Você rejeita ter esperanças?

Dizem que a esperança é a última que morre. É como um facho de luz que insiste em escapar pela fresta da porta, para alcançar o quarto mais escuro, prometendo que o dia ainda não terminou. E nos acalenta a expectativa de que dias melhores virão.

Quem não teve em algum momento a esperança na realização de algo desejado?

É justamente esta esperança que nos impede de desistir de sonhos, objetivos de vida e até de relacionamentos…

E é nesse período de virada de ano que fico refletindo ainda mais sobre a natureza humana, sobre os anseios e dúvidas sobre o futuro, mas também sobre o que realmente quero para os próximos anos. E através deste texto eu o convido a refletir comigo sobre a presença da esperança e a importância do seu transbordamento na construção de um caminho do seu jeito para os próximos anos da sua vida.

Este texto também se trata de uma reflexão mais profunda e sensível sobre a essência do que é ser humano, a busca da felicidade e plenitude, e como lidamos com as nossas limitações, dilemas internos e contextos externos.

Se este ano que se inicia não for um ano melhor, que você possa pelo menos estar acompanhado de mais inspiração e amparado por resiliência.

Antes de avançar, permita-me te contar pequena história sobre como cheguei na esperança.

Sou uma pessoa de planejamento e nem tanto de esperança. Acredito em fazer acontecer e não em torcer para acontecer.

Por natureza, tenho visão mais sistêmica e pensamento crítico. Já fui gestora de projetos e gosto de desenvolver estratégias e antecipar passos. Talvez eu tenha um lado romântico, ou talvez deva chamar de otimista com relação à vida (sei que nem tudo é só lógica). Mas também sou daquelas pessoas que ao longo de toda a vida, manteve-se na fase dos porquês. Sigo curiosa, observando, perguntando e aprendendo… Sei que não sei tudo, e que nem tudo é explicado pela lógica, pelo menos a curto prazo.

Eu tenho a necessidade de entender e persigo respostas. Até para aprender e memorizar, se entendo, é bem fluído e ágil. E para entender, aprofundo em significados e contextos. Saber o porquê das coisas me traz maior confiança e coragem para qualquer desafio.

E na busca de respostas, refletindo, pesquisando e procurando pelos porquês… é uma sensação maravilhosa quando as ideias se conectam e tudo faz sentido para mim (o que muitos chamam de “momento aha”).

Então a minha tendência, como a de muitas pessoas que se consideram racionais, é subestimar o poder da esperança e superestimar dados, fatos e o que é mais tangível.

A esperança não parece ser coisa para os racionais. Mas o que aprendi é que não se trata de querer ou não. Em algum momento da sua vida, você terá esperanças. Você terá expectativas de que algo bom aconteça e são evidenciadas pelas decepções quando não se alcança o que esperava. Mas podem ser recompensadas quando se concretizam.

A esperança é inseparável do ser humano e habita em nós sem convite. Alguns negam a sua presença, menosprezam ou refutam, mas ela teimosa, persiste presente.

Há outros que supervaloriza e pesam sobre ela boa parte dos resultados da vida, mesmo que não esteja fazendo quase nada para contribuir.

Por ser de natureza mais estruturada e racional, eu precisei de encontrei com reiteradas evidências da força da esperança para entender o valor e acolher feliz. Passei a perceber que me energiza e impulsiona a persistir, e me torna mais resiliente às decepções porque aprendi que a expectativa de tempo é minha. E se ainda não alcancei, talvez precise de um pouco mais de tempo. Posso estar vendo um ponto final, quando na verdade, cheguei na vírgula.

Reconhecer a função da esperança em mim me livrou do fardo pesado do dever da ação pela ação, criando a expectativa de que coisas boas podem acontecer se tiver ações coerentes com o que desejo. E as minhas conclusões não vieram somente da experiência com meus clientes ao longo de 14 anos, desenvolvendo pessoas. Vieram principalmente da minha curiosidade e busca pela resposta para uma importante questão para mim: porque algumas pessoas persistem mais até alcançar o que desejam, enquanto outras desistem nos primeiros obstáculos, muitas vezes transponíveis? Essa curiosidade foi motivada inicialmente por um incômodo trabalhando em um projeto social chamado de “Desenvolvimento de Jovens Líderes“, que tem por foco jovens entre 18 a 26 anos, de renda pessoal e familiar mais baixa. Visa proporcionar oportunidade para uma formação robusta, e é 100% gratuito aos participantes. Parece bom demais, certo? Mas por que havia uma taxa de desistência, muitas vezes por barreiras que surgiam na vida dos participantes, mas na grande maioria, facilmente contornáveis?

Este projeto é realizado pela união de esforços de muitos profissionais experientes de mercado e no total foram 12 edições anuais, com centenas de jovens. E tivemos o prazer de acompanhar grandes saltos e mudanças de vida e carreira. Mas também observamos um número significativo de desistências antes de que se alcance resultados. A pergunta que não quer calar continua sendo: por quê? Resolvemos aplicar uma pesquisa, incluindo formulários mais entrevistas em profundidade, com um número expressivo de jovens. Queríamos entender o que fazia alguns entrarem em ação e persistir mais do que outros. E estava claro que quem se colocava mais em ação, conquistava mais (do que desejava).

Os meus maiores aprendizados sobre a esperança vieram desta pesquisa, que evidenciou a esperança é o elemento presente que distingue os que tem mais êxito dos que que sequer se permitem tentar porque não tem esperança (ou não se permitem ter) de dias melhores. Passaram boa parte da vida dizendo para não ter esperança para não se decepcionar. Ou pior, não ter esperança porque aquilo (que deseja) não é para si. É para quem nasceu em condições mais favoráveis.

Em conclusão: a esperança coloca uma lente otimista, amplia a autoconfiança e aumenta a energia, que permite persistir e enfrentar melhor os obstáculos até alcançar o que acredita que tem chances de alcançar. Acreditar que pode decide “o jogo”.

O aprendizado com centenas de jovens ao longo destes anos foi extremamente rico e me trouxe um profundo sentimento de realização em paralelo com o meu trabalho com os clientes. Mas é tema para ser melhor compartilhado em um outro momento.

Se o tema deste texto já cutucou com a sua curiosidade, continue até o fim. Vai te trazer muitos insights ao longo da leitura até o final.

Para quem este texto é especialmente útil?

Se você também é uma pessoa curiosa, às vezes reflexiva e que está em busca de inspiração para o Novo Ano que se inicia, esse texto é para você.

Se você é uma pessoa de planejamento e está no momento de pensar na sua visão de futuro e metas para os próximos anos (que efetivamente te engajem), uma reflexão mais aprofundada e um pouco de inspiração com este texto não fará mal.

