e refletir sobre quem sou, o que faz sentido manter e o que posso deixar ir para uma vida mais leve e significativa.

Sou daquelas pessoas que sempre buscou o autoconhecimento. Sei que não é um lugar que se chega, mas um processo contínuo de reconhecer e ampliar o que te faz bem, aprender a colocar limites, em si e nos outros, quando faz sentido e permitir-se novas fronteiras e realizações.

O período de virada de ano convida a pensar sobre a vida, sobre o que deu certo ou não, e sobre tudo o que ainda queremos realizar. Podemos ser mais felizes, mas precisamos de fazer melhores escolhas.

Então o convido para uma retrospectiva sobre a vida. Onde você tem destinado boa parte do seu tempo? Esse tempo foi bem gasto? Fortaleceu os relacionamentos mais importantes na sua vida? Criou novas conexões, experiências incríveis e aprendizados importantes? Viveu ao máximo os seus momentos? Esteve realmente presente na vida de seus filhos, pais e amigos?

Que vida você conquistou até o momento?

O tempo é limitado e não negocia. Não gera poupança para gastar no futuro. O que podemos é escolher melhor com que gastar o tempo. Se você fosse listar aqueles itens que não te trouxeram nada de bom e eram até dispensáveis nos anos anteriores, o que você poderia não levar para o Novo Ano?

E quais foram as coisas que você não fez porque não teve tempo? Liste tudo, leia e reflita sobre os itens que você gostaria de ter tempo. Tudo é possível, mas aceite que o tempo é limitado e que terá que fazer escolhas do que é mais importante e efetivamente colocar na frente. Disso depende uma vida significativa com maior amplitude para a sua felicidade!

Penso que no final das contas, o sucesso não se trata de quantas coisas acumulamos, mas do quanto vivemos sendo verdadeiro conosco e com as pessoas que amamos.

E sem tempo, não há como construir laços. Mas ter tempo não significa necessariamente que construiremos a felicidade, se não soubermos apreciar o lado bom e ser grato ao que já temos.

Talvez seja o momento de deixar de se conformar com o “ruim conhecido” e se aventurar a buscar o que te faz bem! O desapego faz parte do processo de abrir espaços para o que até agora não cabia. Descarte o que não faz bem e conviva mais com o que faz bem!

Não deixe o tempo simplesmente passar… Viva!

Desejo a você: disposição para conquistar o Ano Novo que deseja, determinação para ampliar o autoconhecimento continuamente e encontrar espaços de felicidade onde estiver!

Feliz Ano Novo!

Por que conflitos são necessários?

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A ideia desse artigo é explorar os mitos em torno de conflitos e trazer novas perspectivas para lidar com o tema, com impactos positivos nos relacionamentos, seja na sua vida pessoal ou profissional. No lugar de basear em pesquisas científicas, gosto de trazer o leitor para exemplos observáveis em sua vida, sem que precise ser certo ou errado. Então fica o convite de buscar observar o que acontece, o que significa para cada um e o que podemos aprender para uma vida melhor.

Volta e meia comento sobre isso, mas quero reafirmar que aprendo muito com as pessoas com quem convivo. E aprendo muito também com meus clientes, que trazem questionamentos e reflexões fantásticos! Em tudo que faço, vem um pouquinho do que aprendi com as muitas pessoas com quem tive a oportunidade de conviver. Por isso, esse artigo é especialmente dedicado a elas!

Começo o tema desse artigo com a seguinte reflexão. Se você for perguntar para dez pessoas sobre se gostam de conflito, provavelmente todos lhe responderiam que não. É até natural que não se goste de conflitos em si, mas sem conflitos, se acumularia muito mais desconfortos, mágoas, sentimento de vítima e raiva, sem chance de solução. Isso faz sentido?

Possivelmente muitos de vocês estarão pensando que o conflito é sempre ruim e seria bom não ter. Então convido-os a acompanhar como vejo isso.

Acredito que somos únicos e portanto diferente de todos os outros no mundo. Algumas pessoas podem ter muitas características em comum conosco, enquanto outros, aparentemente, nada em comum. Se somos diferentes, então pensamos e agimos diferentemente. E por isso mesmo, o que fazemos e falamos pode ser compreendido de forma totalmente diverso da nossa real intenção. A mesma coisa o outro, mesmo com a melhor intenção em nos ajudar, pode se colocar de uma forma que para nós significa pouco caso ou algum outra percepção negativa.