O que esperança tem a ver com o seu futuro?

A grande lição é que quem tem muita esperança não costuma desistir do que deseja. E ao persistir, muitas vezes alcança.

Eu te pergunto: quantas vezes por não acreditar que você consegue, nem tentou? E tem como saber se é possível, sem nem tentar? Que portas já fechou para si ao desistir antes de saber se era possível?

Vamos refletir sobre alguns exemplos:

  • Você já deixou de se candidatar a alguma vaga por acreditar que não tem chance?
  • Já teve vontade de abordar uma autoridade, mas acredita que não conseguirá a sua atenção?
  • Já quis ser palestrante ou escritor, mas nem tentou porque não acredita que seja capaz?
  • Já deixou de conquistar novos amigos, porque pensou que não tem nada a ver ficar abordando as pessoas que tem mais o que fazer do que te ouvir?
  • E quantas pessoas não estariam casados se não tivessem dado o primeiro passo?

Reitero: a esperança é que nos encoraja a agir, insistir e não desistir.

Mas por que somos cautelosos para alimentar as nossas esperanças? Algumas pessoas acreditam que se não tiverem expectativas, não terão decepções. Pensando no ser humano, enxergo nessa lógica duas missões impossíveis. O primeiro é não ter expectativas. Independentemente de sua vontade, todos tem alguma expectativa, mesmo que não seja consciente. O segundo é que em algum momento você se decepcionará porque as coisas não acontecem sempre do seu jeito e no seu tempo. Não existe garantia de realizar tudo, mesmo que tenha o melhor planejamento do mundo. E se colocamos alguma energia e não realiza, como evitar a decepção?

Será que precisamos mesmo de fugir da decepção, como se fosse algo possível? Para mim, a decepção é sinal de que ainda não cheguei lá. De que tem mais que ainda desejo alcançar e tenho horizonte futuro. E isso é ter perspectiva. É sentir-se vivo pulsando por algo e não se limitar a apenas sobreviver.

Vamos falar mais sobre o receio de ter esperança e como muitas vezes somos o primeiro a bater a porta na própria cara.

O que acreditamos determina o que nos permitimos tentar. Este é um dilema humano. Para não se decepcionar, preferimos acreditar que não nascemos para isso, que não somos bons naquilo e que não é o momento para tentar. São muitos os mecanismos para evitar frustrações, decepções e fracassos. Mas existe um princípio universal: o plantio vem antes da colheita.

É preciso plantar, mas para você plantar você precisa acreditar que vai gerar frutos (ou acreditar que precisa fazer porque não tem opção). E se as suas crenças estão cortando as esperanças pela raiz… Você terá menos forças para lidar com barreiras que todos encontramos, volta e meia, na vida.

E as Crenças não são necessariamente verdades. Mas por acreditar, torna-se a sua verdade. E como consequência tem impacto em suas ações e na sua vida, impulsionando ou limitando o seu campo de visão, o que se permite tentar e as suas escolhas.

Apesar disso, as crenças não precisam ser determinantes do que você pode alcançar para o futuro. Você pode escolher desafiar aquelas que te limitam buscando converter o “não” em “sim”.

Sempre que eu me pego pensando em “isso não é possível”, mudo a frase para “Isso pode ser possível se…”

E por mais que você duvide de si, por alguma razão, algumas vezes temos uma voz da esperança nos lembrando de tentar. E pode ter uma presença tão forte quanto aquela réstia de luz que teima em passar pela frestinha da janela como uma promessa que a história ainda não acabou.

Há algum tempo que o tema esperança me desperta a curiosidade. Todos os estados emocionais tem um impacto nas pessoas, sejam positivas ou negativas. Mas a esperança me parece a mais poderosa força para que as pessoas enfrentem positivamente as dificuldades que encontram.

Você sabia que em várias culturas é frequentemente representado por muitos símbolos? Os que mais gosto são a Flor de Lótus e a estrela cadente.

A Flor de Lótus é uma flor elegante e delicada que simboliza superação, pureza e renascimento por sua capacidade de florescer em águas lamacentas.

A estrela cadente, que na verdade é um rastro luminoso de um pequeno fragmento de um meteoroide em alta velocidade, simboliza o renascimento, as mudanças e a iluminação.

E fico me perguntando de onde vem… Será que ter esperança é sempre bom? Até que ponto a esperança se transforma em mera teimosia? Será que algumas pessoas já nascem com mais predisposição para alimentar esperanças ou é cultivável?

E como pessoal racional que sou (boa parte do tempo), não podia deixar de pesquisar. E na minha busca por respostas e mais balizamento, encontrei alguns estudos e livros muito interessantes sobre o tema. Compartilho a seguir dois que me chamaram mais a atenção. Se você é mais do tipo racional como eu, pode querer entender mais sobre a ciência da esperança.

Psychology of Hope: You Can Get Here from There (edição em inglês), por C.R. Snyder. Em tradução livre o título é “A Psicologia da Esperança”. Neste livro o autor fala sobre como as pessoas com alta esperança estabelecem metas claras, imaginam múltiplos caminhos e acreditam na sua capacidade de perseverar, mesmo diante de obstáculos. Também oferece um teste para medir traços de personalidade relacionados à esperança, além de dicas sobre como cultivar a esperança.

Learned Hopefulness: The Power of Positivity to Overcome Depression (edição em inglês), por Dan Tomasulo. Em tradução livre o título é “A Esperança aprendida”.

Este livro oferece exercícios fundamentados na psicologia positiva e comprovados cientificamente. Fala sobre a importância de conhecer os pontos fortes e livrar das crenças limitantes para majorar a capacidade de ser positivo e aumentar seus sentimentos de motivação, resiliência e bem-estar. E ensina a desvencilhar da ruminação sobre eventos negativos do passado, mudando sua perspectiva para o momento presente e antecipando seu futuro com uma visão mais positiva.

Sim, porque a esperança também se cultiva e amplia.

Se você se identificou como alguém que vive dizimando ou ignorando as próprias esperanças, quem sabe, estes livros te fazem mudar a sua perspectiva.

Sei que não ter o livro em português pode ser um limitante, mas atualmente há muita tecnologia que ajuda a superar a barreira de língua. E tenho a esperança que encontrará a ajuda que precisar, se quiser decifrar mais o tema. E claro, estou por aqui para trocar ideias.

Agora que o papel da esperança ficou mais claro, convido a olhar para o futuro: Que esperanças você tem para que o próximo ano? Ou talvez eu deva perguntar que objetivos você tem esperança de alcançar nos próximos anos?