A diferença entre as pessoas exige maior esforço de compreensão e de colaboração. Mas nem sempre estamos atentos ou dispostos a isso. Quanto maior a diferença entre as pessoas, maior a chance de conflitos. Sempre? Não necessariamente. Todas as pessoas tem o seu mecanismo, consciente ou não, de lidar com suas dificuldades. Quando nos encontramos em uma situação que não sabemos lidar, acionamos o nosso mecanismo de proteção. É muito comum a fuga, mas para algumas pessoas o enfrentamento é o padrão. As pessoas que tem por mecanismo a fuga, podem se silenciar, distanciar da conversa ou até do ambiente, desconversar ou mudar a conversa. Enquanto as pessoas cujo mecanismo é de enfrentamento, podem levantar a voz, utilizar-se de palavras ásperas, demonstrar agressividade ou até desqualificar quem está à frente.

A depender do quanto você fica incomodado com alguém, em especial, se acredita que feriu seus valores, a sua reação natural será proporcionalmente intensa ao quanto você se sentiu afetado, seja na fuga ou no enfrentamento. Um padrão é melhor que outro? Depende com quem você está lidando. Algumas pessoas preferem discutir do que ser ignoradas. Outras podem preferir “o que os olhos não vêem (e ouvidos não escutam), o coração não sente“.

Mas é interessante observar as consequências comuns de cada padrão. Quando não se conversa sobre o desconforto, nem sempre o outro sabe que lhe causa desconforto ou que tem diferenças a lidar. Quando se enfrenta sem preparo, pode agravar as emoções negativas do outro e acrescentar outros elementos de mágoa.

O conflito tem uma função preciosa de sinalizar que tem algo importante para você, que está mal resolvido. Faço uma comparação. Quando o seu corpo não está bem, a dor e a febre são sinais frequentes. Quando algo não vai bem entre várias pessoas, o conflito é um importante sinalizador da relevância e tamanho do desconforto. Em qualquer interação com pessoas ou expectativa de relacionamento (de qualquer tipo), o conflito é um ótimo sinalizador de que as pessoas se importam mas estão com dificuldades em “digerir” algo. E nesse ponto, vale a sabedoria da época das avós: é conversando que se entende. Mas conversar sem levantar a defensividade das pessoas é uma arte. Todos nós conhecemos algumas pessoas com especial talento a falar sobre qualquer assunto sem que os outros se sintam agredidos. Também conhecemos pessoas que seja qual for o assunto, parece que tem um jeito especial de provocar reações negativas nas pessoas. Vale a reflexão de que tipo de pessoa queremos ser. Pergunto: o que muda na sua vida se puder falar sobre tudo com as pessoas à sua volta sem agravar conflitos? E o que muda na sua vida se no lugar de sofrer, ressignificasse o conflito como estímulo para melhorar o relacionamento?

Há uma grande oportunidade de aprendizado com os conflitos e nos tornam mais conscientes de que somos humanos e nos desentendemos. O ponto chave não está em ter ou não ter conflito, mas como você deseja lidar quando está envolvido em algum conflito. O como você lida pode determinar os seus resultados naquele relacionamento e pode explicar muito dos resultados que você conseguiu ou não na sua vida. Lembre-se que o pior estágio de um relacionamento não é um conflito, mas a total indiferença. Quando nada mais importa, também não há porta de passagem para alcançar o coração do outro.

Para quem ainda tem alguma dúvida, sugiro que imagine como seria a sua vida se soubesse lidar bem com os conflitos? Na sua percepção, diminui ou aumenta a quantidade de conflitos? As pessoas à sua volta se sentiram afetados de que forma? E o mais importante, como afeta você e seu bem estar?

Agora se você prefere evitar conflitos e escolhe o padrão de fuga, só posso ficar na torcida por você de que a outra pessoa envolvida seja mais sábia e lhe ajude a lidar com o que você tem dificuldade de enfrentar. Porque quanto mais importante for aquele relacionamento, maior fica o problema não resolvido! E com o tempo é tanta história e mágoa acumulada que não será capaz de olhar o relacionamento sem a “lente” do que acumulou. Quanto isso lhe custará? Pense nisso!

Que você possa encontrar a sua forma de enxergar uma perspectiva positiva dos conflitos e com isso tornar o difícil, mais fácil. E nessa jornada, ficará cada vez mais forte e capaz de construir excelentes relacionamentos com conflitos de menor intensidade e frequência.

O meu desejo para você e para o mundo é que todos nós possamos ser capazes de tomar a iniciativa para construir a vida de qualidade que queremos! Que você possa ter uma vida próspera e de evolução contínua!

Espero que esse artigo tenha contribuído com você! Dúvidas e comentários são muito bem vindos! E se você gostou do artigo, acompanhe o blog e se faça presente!

Wang Ching

 

Você está realmente “Presente” na sua vida?

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Esta é uma reflexão sobre a qualidade de vida. Sobre escolhas e sobre realmente vivenciar os momentos em vez de estar sempre em correria e já pensando na próxima atividade. Penso em como os relacionamentos se “empobreceram” com a falta da presença. E com o tempo… até nos perdermos de quem nós somos, por estar mais conectado em FAZER do que em SER.

Quantos instantes preciosos simplesmente passam porque não estávamos atentos?

Veja se você já se viu em algumas dessas situações:

  • Você já se percebeu com pessoas à sua volta e não tinha a menor ideia do que estava sendo falado?
  • Já se pegou rindo de uma piada que não entendeu?
  • Já passou por amigos num shopping, sem ver porque estava imerso em seus pensamentos?
  • Já segurou um livro passando os olhos nas letras sem absorver?
  • Lembra-se de ter trabalhado horas e até dias em cima de um projeto e seu chefe lhe diz que entendeu tudo errado?
  • E o que você faz quando é sua filha que diz: olha para mim!

A vida pode estar passando enquanto nos distraímos. E fica o sentimento de que não aproveitamos bem o tempo.

Nem sempre mais é realmente mais. Às vezes para SER MAIS, é preciso FAZER MENOS. E como resultado: VIVER MELHOR!

Seja pelo prazer ou pelo desempenho, estar presente vai aumentar a sua qualidade de estudo, de trabalho, nos relacionamentos e na diversão. Mas como chegamos nessa situação de viver sem estar realmente presente na própria vida? 

À medida que ampliam opções e recebemos uma quantidade muito maior de informações e até de oportunidades, proporcionalmente parece ter aumentado a ansiedade em não perder nada. Aquela cobrança em conseguir fazer e ter mais e mais. Nada errado em batalhar por melhores condições para o seu futuro, mas será que é um bom preço se for a custa de qualidade no momento presente?

O que você pode perder enquanto a vida passa? Afinal, num instante, temos mais idade, não temos mais disposição, as crianças crescem, os amigos se mudam, etc…

Mas criamos muitos mecanismos na expectativa de caber mais, que nem percebemos que não registramos mais o que vale a pena.

Nesse ponto, quero levantar a questão de escolhas. Muitas vezes não escolher o que é prioridade para nós, também é uma escolha. Se você não pondera e faz escolhas, fica mais fácil basear na esperança, de que vai sempre caber mais algo. E o foco se torna quantidade e não o que é mais importante.

Você conhece alguém que não tem nenhum horário livre na agenda, como se fosse possível não ter imprevistos? Você conhece alguém que está num restaurante com a família, mas não larga as redes sociais no celular? E pessoas que fazem tanto curso, mas mal tem tempo para colocar em ação algo novo que aprendeu?

As perguntas que naturalmente vem à mente: para que planejar uma agenda que não tem como cumprir? E se não o tempo não der, o que vai ficar de fora é o menos importante? Para que estar com corpo presente em um grupo e a mente em outro? Para que se estuda tanto, se não der tempo de usar os novos conhecimentos?

Uma vez ouvi de alguém muito sábio: tenha apenas o que você precisa. E faz muito sentido, porque tudo se paga com horas de vida. Se gasta tempo para ganhar dinheiro e compra algo que não precisa, ainda assim, o que comprou lhe custou horas de vida!

Mas você pode estar pensando: é mais fácil falar que fazer. E não tenho menor dúvida disso, em especial se você estiver vivendo a mil por hora, “pedalando o mundo”.

Mas se você quer ter qualidade de vida, deve aprender sobre duas coisas: fazer escolhas e ter presença.

Ao aprender a fazer melhores escolhas para si, vai perceber que se torna mais fácil aproveitar o momento e estar presente. Mas como se faz melhores escolhas? Fazendo!

Como assim? Fazendo? Isso mesmo. Coloque-se em ação para fazer escolhas pela sua vida sempre que tiver mais de uma atividade disputando a sua atenção. E observe a medida que faz suas escolhas, o que fez sentido e o que faria diferente na próxima vez. É um processo de consciência e de assumir a responsabilidade pelo que é melhor para si.

Um recurso que pode lhe ajudar a se situar em reflexões e pensar sobre suas prioridades é o volume “Meu Outono, Minhas Escolhas“, do MyActionBook. É de minha autoria e pode lhe ajudar a se conhecer e melhor entender o que é importante para você.

Mas saiba que mesmo quando se escolhe e quer estar presente, nem sempre é simples. Às vezes tem simplesmente muitas interferências na sua mente, que você não consegue calar. Fica inquieto, distraído e até ansioso. Isso quando não alimenta raiva ou angústia por algo que às vezes nem aconteceu, mas na nossa imaginação, só de imaginar que poderia acontecer, já se expandiu e a emoção tomou conta.