O ponto é: não tenho dúvidas do poder da esperança, mas se limitar à ela é retirar-se do protagonismo da própria vida e tirar as chances da vida ir na direção do que deseja. É preciso aproveitar o movimento que a esperança convida dentro de cada um, para manter o impulso com ações concretas que ajudem a avançar na direção dos objetivos.

Mas ações sem clareza de direção, não alcançam os objetivos. Por isso, gosto de estimular que as pessoas tenham um tempo de qualidade para o planejamento. Não precisa necessariamente ser nada muito estruturado e demorado, mas uma reflexão de qualidade pode fazer muita diferença.

Dê uma força às suas esperanças com um planejamento. Só você sabe o que realmente é importante para você.

Uma dica essencial: planejamento tem que ser realizável. Então seja mais simples, concentrando em menos itens, que sejam realmente importantes para você. Nem pense no conceito de sucesso dos outros. A vida é sua.  Mas não planeje o que não tem esperança de realizar, não terá a energia para enfrentar barreiras. Mas é sempre possível descobrir o que precisa para ter esperanças… Mas se tiver um pouco que seja, foque em demover os empecilhos. Tenha em mente que nenhuma barreira é grande o bastante se o seu sonho for maior.

Se puder te sugerir algo, que funciona para mim, imagine-se daqui a 1, 2 e 3 anos. Nada muito longe para você. E comece com a sua visão de futuro, do que quer SER (quem terá se tornado idealmente), TER (bens, certificações, títulos…) ou ESTAR FAZENDO (estilo de vida).

Tudo está muito dinâmico. Planejar é tirar tempo de qualidade para pensar no que realmente importa para você e buscar um pouco de clareza sobre o que deseja realizar ou conquistar (mesmo!) e possíveis e melhores caminhos.

Pensar em um plano de ação, com possíveis opções de como realizar é válido, mas descomplique. Não se trata da quantidade de ações, mas de quais geram melhor impacto em encurtar o caminho entre hoje e o futuro desejado.

Ainda mais quando o planejamento é para você. Pense simples e seja seletivo, pois o tempo é limitado. E você não quer criar um mecanismo de decepção recorrente. Foque nas conquistas mais valiosas que farão o seu ano valer a pena. Não foque em quantidade, que o manterá muito ocupado, mas não necessariamente produtivo e feliz.

Eu gosto de utilizar a metodologia OKR (Objective and Key Results), adaptada e simplificada para a minha realidade. E sempre reflito conjuntamente a minha vida pessoal e profissional porque disputam o mesmo tempo que tenho. Proporciona clareza quando planejado. E serve de instrumento de acompanhamento e reflexões para aprendizados. E gosto de estabelecer alguns “milestones”, que são basicamente os grandes gols que desejo conquistar ao longo do caminho, definindo a data para estes.

Este texto não é sobre planejamento, mas como dar vida longa à esperança, sem viver só dela. Então não aprofundaremos na metodologia OKR, mas caso tenha interesse em saber mais, deixo como referência o autor John Doerr e o seu livro “Avalie o que Importa”. E este livro tem a versão em português.

Para fechar a ideia de planejamento, deixo algumas dicas para você:

  • Avalie bem o tempo necessário e bloqueie a sua agenda, ou viverá de esperança de que amanhã recuperará o que não fez hoje. E costuma ser irreal.
  • Imprevistos acontecem. Não planeje os seus dias lotados. Deixe espaços para ter a opção de resolver imprevistos se forem importantes, sem precisar de desmontar a sua agenda.
  • Estas mesmas janelas de tempo “sobrando” também são úteis para aproveitar oportunidades raras que você quer aproveitar.
  • Mas tenha em mente que o tempo continua sendo limitado e você precisa ser bom em definir as suas prioridades colocando o que é importante primeiro, ou nunca terá tempo suficiente para realizar os seus maiores sonhos e objetivos.

Antes de terminar, quero compartilhar uma pequena parábola, que espero trazer inspiração para o seu planejamento.

“O Agricultor e a Seca

Uma seca terrível castigou a terra. Todos abandonaram os campos, menos um agricultor que continuou lavrando e semeando.

“Estás louco?”, diziam. “Não chove há meses!”

Ele respondia: “Se eu parar de preparar a terra, quando a chuva vier não estarei pronto para receber a colheita.”

Anos depois, quando as chuvas voltaram abundantes, só ele teve campos prontos para dar frutos.

A esperança não é esperar a chuva sentada; é preparar a terra para quando ela chegar, na confiança de que uma hora chegará.”

Todos queremos estar preparados para quando a oportunidade aparecer. Eu espero que neste ano que se inicia, você dê voz às suas esperanças. E mais do que tudo, reforce as esperanças com planejamento de qualidade e ações concretas.

Que ao final deste ano, antes do próximo Ano Novo, você possa revisitar o seu planejamento, celebrar as realizações e conquistas, e constatar a importância da presença amiga da esperança, te apoiando nas batalhas e encorajando a prosseguir ao longo de todo o ano.

Dê boas vindas às suas esperanças, mais que isso, alimente, sinta e viva a esperança, porque ela te faz persistir no que ninguém mais está fazendo. Mas não a utilize como zona de conforto para não agir. A esperança te dá senso de certeza e energia, o planejamento te dá maior clareza e estrutura, e as ações concretas tem o poder de transformar a sua realidade e aproximar do que você deseja realizar!

Feliz Ano Novo!

#Esperanca #Otimismo #Futuro #Planejamento #OKR

O valor do tempo

Tempo é na essência a verdadeira “moeda” de troca. Nada é mais precioso, pois com ele vivemos, construímos relacionamentos e todas as histórias a contar. Também é com o tempo que evoluímos e alcançamos as nossas realizações. E se desperdiçado, não há como recuperar. Podemos tentar viver a mesma história e ainda assim será diferente, em outra época, outras pessoas e outro nível de maturidade.

Então eu me pergunto porque muitas vezes deixamos o tempo simplesmente passar, sem sentir, sem aproveitar o melhor de cada momento. Às vezes, até pior. Vamos ficando em lugares, atividades e até com pessoas nas quais não queremos estar, com uma voz interna repetindo e torcendo para o tempo passar logo para aquele momento acabar logo.

Há alguns anos que faço essa reflexão e a cada vez mais percebo uma ampliação da consciência sobre com que realmente vale a pena gastar meu tempo de vida. E aprendi algumas coisas que fizeram grande diferença no meu bem-estar e nível de satisfação.