Saiba que se você quer aprender mais e desenvolver a capacidade de estar mais no presente, é possível. Não importa qual tarefa, você pode estar mais presente na sua caminhada, brincando com sua filha, tomando um café, fazendo o seu trabalho ou lendo. Não importa o que, é possível se você estiver disposto a mudar.

Um termo em inglês que vem sendo cada vez mais objeto de pesquisa é Mindfulness, traduzido como Atenção Plena. O chamado Mindfulness conta com evidência científica e comprovada eficácia, surgiu na Universidade de Massachussets por volta dos anos 80. Atualmente, em todo o mundo existem estudos e escolas que disseminam suas práticas, como forma de trazer qualidade de vida e redução do stress. Uma grande referência no mundo é La Universidad de Zaragoza, na Espanha, que oferece o Master de MindFulness. Um centro de referência no Brasil é a Mente Aberta Mindfulness Brasil. Mas se você busca uma leitura consistente, conheça o livro Atenção Plena – Mindfulness – Como encontrar a paz em um mundo frenético, de Mark Williams e Danny Penman, encontrada nas principais livrarias do Brasil em português.

O que se pode aprender de interessante com este tema? Muita coisa! Em primeiro lugar, estado de atenção plena é algo simples, mas nem por isso fácil de alcançar. Estar desperto e consciente do momento presente não parece acontecer naturalmente num mundo hiper-conectado e de cobranças em que vivemos. Imagine como seria a sua vida se você tivesse maior presença com as pessoas, numa entrevista de emprego, na preparação para uma prova, na elaboração de orçamento de projeto e até doméstico!

Nesse livro, você poderá aprender sobre como acontecem as muitas interferências na nossa mente e como interferências emocionais acontecem. Por exemplo entender que emoções são feixes de pensamentos, sentimentos, sensações físicas e impulsos para agir. Ao se observar terá oportunidade de registrar como se processa em você.

Poderá aprender várias técnicas para conectar-se com o momento presente, que incluem meditação (vem com CD), mas não somente.

Para mim a maior contribuição está numa parte singela, mas profunda na página 36: Mudar sua perspectiva pode transformar sua experiência de vida, seja por um ponto de vista diferente ou por um ponto diferente no tempo. O livro traz evidências e técnicas para mudar a “paisagem interna” ou também conhecido como “paisagem mental”, de forma que você possa deixar de depender das circunstâncias externas para encontrar a felicidade, o contentamento e o equilíbrio. Em resumo: a atenção plena surge espontaneamente do modo Existente quando aprendemos a prestar atenção deliberada, no momento presente e sem julgamento nas coisas como de fato são.

Faça uma experiência de atenção plena e veja como o mundo se transforma quando você presta mais atenção nele. Escolha uma tarefa simples que faz volta e meia, por exemplo tomar o café da manhã. Faça a escolha consciente de quanto tempo deseja destinar. Vamos supor que defina 15 minutos. Dedique plenamente esses minutos a observar o momento. Se estiver sozinho, perceba os aromas, a textura dos alimentos, se tem som quando morde um pedaço de pão crocante, veja a fumaça, sinta o seu corpo se nutrindo para iniciar maravilhosamente um novo dia! Se tiver com uma criança, experimente observar cada expressão, gesto, o olhar de curiosidade, as perguntas e tudo mais que aquele momento permite. Cada instante lhe reserva algo precioso se você estiver presente.

Observe quando você está apenas de corpo presente. Onde sua mente divaga? Alguns especialistas dizem que isso acontece por conflito de prioridades. Na dúvida onde deveria estar, acaba tentando estar em vários lugares ao mesmo tempo. E com isso, acaba não estando nem em um lugar e nem em outro.

Gosto muito do significado de presente = dádiva. Sim ter a oportunidade de vivenciar no momento presente é uma dádiva, que poucos usufruem profundamente. De uma forma ou de outra, muito rapidamente o presente se torna passado, e não poderá mais ser reescrito, apenas lembrado, se lembrado.

As suas lembranças, você constrói no presente! Então não deixe a vida passar enquanto está se distraindo. E não se distrai enquanto está com seus amados, eles poderão não estar ao seu lado amanhã. E o amanhã? Você nem sabe se existirá! Então exista agora e já!

E viva a cada dia a dádiva de ter o momento presente!

 

* Esse texto é uma homenagem a duas Senhoras muito inspiradoras, que têm sede pela vida e conexão com os momentos presentes: Helena Tonet (gratidão pelo papo muito interessante sobre como o mundo parece que perdeu a qualidade de atenção) e Voinha (avó do meu esposo), uma dama de personalidade, que vive destemidamente cada momento presente, completando 100 anos de vida no ano passado.

Comprometendo-se de coração com a sua vida!

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Quantas vezes você torna o outro mais prioridade do que a você mesmo?

Ao longo da vida, o conjunto de nossas ações escreve mais do que a nossa história, mas quem nos somos, o que valorizamos e que futuro estamos esculpindo.

Tem um motivo de ser quando você não encontra forças para realizar o que deveria fazer e se apega ao que gostaria de fazer. E tudo começa, quando deixamos de lutar pelos nossos valores.

Em algum momento, para que sua vida faça sentido, terá que poder ser íntegro com seus valores, refletida em seus relacionamentos e escolhas. Esquecer-se de quem é para atender ao outro pode lhe trazer o reconhecimento e satisfação naquele momento. Mas de forma repetitiva, vai criar em você um hábito de difícil mudança, até porque às vezes não se tem consciência que tem. E assim, vamos nos esquecendo do que é importante para nós, vivendo cada vez mais a vida do outro, até que não nos encontramos mais.

Ao longo da minha carreira apoiei várias pessoas a “reencontrar” o melhor de si, acreditar nas suas qualidades, redirecionar seus esforços e encontrar o papel que deseja ter na vida. E o ganho é imensurável em autoconfiança, bem-estar, significado e realizações. Reduz significativamente o esforço de “segurar” a essência (e isso custa caro), para simplesmente SER. Retira-se barreiras para realizações que fazem sentido para você. E mais seguros de quem você é, reconhecerá e valorizará melhor suas próprias qualidades, utilizando naturalmente para ampliar chances de sucesso.

Seja na vida pessoal ou profissional, há sempre espaço para que seja você possa colocar em ação o que você valoriza. Quanto mais forte forem suas convicções, mais força você terá para influenciar os outros e enfrentar barreiras para realizar o que desejar.

Mas se já estivermos nos sentindo perdidas?

O ponto de partida é comprometer-se de coração com a sua vida. É entender que o outro tem outras prioridades e não é você. É saber que merece mais, mas terá demonstrar que merece com ações concretas. Além disso, o segredo da vida que deseja, está dentro de si, mesmo que bem no fundo e difícil de achar, ainda assim, existe.

Então faça para si a seguinte pergunta: Estou disposto a demonstrar o meu comprometimento com meus valores todos os dias da minha vida?

Você encontrará dificuldades, mas vivenciará a cada dia novas oportunidades de viver seus valores se estiver efetivamente comprometido. Mas se tiver dúvidas, os obstáculos ganharam dimensões cada vez maiores em sua mente e em suas emoções, até parecer impossíveis de superar.

Mas como vou saber que estou vivendo meus valores?

Você já foi ajudar alguém mas não parava de pensar em algo que deveria ter feito? Já chegou numa festa que era muito importante para um amigo e se perguntou o que estava fazendo lá assim que chegou? Já deixou para última hora e dia seguinte estava se sentindo um lixo porque não conseguiu cumprir no prazo algo prometido? Já se distraiu em redes sociais enquanto alguma voz lhe dizia que não estava estudando o que se propôs e não iria passar na prova?

Todos sabem quando o que fazem não está alinhado com seus valores, mesmo quando não tem clareza de quais são. Tempo demais vivendo a inconsistência entre valores e o que você faz, resulta em vazios, frustrações, sentimento de fracasso e até medo de não encontrar mais o que faz sentido. Mas por quê as pessoas caem nessa armadilha? Porque tem necessidade de afeto, aceitação e reconhecimento. Então a curto prazo a recompensa parece mais garantida quando fazemos o que o outro deseja. Fazemos o que a mãe, a esposa, o amigo, o chefe e tantos outros desejam, reforçando os laços de afeto, aceitação e recebendo reconhecimento. Nada errado em desejar tudo isso. Mas por que não alcançar tudo isso sendo quem você é? Até porque a longo prazo, nada garante que fazer o que os outros desejam fará você mais querido, aceito e reconhecido. As pessoas se acostumam e o que você faz “vira” obrigação. E adicionalmente, é certo que terá que abrir a mão de si, se fizer tempo demais o que o outros desejam.

Então como evitar essa armadilha?