O primeiro ponto é sobre o autoconhecimento. Em geral, as pessoas concordam que é importante se conhecer, mas curiosamente, muitos poucos poderiam afirmar que se conhecem muito bem. E há aqueles que acreditam que se conhecem, mas responsabiliza os outros pela sua infelicidade. Sem dedicar-se ao autoconhecimento, não há como descobrir o caminho da própria felicidade. O segundo ponto igualmente importante é ter qualidade de presença em cada um dos momentos que escolheu viver. É não se limitar a estar apenas de “corpo presente”, mas sim estar aberto a observar, ouvir e sentir a si e aos que estão a sua volta, identificando e fortalecendo as conexões com o mundo e com o que te faz bem. É encontrar espaços de pertencimento, que todos temos, mas às vezes esquecemos de procurar.

Quando comparo quem eu era há uns 15 anos e hoje, vejo a enorme diferença. Parece muito tempo, mas se passaram num instante! Percebo que tenho me tornado muito mais capaz de alinhar a minha vida com quem sou e o que aprecio. E cada vez mais, essa expressão se torna verdadeira para mim: Faça o que Ama e Ame o que Faz. Sempre que entender ser possível, escolho o que amo fazer com o meu tempo. Mas quando não estou disposta a “pagar o preço”, posso escolher pelo senso de dever ou outras razões e me comprometer com algo que não amo fazer. Nesse caso, o mais sábio para a minha felicidade é identificar algo que me ajude a aprender a amar o que decidi fazer. Sei que essa é uma ideia simples de pensar, mas não tão simples de adotar no dia-a-dia, mas tem me feito muito bem, trazendo leveza e o sentimento de que estou onde deveria estar. E o mais incrível, tem feito muito bem também para as pessoas à minha volta. Parece que acaba proporcionando um ambiente de consciência de que todos temos escolhas e cada um deve assumir as consequências das próprias escolhas. A autorresponsabilização ajuda a trazer um ambiente de menos julgamento e mais apreciação pela vida e pelas qualidades das pessoas, onde é permitido se expressar e também concordar ou discordar. Onde a individualidade convive com a coletividade.

Nos primeiros anos da minha carreira, a minha relação com o tempo era de fazer mais com menos. Como a maioria das pessoas no início de carreira, buscava aprender a fazer mais rapidamente e melhor, para evoluir. E tudo isso foi importante na época para valorizar o tempo. Com a maturidade, vejo que o sucesso, considerando ter talento e ser capaz de fazer muitas coisas, faz mais sentido, se direcionarmos para o que realmente importa para nós. Não se trata de quanto tempo se passou na nossa vida e se vivemos muito ou pouco, mas de como gastamos e apreciamos cada segundo de vida. A felicidade está em saber dar valor ao que temos e saber ver o que existe de bom a nossa volta, não importando quanto tempo ainda temos, até porque não sabemos. Um instante de felicidade, pode parecer uma vida toda. Um instante de crítica também. E pode ter consequências por muito tempo.

O valor do tempo é atribuído por cada um com o modo como olha para o mundo, onde destina sua atenção e como se relaciona. O tempo é seu. Como você gasta é a medida do quanto vale para você!

Se você deseja ter uma vida valiosa, onde cada segundo vale a pena ser vivido, é importante decidir o que vale o seu tempo de vida e o que não vale.

Muitas vezes reclamar é uma medida de insatisfação e todos em algum momento podem fazer isso. Mas reclamar muda alguma realidade? Outros dedicam muito tempo a criticar alguém. Mas será que em vez de criticar seria possível fazer melhor? Quem sabe, ser um exemplo, dentro de suas possibilidades?

Como é a melhor forma de gastar o eu tempo aqui e agora? Pratique essa pergunta e busque suas respostas. Valorize a sua vida e não carregue o que não deseja para si, porque a sua vida se torna o que pratica regularmente.

Qual é o real valor do tempo? Hoje, nesse início de Novo Ano, sinto como um convite a se observar a vida e refletir sobre quem sou, o que faz sentido manter e o que posso deixar ir para uma vida mais leve e significativa.

Sou daquelas pessoas que sempre buscou o autoconhecimento. Sei que não é um lugar que se chega, mas um processo contínuo de reconhecer e ampliar o que te faz bem, aprender a colocar limites, em si e nos outros, quando faz sentido e permitir-se novas fronteiras e realizações.

O período de virada de ano convida a pensar sobre a vida, sobre o que deu certo ou não, e sobre tudo o que ainda queremos realizar. Podemos ser mais felizes, mas precisamos de fazer melhores escolhas.

Então o convido para uma retrospectiva sobre a vida. Onde você tem destinado boa parte do seu tempo? Esse tempo foi bem gasto? Fortaleceu os relacionamentos mais importantes na sua vida? Criou novas conexões, experiências incríveis e aprendizados importantes? Viveu ao máximo os seus momentos? Esteve realmente presente na vida de seus filhos, pais e amigos?

Que vida você conquistou até o momento?

O tempo é limitado e não negocia. Não gera poupança para gastar no futuro. O que podemos é escolher melhor com que gastar o tempo. Se você fosse listar aqueles itens que não te trouxeram nada de bom e eram até dispensáveis nos anos anteriores, o que você poderia não levar para o Novo Ano?

E quais foram as coisas que você não fez porque não teve tempo? Liste tudo, leia e reflita sobre os itens que você gostaria de ter tempo. Tudo é possível, mas aceite que o tempo é limitado e que terá que fazer escolhas do que é mais importante e efetivamente colocar na frente. Disso depende uma vida significativa com maior amplitude para a sua felicidade!

Penso que no final das contas, o sucesso não se trata de quantas coisas acumulamos, mas do quanto vivemos sendo verdadeiro conosco e com as pessoas que amamos.

E sem tempo, não há como construir laços. Mas ter tempo não significa necessariamente que construiremos a felicidade, se não soubermos apreciar o lado bom e ser grato ao que já temos.

Talvez seja o momento de deixar de se conformar com o “ruim conhecido” e se aventurar a buscar o que te faz bem! O desapego faz parte do processo de abrir espaços para o que até agora não cabia. Descarte o que não faz bem e conviva mais com o que faz bem!

Não deixe o tempo simplesmente passar… Viva!

Desejo a você: disposição para conquistar o Ano Novo que deseja, determinação para ampliar o autoconhecimento continuamente e encontrar espaços de felicidade onde estiver!

Feliz Ano Novo!

Reflexões sobre o Coaching, uma profissão ainda não regulamentada

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Banco de Imagens por assinatura: Shutterstock

Esse texto é dedicado a pessoas que buscam formar suas próprias convicções sobre o tema coaching e procuram informações consistentes para sua análise. A minha pretensão não é estar certa ou errada, mas contribuir com a reflexão de um assunto que tem tido crescente interesse da mídia e da população como um todo, no entanto, ainda reside tanta polêmica.