  1. Identifique os seus valores mais fortes. Em geral são poucos itens que não abrimos a mão de jeito nenhum. Os valores mais fortes dão sentido para você vivê-los no seu dia-a-dia. Um ótimo termômetro é a sua emoção. Observe quando de repente se irrita desproporcionamente ao fato. Muito provavelmente um valor importante foi agredido. Pergunte-se o que realmente o irritou? Assim como quando você se engaja em algum projeto e nem vê a hora passar. Algo nesse projeto nutre valores importantes para você. O que tem a ver esse projeto com seus valores?
  2. Coloque-se em estado de consciência. Ao observar melhor a si, começará a momentos em que o que faz não está alinhado ao que faz sentido para você. Pergunte-se o que é preciso para fazer sentido. O que está de errado com esse momento? Pode ser que precise ajustar a ação ou mudar para outra ação. Tente preencher as lacunas: Em vez (disso), faria mais sentido eu fazer (aquilo).
  3. Identifique seus padrões. O ser humano aprende e passa a repetir o que acredita que deu certo. E com isso constrói padrões e forma hábitos. A vantagem é que reduz o tempo para entrarmos em ação. A desvantagem é que o seu momento de vida pode ter mudado e aquele hábito estar sendo prejudicial. E por ser hábito, pode nem notar que faz automaticamente. Nesse ponto, lembre-se que o menos costuma ser mais. Identifique aqueles hábitos que mais trabalham contra seus desejos futuros. E identifique qual foi a necessidade que permitiu construir esse hábito. E busque novas formas de entrar em ação, que atenda essa necessidade (se ainda é uma necessidade).
  4. Identifique oportunidades para viver seus valores. Seja em seus relacionamentos ou outros espaços de convivência, as pessoas esperam o melhor de você. E você não conseguirá dar o melhor se sentir que seus valores são agredidos diariamente. Muitas vezes os desentendimentos começam não pelo que foi feito, mas porque não foi compreendido o porquê. Há um espaço enorme de conversa quando se dialoga com o coração e mostra o desejo de ser genuíno e oferecer o que tem de melhor. Igualmente de expressar nossas limitações e o porquê temos dificuldade em fazer do jeito do outro.
  5. Realinhe suas ações com seus valores. Com clareza de seus valores e tendo identificado tanto os pontos de desalinhamento quanto oportunidades ainda não praticadas, é hora de fazer escolhas para ampliar seu espaço de colocar seus valores em ação. Ser verdadeiramente comprometido de coração consigo. E tenha certeza que esse é o caminho para que seja mais e melhor também com todos à sua volta. Você proporcionará segurança às pessoas de saberem com quem contam.

A essa altura, alguns devem estar pensando no seguinte: isso não funciona. Na minha empresa não posso ser assim. Não posso abrir o jogo com a minha esposa. Imagina o que vai acontecer se eu quiser ser eu com meus subordinados.

Aí vão algumas reflexões:

  • Que problemas você tem evitado deixando de ser você?
  • E que problemas você tem ganhado deixando de ser você?
  • O que pesa mais?
  • Até quando?

Toda escolha implica em renúncia também. A reflexão desse texto é para pessoas que sentem que o preço está alto e que não dá mais para abrir a mão de si. E que é possível viver pelos seus valores sem agredir os outros. Muito pelo contrário, observe como as pessoas admiram e se inspiram em quem tem segurança no que acredita e realiza.

Se você é dessas pessoas e quer aprofundar no tema de valores, recomendo um livro que terminei a leitura recentemente e por isso inspirou o tema desse artigo: “Comprometa-se de Coração”, de Stan Slap. Nesse volume você também encontra nas páginas 67 a 72 um exercício que ajudará a identificar seus valores.

Outro livro que vale a pena é “O que mais importa – o Poder de Viver seus Valores”, de Hyrum W. Smith. Entre vários conteúdos, uma importante contribuição é a tripla equação do que mais importa: missão, valores e papéis.

A vida pode ser muito mais! Não saberemos o tempo total que temos, mas podemos sempre escolher o que fazer com o tempo que temos. Saber seus valores, permitirá colocar o que é mais importante primeiro e não esperar para ser você num futuro que pode não chegar.

Seja na vida pessoal ou profissional, o mais importante deve vir primeiro.

Acredito que há um espaço enorme para se viver seus valores no ambiente de trabalho e isso contribuirá também para uma carreira de sucesso.

Nas empresas é exigido comprometimento. Não existe comprometimento com meros números, mas com o que elas significam se você alcançar. Ou seja, as pessoas se comprometem com algo que faça sentido. Encontre uma causa e conseguirá encontrar como engajar as pessoas em torno do que propõe.

E vale uma reflexão para os líderes: como liderar sem direção? É como dizer: não me siga pois estou perdido!

Seja líder da sua própria vida! Saiba quem é e para onde deseja ir!

E lute pela vida que faça sentido! Num instante, a vida passa! E não poderá reescrever o que já passou!

Encontre o seu lugar!

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Na infinitude do Universo, quem somos nós e que espaços queremos ocupar?

Você já se perguntou qual o sentido da vida? 

Esse artigo é para pessoas que, assim como eu, já buscou ou ainda busca essa resposta. É para pessoas cuja inquietude pode levar a conquistar muitas realizações e encontrar respostas importantes para sua felicidade.

Se você nunca parou para pensar sobre o sentido da sua vida, pode ser que tenha se ocupado com muitas atividades no seu dia-a-dia, ou trabalhando para conquistar uma vida melhor para o futuro. Nada errado se você tem se sentido inteiro. Mas se apesar de muitas atividades, volta e meia vem aquela pergunta: mas a vida é só isso? Talvez seja a hora de dedicar um tempo para conectar-se consigo e encontrar o significado para o que faz e tudo o que tem “acumulado” ao longo da vida, seja bens, diplomas, dinheiro, títulos, acessórios, dispositivos eletrônicos, amizades, etc… A pergunta é: o que você tem acumulado reforça quem você deseja SER ou você tem se tornado o que acumula?

Para que encontre suas respostas para o sentido da sua vida, é preciso abrir a mão de respostas prontas. É preciso aceitar que tem o porquê para não se sentir pleno com a vida e só assim poderá enxergar algo que ainda não vê.

Abra a mão das explicações do tipo:

  • Tenho que fazer isso para depois…
  • Tive que aceitar…
  • Não tenho escolha…
  • Tenho obrigações…

Muitas situações que explicamos contêm verdades, mas não impedem realmente o aprofundamento e a busca por algo mais significativo e genuíno em todo os momentos! Talvez a pergunta a se fazer comece com o por quê: 

  • Por que tenho que fazer isso para depois…
  • Por que eu acredito que tenho que aceitar…
  • Por que eu prefiro dizer que não ter escolha…
  • Por que aceito essas obrigações…

É simples. Se eu não sei o porquê faço o que faço, a vida não vai ganhar sentido. E com o tempo, o sentimento é de a vida passou muito rapidamente e não tivemos tempo para se tornar quem queremos ser e estamos sempre adiando para um futuro, que talvez não chegue a existir.

Você tem opção de encontrar o sentido do que faz, ou ajustar o que faz ao que faz sentido para você.

Mas saiba que basta estar vivo para ter expectativas. Consciente ou intuitivamente, queremos um “lugar” que nos traga o sentimento de pertencimento, mostre que o que fazemos faz sentido e que a vida vale a pena.

O primeiro passo é querer buscar o que te completa. O curioso é que a resposta está dentro de si, mas para encontrar, é preciso buscar referências externas. É preciso se tornar melhor observador de si e do mundo. Quanto mais você observa o mundo sem pré-conceitos, mais você pode se perceber e sentir onde é o seu lugar. A ideia é “olhar” para si e não julgar o mundo. Você começa a “colecionar” sensações positivas e negativas, afinidades ou resistências, remanso ou ansiedade, significado ou vazio.

Em pouco tempo, começará a entender melhor o que faz sentido para você se ganhasse maior espaço na sua vida. Esse autoconhecimento ampliará bem estar e melhores escolhas para a vida. Mas saiba que os velhos hábitos ainda precisarão ser vencidos para que você exerça suas escolhas a favor de si.

Então em vez de continuar fazendo o que sempre fez, pergunte-se: por quê? Considere como afeta a sua vida ao manter. E decida conscientemente se é a hora de mudar.

A sequência abaixo pode lhe ajudar nessa reflexão. Para melhor utilizar, escolha algo que sempre fez, por exemplo: “sempre deixo minhas coisas de lado para atender o que os outros me pedem”. É importante lembrar de alguns exemplos concretos que comprovem que faz isso. Uns 3 (três) exemplos é um bom número. Nesse exemplo, a primeira coisa a se perguntar é por que você deixa as suas coisas de lado quando o outro lhe pede algo? Você irá identificar valores e crenças que permitem que isso aconteça. A segunda pergunta é o que acontece quando você deixa de lado suas coisas para fazer o que os outros pedem? Poderá descobrir o preço que vem pagando e há quanto tempo. A última pergunta é como você quer fazer no futuro? O exercício de como vai lhe trazer opções e consequências das futuras escolhas. Vai lhe proporcionar oportunidades de alinhar o que faz com quem você deseja ser e reafirmar o que tem sentido para você.

A ordem dos itens é essencial, portanto não passe para o item seguinte se não tem a reposta do item anterior.