É importante deixar claro, que todas as minhas colocações aqui, não representam a voz de nenhuma instituição, citada ou não, mas de uma coach dedicada a buscar continuamente a excelência no que faz.

Começo então com a pergunta: a profissão de coaching é ilegal? Não. A base legal da ilegalidade é: “Exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce, sem preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício.” Pergunto: como pode ser ilegal se ainda não há lei que subordine o seu exercício?

É necessário a regulamentação da atividade de coaching para que seja exercida? Também não. Muitas atividades praticadas, tem reconhecimento da existência em algumas legislações e enquanto atividade econômica, recolhem impostos, mesmo as não regulamentadas enquanto profissão. Observando a história, a atividade começa primeiro por alguma necessidade no mundo. E à medida que se crescem seus impactos, podem vir a ser regulamentadas ou não. No Brasil, o percentual de profissões não regulamentadas segundo algumas pesquisas, ultrapassa a 95%.

A profissão coach atua em funções privativas ao psicólogo? Não deveria. O fato de necessitar de conhecimentos comuns não o qualifica como mesma forma de atuação. Se o psicólogo tiver matérias de sociologia, o torna sociólogo ou alguém que pratica a profissão de sociologia? Se na formação de marketing ou licenciatura tiver matérias de psicologia, significa que haverá exercício ilegal da psicologia? Penso que se existe na grade curricular determinada matéria é porque o conhecimento é importante para o futuro profissional, mas o que distingue é como utilizará o conhecimento na prática profissional. O uso de conhecimentos diversos para melhor apoiar a prática da sua própria atividade profissional, com fronteiras específicas, sem assumir funções privativas de outras profissões, é legítimo.

Essa reflexão me levou a pensar se a origem de muitos entendimentos precipitados e equivocados não seria na falta de conhecimento do que é Coaching e o que não é Coaching.

Adicionalmente, talvez não esteja claro que maus profissionais existem em qualquer atividade, seja regulamentada ou não. Isso não deveria desqualificar a atividade, mas àqueles que não adotam as boas práticas ou desrespeitam a Lei.

Então vamos entender um pouco melhor o que é coaching. Na ausência de regulamentação no país, eu me baseio em padrões e instituições de credibilidade internacional. Segundo ICF – International Coach Federation, uma instituição sem fins lucrativos e fundada em 1995, considerado um recurso mundial de informações e pesquisas sobre o coaching: “Parceria com o coachee através de um processo provocativo e criativo que inspire a maximizar o potencial pessoal e profissional”. Denomina-se coachee a pessoa que está sendo atendida pelo profissional coach.

Também conforme a ICF, o que não é coaching: a) Consultoria; b) Terapia; c) Aconselhamento. O Código de Ética da ICF e o documento intitulado 11 Competências Fundamentais de Coaching (Core Competences), são bases de excelência para a atividade e define o conceito e fronteiras. E um documento base intitulado 10 Indicadores (Top Ten Indicators to Refer a Client to a Mental Health Professional) orienta seus associados coaches a convidar o seu cliente a procurar ajuda de profissionais de outras especialidades, quando alguns indícios são observados, levando a refletir se o que ele precisa pode não ser coaching.

Vamos deixar claro. O coach não diagnostica, não aconselha, não dá orientações e nem dá soluções. O coach proporciona condições para que o cliente identifique e utilize melhor recursos internos que já têm e por qualquer motivo, não têm utilizado para alcançar seus objetivos. Como exemplo, vou citar hábitos, que todos temos. Os hábitos são desenvolvidos em algum momento para “facilitar” a nossa vida. Fica mais fácil e automático fazer algo que queremos ou precisamos de fazer. Mas a vida segue e mudanças acontecem, tanto no cenário à nossa volta, quanto internamente passamos a querer mais e até novas coisas. Alguns hábitos ajudam a nova realidade, outros poderão ser entraves. O que o coach faz? Pergunta de que forma o cliente percebe que o hábito influencia nos objetivos futuros.

Agora convido-os a ampliar o olhar para entender porque o coaching funciona. O Coaching trabalha com o cliente 3 elementos essenciais: confiança, consciência e escolha. Vamos clarificar. Sem confiar em si o cliente não buscará soluções diferentes e limitará ações, o que limita resultados diferentes na sua vida. Mas confiança sem consciência de si e fatos que afetam a sua vida, limitará a qualidade de suas ações. A consciência é primordial para que o cliente aprenda com a própria experiência e melhore as futuras escolhas para si. Por isso muitas técnicas e ferramentas trabalham para ampliar a consciência como base fundamental para encontrar as opções e fazer escolhas. Mas de quem são as escolhas? No coaching, as escolhas são sempre do cliente. Uma função essencial do coach é de apoiar a desenvolver novas e mais eficazes formas de aprender e realizar para si.

Agora eu pergunto a você, leitor: se você tiver um espaço onde se sinta confiante a buscar alternativas, que o auxilie a examinar e explorar momentos de vida sem julgamento e ainda preserva o seu direito de escolha; você estaria mais comprometido com sua vida e encorajado a correr atrás de seus objetivos?

Pois isso é coaching. E é um mercado crescente porque existe a necessidade e tem apresentado resultados. E se considerarmos o cenário de crise, se torna altamente atrativo para quem busca oportunidade de atividade profissional, estando ou não preparado.

Então fica a todos nós o desafio da qualidade e responsabilidade nessa atividade, que como todas as atividades existentes, regulamentadas ou não, também tem impacto na vida das pessoas.

Se você é coach, eu o convido a buscar padrões mais elevados continuamente, reunindo melhor formação com a prática responsável e continuada. Fica a reflexão: que coach você deseja ser?

Se você é um potencial cliente, eu o convido a entender melhor o que é coaching. E quando for o momento de contratar um coach, busque evidências da qualidade e responsabilidade que você deseja nesse profissional, para fazer valer a pena o investimento, seja para si ou para a organização que você representa. Acredito que há grande diferença entre os muitos que se intitulam coaches. Existem os com e sem formação de coaching. Existem os com formação em escolas de longa tradição ou em escolas recém-criadas. Existem os que têm várias formações e os que pararam no tempo. Existem os com experiência prática recente e outros com larga experiência e recomendação de clientes. Então fica a reflexão: que coach você deseja contratar?

O mundo tem acesso a melhores técnicas de coaching e entidades de referência. Mas é necessário que elas sejam apropriadas pelas pessoas, seja quem pode exigir ou quem vai oferecer.