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Mas saiba que aprender sobre si é um processo sem ponto de chegada, porque somos seres em evolução, sempre. Não somos hoje o que fomos há alguns anos e talvez até alguns segundos atrás.

A caminhada de encontrar-se já lhe trará o sentimento de avanço para pergunta essencial: o  que faz sua vida ter sentido?

A minha busca trouxe muitas realizações significativas e de que a vida vale a pena. Participei de muitos projetos sociais, contribuí com várias organizações e trabalho com o coaching como atividade profissional. Nas minhas relações, o que mais faz sentido é que as pessoas possam perceber a própria grandeza, tenham autonomia, ampliem as realizações significativas (seja na vida pessoal ou profissional) e sintam-se inteiros.

E acredito que atraímos o que buscamos. Recentemente concluí a leitura do livro Comece algo que faça a diferença, de Blake Mycoskie, fundador da TOMS shoes. Um livro que vale a pena ler. Reforçou as minhas convicções e trouxe novas ideias para aprofundamento. Um livro muito apropriado para a tradição de listar ações para o Ano Novo.

Desejo a você um encontro com a sua essência, chave para uma vida significativa!

Que você saiba que não há obstáculo suficientemente grande se o seu sonho é maior. E que quando se persiste no por que, sempre aprenderá mais sobre si e o que o faz feliz.

A vida é uma jornada de descobertas interessantes quando nos colocamos como aprendizes. Mas pode ser infeliz se valorizarmos mais as dificuldades do que as possibilidades de mudança.

Você decide se quer encontrar o seu lugar na vida!

Pergunto: Como será o seu futuro?

Como saber se o coaching é para você?

Vamos começar definindo o que é coaching: “É uma parceria com os clientes em um processo criativo que instiga a reflexão e os inspira a maximizar o seu potencial pessoal e profissional (ICF)”.

O coaching proporciona importantes benefícios, tais como: empoderamento, maior consciência de seus padrões, melhoria de relacionamentos interpessoais, redução de stress, maior foco, menor dispersão de energia e maior produtividade.

O coaching abrange a vida pessoal tanto quanto a carreira. E com todos os evidentes benefícios, ainda assim, o coaching não é para todos.

Agora vamos às reflexões sobre você:

  • É uma pessoa que preza muito sua autonomia e o seu desenvolvimento é consequência de suas atitudes?
  • Busca o desenvolvimento contínuo porque acredita que temos sempre a evoluir?
  • É curioso e gosta de refletir sobre a vida?
  • Sabe que o autoconhecimento é chave para reconhecer e melhor utilizar seus talentos e pontos fortes?
  • Desafia-se a identificar novas perspectivas sobre situações?
  • Busca descobrir oportunidades e ampliar horizontes?
  • Assume responsabilidade sobre a sua vida?

Se você se identificou positivamente com o conjunto de perguntas acima, muito provavelmente você vai se identificar com a abordagem de coaching.

Mas é importante se perguntar se é o momento para você.

É preciso estar disposto a refletir, ampliar o olhar e experimentar fazer o diferente. É preciso ter tempo para si. Sem a dedicação do cliente coachee, o processo de coaching pode ter o melhor profissional e ter resultados modestos.

Se a sua conclusão for de que é o momento de viver essa experiência com todo o potencial que pode proporcionar, o próximo passo é selecionar um profissional adequado para você. Leve em consideração os seguintes aspectos:

  1. Empatia. Se não está à vontade com o coach, procure outra opção.
  2. Ética. Saiba se o profissional segue algum código de ética e se está declarado no contrato a confidencialidade.
  3. Formação. Veja se o profissional tem a formação por uma escola de referência ou uma credencial de acreditação por uma entidade neutra e de reputação no mundo.
  4. Experiência. Busque informações sobre experiência anterior do profissional, tipos de trabalho e resultados. Também é muito relevante recomendações de pessoas de sua confiança que já fizeram o processo de coaching com o mesmo profissional e saiba mais.
  5. Capacidade de Escuta. Certifique que o coach efetivamente lhe escuta e leva em consideração o que você apresenta.
  6. Comprometimento. O profissional deve estar comprometido com o processo de coaching. Deve lhe esclarecer sobre o processo de coaching, os papéis que cabem às partes e as regras do relacionamento de coaching.

Agora que você já sabe se o coaching é para você nesse momento de vida, desejo que possa sempre lembrar que a vida é breve e que buscando ou não apoio, faça valer a pena todos os momentos! Nunca se sabe se teremos novas oportunidades.

Uma vida significativa depende do quanto estamos dispostos a assumir o papel principal!

Que tenha a coragem de escolher viver a vida que deseja!

 

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