E independentemente da polêmica, o coaching veio para ficar simplesmente porque atende a determinadas necessidades humanas de desenvolvimento. No dia que perder o sentido, deixará de ser procurado.

Só posso dizer que amo o tema e me dedico a estudar continuamente, porque me abre um mundo de possibilidades para despertar e utilizar o meu potencial e dos muitos com quem me encontro na vida!

Eu acredito no coaching! E você?

Se você gostou do texto, compartilhe! Vamos construir um mundo melhor a partir de melhores informações e de ter um olhar para o construtivo. E isso não acontece isoladamente, mas com a soma de pessoas que acreditam!

Verdades sobre o Sucesso na Carreira

 

02E65972_peq.jpgDe onde vem a ideia de que sucesso traz a felicidade? E dinheiro então…

Você pode precisar de algum dinheiro para realizar o que deseja, mas de quanto dinheiro estamos falando? Até onde você iria para alcançar o dinheiro que deseja? Quais sacrifícios estaria disposto a fazer?

E quando pensamos nas pessoas de sucesso, é comum ouvirmos pessoas dizendo que gostariam de ser assim. Eu sempre penso comigo: será que gostariam se soubessem de toda a história? Porque sempre há mais do que conseguimos ver na história dos outros. E em todas as escolhas, também temos renúncias. Simplesmente a grama do vizinho pode parecer mais verde, mas se de fato for, quanto tempo e esforço foi destinado para que se mantivesse verde?

Ao longo da vida, colecionamos o nosso conceito de sucesso na carreira, que é muito influenciado pelo mundo que observamos à nossa volta. A geração dos meus pais acreditavam em dedicação e fidelidade. Entravam numa empresa pensando em fazer carreira. A minha geração acreditava em títulos. Se estudasse nas melhores escolas com muitos diplomas de pós-graduação, mestrado e doutorado, e quem sabe outros cursos, tinha mais chance de sucesso… A nova geração dá sinais de que não deseja sucesso… pelo menos financeiro… a qualquer custo. O sucesso parece estar na possibilidade de manter múltiplas atividades que incluem fazer o que gostam e ter muita interação seja virtual ou presencial (em geral ambos).

Mas será que o mundo mudou? Ou será que nós mudamos e o mundo é o resultado de nossas mudanças? Observe como aprendemos com as histórias à nossa volta e formamos o conceito do que queremos ou não queremos para nossa vida. E uma vez supridas algumas necessidades, passamos a ter outras.

Será que existe algum modelo de sucesso que nos sirva? Você conhece pessoas que parecem ter de tudo, mas a pessoa não se sente como exemplo de sucesso? Isso acontece mais frequentemente do que tomamos consciência. Por exemplo, você já viu pessoas com um dom e a pessoa acha que não é nada demais?

Para cada indivíduo, o sucesso é único. Temos o nosso conceito de sucesso mesmo que não saibamos conscientemente. E para identificar é necessário partir de quem nós somos e quem desejamos nos tornar.

Esqueça os outros. Comece a buscar a sua resposta. O que você precisa para sentir que é um sucesso? 

Por maiores que sejam os resultados na carreira, se você não estiver feliz, o preço pode ser caro demais. E quem disse que não pode ter sucesso fazendo o que gosta?

Faça um exercício de possibilidades. Olhe a sua volta, observe as pessoas com carreiras de sucesso. Quantas parecem convencidas do que fazem? E se observá-los, será que você não se convence de que há muitas maneiras de alcançar o sucesso na carreira? Encontre a sua e comece a viver que deseja!

Você pode pensar que não é fácil. E não é mesmo. Passamos a vida olhando para fora e não para dentro de nós. Passamos a vida acreditando que se fizermos muita coisa, passaremos a ter muita coisa, que nos levará a ser quem queremos ser.

Na semana passada, participando de uma nova formação em coaching, com Eliana Dutra e Melina Kunifas, dessa vez com acreditação ACTP pela ICF (International Coach Federation), ouvi o resumo do que acredito sobre esse tema.

E se o melhor caminho fosse começar com o ser? Ao ter clareza do ser, o próximo passo é ter somente o que faz parte da vida que deseja. E finalmente, fazer o que faz sentido.

SER -> TER -> FAZER

A clareza de quem queremos ser, provoca mudanças em como percebemos o mundo e nos relacionamos com tudo à nossa volta. Tudo se modifica, no pensar, sentir e agir. Você pode ser quem você deseja. Não espere para ser. Seja agora! Quer ser admirado pela inteligência? Como são as pessoas inteligentes? Quer ser bem relacionado? Como é ser bem relacionado? Quer ser uma boa pessoa? Como uma boa pessoa vê o mundo? No seu conceito, é claro!

Alcançar o sucesso na sua carreira e na vida está bem mais perto que imagina! Não espere para o amanhã, nunca se sabe se chegará.

Seja a sua melhor versão. Aprenda a apreciar e usar o seu acervo pessoal de talentos, habilidades, crenças e valores. Entenda os seus conceitos e escolha fazer o que tem sentido para você!

E SUCESSOS!

 

 

Você faz a gestão da sua carreira?

Businesspeople Having Meeting In Modern Open Plan Office

Na minha experiência profissional, de quem passou anos dando treinamentos e trabalhando com o coaching, aprendi bastante sobre pessoas e carreiras. E quero compartilhar o que fazer e o que não fazer, se o seu desejo for de crescer na carreira.

Mas antes, quero lhe dizer que mais do que aprender com as pessoas com quem trabalhei (e aprendi muito), aprendi igualmente com a minha vida pessoal. Eu mesma me incluo na lista daquelas pessoas focadas no trabalho que passava facilmente 14 horas num dia sem parar. Chegava a bater o ponto de saída, para não gerar mais banco de horas, e permanecer na empresa trabalhando.

E num certo dia, percebo que o meu esforço era cada vez maior para manter o meu grau de exigência, em todas as frentes, e eu estava perto do meu limite. E o meu acordar foi num processo de avaliação, quando apesar de bem avaliada, definiram que o aumento iria para outra pessoa. Na hora não entendi porque fiquei tão chateada, afinal de contas, o financeiro nunca havia sido o ponto mais importante para mim. Amava trabalhos desafiadores e conviver com pessoas de diferentes conhecimentos e experiências em todo o país. E isso eu tinha.

Precisei de ouvir nos corredores a conversa de como foi decidido o aumento para eu compreender o que estava me incomodando. O trecho foi mais ou menos assim: “não temos orçamento suficiente para todos. Além disso, ela não precisa de dinheiro, ela gosta mesmo é de trabalhar, o outro não vai ficar bem se não ganhar aumento “. Pouco a pouco, fui compreendendo que estava chateada pelo que isso significava: que o critério de escolha não era resultante do valor que eu produzia para a organização, como eu acreditava que deveria ser. E não importa qual o motivo, tinham que escolher e não fui eu a escolhida.

Naquele momento tomei a decisão de que precisava de assumir a gestão da minha carreira, para que fosse na direção que eu queria, combinando aprendizagem, desafios e resultados, todos relevantes para mim. E deixei de esperar que o reconhecimento fosse resultado exclusivo de um bom trabalho.

Se a sua carreira não está como deseja, é muito provável que você se concentra mais na ação que no planejamento. Você destina quase todo o tempo trabalhando e não tem tempo para fazer a gestão da sua carreira?

Pense na gestão da sua carreira como um instrumento poderoso para alcançar o que se deseja na sua vida profissional. Inclui a consciência, o planejamento e ação. A seguir apresento algumas perguntas para sua reflexão. O conjunto faz parte de um processo de gestão de carreira.

VISÃO DE FUTURO – O que você deseja para a sua carreira em 5, 10, 15 anos? E onde estará no final de sua carreira?

MOMENTO DE VIDA E CARREIRA – O que você mais valoriza na sua vida? O que você mais valoriza em empresas onde trabalhar? O que está faltando para ser realizado? Por qual mudança significativa você gostaria de começar?

O SEU CAMINHO PARA O DESENVOLVIMENTO – Por que ainda não chegou lá? O que tem impedido ou impede que alcance o que deseja? De quantas maneiras eu posso avançar para a minha visão de futuro? Que escolhas faço pela minha carreira? O que quero fazer quando sinto que não avancei? O que quero fazer para manter a consciência do processo de evolução?

Como utilizar o conjunto acima? Comece refletindo para responder. Estará criando a consciência. Definir o como fazer é parte do planejamento. E finalmente, entre em ação e aprenda com o processo. Isso é gestão de carreira. Revisite suas anotações de tempos em tempos para entender o que não está funcionando e para valorizar o que funciona. Algumas pessoas preferirão fazer sozinhos, outras, podem gostar de trocar ideias com amigos ou pessoas mais experientes. Alguns vão preferir ter o apoio profissional de um coach.

Lembre-se que você pode trabalhar muito e bem, mas nem sempre as pessoas sabem disso. Quando estamos concentrados demais no fazer, perdemos a capacidade de atenção ao que acontece à nossa volta, perdendo muitas vezes oportunidades, que podem não voltar… E a maioria das decisões na empresa, por exemplo de definir um gestor para um importante projeto, são tomadas muito rapidamente. E se você não é lembrado, não pode ser escolhido.

Então veja algumas dicas para abrir espaços nas empresas, se tornar necessário e ter crescimento na carreira:

  • Participe de grupos de trabalho e comitês multidisciplinares. É uma boa opção para que pessoas de várias áreas ou até de várias empresas tenham oportunidade de conhecer a sua capacidade.
  • Em momentos coletivos, não entre “mudo e saia calado”. Participe, contribua e apoie. Dê oportunidade para que pessoas lhe conheçam um pouco mais.
  • Destine tempo a ouvir sem pré-conceitos. Além de aprender temas variados, você aprenderá sobre pessoas. E as pessoas se sentirão respeitados e até valorizados por você.
  • Peça conselho aos mais experientes e em cargos superiores. Além da aprendizagem, eles saberão quem é você.
  • Preza por um bom relacionamento. Ninguém é de menos. Todos na empresa tem um papel. Para você ser valorizado, ajuda muito a percepção geral sobre você. E as organizações cada vez mais apreciam pessoas com bons comportamentos.
  • Adquira novos conhecimentos. Não se limite ao que já faz, por melhor que seja. Pois isso o limita a ser sempre referência naquele tema. Quanto maior for a sua versatilidade em trabalhar bem em vários ramos do conhecimento, maiores possibilidades de ascensão e reconhecimento. Além disso, você já conviveu com uma pessoa que sempre fala do mesmo assunto? Como é conviver diariamente?
  • Mostre que tem ambições. Saiba que quando é claro que você espera algo a mais, as pessoas tendem a corresponder às suas expectativas, lembrando de você quando surgem oportunidades que é a “sua cara”.

Antes de finalizar esse texto, tenha em mente: “FAÇA O QUE AMA, ou AME O QUE FAZ”. Você terá maiores chances de se destacar se viver esse conceito, pois por melhor que seja, se o trabalho é um sacrifício, não tem dicas que tornem possível e sustentável uma carreira feliz.

Escolha viver a vida que deseja. A escolha é sempre sua, assim como as consequências!

Faça todo o possível para ter a carreira que deseja e acredite: no mínimo estará avançando na direção desejada!

 

Você não vê a hora da sua carreira “decolar”?

No primeiro texto, dediquei a explicar um pouco sobre o coaching e para quem se aplica. Mas não se compreende o coaching na teoria. Então vou contar uma história real sobre desenvolvimento de carreira com o coaching.

Como coach, tenho apoiado o desenvolvimento de carreira em diferentes momentos e necessidades. E à primeira vista, parece contraditório que nem sempre os melhores profissionais, ou mesmo os mais dedicados, são os mais valorizados.

Já encontrei excelentes profissionais, que estão insatisfeitos com a carreira e às vezes com a empresa, porque não têm recebido o reconhecimento que desejam. É o caso de um dos processos do meu primeiro ano como coach que me traz saudosas lembranças. Vou chamar o cliente de Matheus, para preservar a sua privacidade. Mas você possivelmente encontrará semelhança em pessoas a sua volta.

Como o processo de coaching funciona?

Na nossa primeira conversa, o que o cliente-coachee me relatou foi que sabe da própria capacidade, mas por alguma razão, outros menos capazes são promovidos, como aconteceu em recente processo de avaliação e aumento salarial. A ideia inicial era se preparar para mudança de emprego, uma vez que não acreditava mais que a empresa saberia valorizar pessoas com a sua competência.

O ponto de partida era definir o foco do trabalho. A partir do que o cliente trouxe, perguntei se preferia trabalhar a mudança de emprego ou o reconhecimento profissional. O que de fato desejava alcançar? E após alguma reflexão, ficou estabelecido o foco de reconhecimento profissional, seja na mesma empresa ou em outra.

O próximo passo foi estabelecer o conceito pessoal de reconhecimento, assim como indicadores e metas. Após pedir para falar um pouco mais sobre o que é reconhecimento, perguntei: como você vai saber que alcançou o reconhecimento desejado? Nesse momento Matheus iniciou o exercício de possibilidades, que resultou nos seguintes itens, que ele se propôs a alcançar: ser indicado para liderar um projeto importante, ser consultado pela gerência nos processos de planejamento estratégico e ter ascensão profissional no horizonte de 1 ano (onde for).

Com clareza do que se almeja, é importante convidar o cliente a explorar o momento atual com o olhar curioso e sem pré-conceitos. É colocar-se como um observador diferente. E buscar os elementos importantes relacionados a seus objetivos.

Um momento relevante foi quando se refletiu sobre as evidências de que não era valorizado e em que contexto acontecia. Os relatos trouxeram importantes elementos e uma percepção ampliada. O processo de coaching, que é a parceria entre o coach e cliente-coachee, revelou já na segunda sessão, que não havia evidências de que as pessoas tinham consciência sobre a capacidade do Matheus. Isto porque, por questões de valores pessoais, o cliente fazia todo o possível para não falar ou mostrar sobre o que sabia. Acreditava que um bom trabalho fala por si. Só que as pessoas estavam sempre envolvidas no volume de trabalho e não havia espaços para troca de experiências e êxitos. Mas havia apoio ou intervenção superior quando o trabalho não saía.

Uma pergunta essencial foi: o que é necessário para que as pessoas o valorizem?

Nesse momento o meu cliente me disse, após um silêncio: eles não sabem que eu sei.

Então eu perguntei: como vão saber que você sabe? E ele revelou que não gosta de se colocar nas reuniões, pois as pessoas não gostam de opiniões diferentes. Acredita que sempre resulta em conflito.

Perguntei: Isso é uma crença ou um fato?

Quando trabalhamos para identificar os elementos associados, ele pôde identificar pessoas de seu conhecimento que conseguiam expressar opiniões até contrárias da maioria e não resultava em conflitos. Mais que isso, eram valorizadas na sua opinião. Esse foi o ponto de virada para construir a permissão interior de contribuir com o que ele tinha de melhor, sem temer por conflito; algo que agredia seus valores.

Aproveitamos esse precioso momento para refletir: o que essas pessoas fazem de diferente para ter esse resultado?

Como desdobramento, é chegado o momento de refletir e identificar de quantas maneiras o cliente pode alcançar o que deseja e qual a sua maneira escolhida.

Ao longo do processo, que teve ao todo doze sessões, ele foi descobrindo novas formas de mostrar o que sabia, tanto quanto ficava feliz em identificar novas formas de resolver problemas e construir soluções.

Como ganhos do processo, a curto prazo ele já estava sendo consultado pelo próprio gestor, não somente em planejamento estratégico, mas em vários temas e iniciativas novas e prioritárias para a área. Em poucos meses, assumiu liderança de um projeto que desejava como desafio e alcançou também a promoção financeira desejada.

O que ele concluiu foi que tudo acontece por algum motivo, mas nem sempre enxergamos com clareza. Ainda mais quando estamos envolvidos emocionalmente. E uma ajuda profissional de um bom coach pode lhe ajudar a melhor avaliar momentos, trazer perspectivas claras e possibilidades ainda não trilhadas. E o melhor: com o uso do próprio potencial em ação.

Isso é empoderamento! Isso é um processo de desenvolvimento pessoal e profissional sustentável, onde as pessoas se apropriam de quem são e como utilizar melhor suas capacidades. E de forma contínua, ampliam o autoconhecimento e trabalham para alcançar suas metas!

Como você deve ter observado, o instrumento principal de trabalho do coach são as perguntas, tendo como premissa a confiança, a confidencialidade e a verdade, para melhores resultados a favor de seu cliente! Muitas vezes, tudo o que precisamos é um ambiente seguro para descobrirmos alternativas para o que queremos.

Se você, assim como o Matheus, também tem a carreira como algo muito importante na sua vida e que ocupa um tempo significativo, faça valer a pena! Extraia o máximo de aprendizado e satisfação. Não se conforme em apenas passar o dia.

Você se identificou com essa situação? Quer saber mais sobre o coaching? Busque um profissional de coaching responsável e troque ideias. Quem sabe o coaching é justamente o recurso que faltava para o seu desenvolvimento pessoal e profissional?

 

Foto: Ingimage

 

Como saber se o coaching é para você?

Vamos começar definindo o que é coaching: “É uma parceria com os clientes em um processo criativo que instiga a reflexão e os inspira a maximizar o seu potencial pessoal e profissional (ICF)”.

O coaching proporciona importantes benefícios, tais como: empoderamento, maior consciência de seus padrões, melhoria de relacionamentos interpessoais, redução de stress, maior foco, menor dispersão de energia e maior produtividade.

O coaching abrange a vida pessoal tanto quanto a carreira. E com todos os evidentes benefícios, ainda assim, o coaching não é para todos.

Agora vamos às reflexões sobre você:

  • É uma pessoa que preza muito sua autonomia e o seu desenvolvimento é consequência de suas atitudes?
  • Busca o desenvolvimento contínuo porque acredita que temos sempre a evoluir?
  • É curioso e gosta de refletir sobre a vida?
  • Sabe que o autoconhecimento é chave para reconhecer e melhor utilizar seus talentos e pontos fortes?
  • Desafia-se a identificar novas perspectivas sobre situações?
  • Busca descobrir oportunidades e ampliar horizontes?
  • Assume responsabilidade sobre a sua vida?

Se você se identificou positivamente com o conjunto de perguntas acima, muito provavelmente você vai se identificar com a abordagem de coaching.

Mas é importante se perguntar se é o momento para você.

É preciso estar disposto a refletir, ampliar o olhar e experimentar fazer o diferente. É preciso ter tempo para si. Sem a dedicação do cliente coachee, o processo de coaching pode ter o melhor profissional e ter resultados modestos.

Se a sua conclusão for de que é o momento de viver essa experiência com todo o potencial que pode proporcionar, o próximo passo é selecionar um profissional adequado para você. Leve em consideração os seguintes aspectos:

  1. Empatia. Se não está à vontade com o coach, procure outra opção.
  2. Ética. Saiba se o profissional segue algum código de ética e se está declarado no contrato a confidencialidade.
  3. Formação. Veja se o profissional tem a formação por uma escola de referência ou uma credencial de acreditação por uma entidade neutra e de reputação no mundo.
  4. Experiência. Busque informações sobre experiência anterior do profissional, tipos de trabalho e resultados. Também é muito relevante recomendações de pessoas de sua confiança que já fizeram o processo de coaching com o mesmo profissional e saiba mais.
  5. Capacidade de Escuta. Certifique que o coach efetivamente lhe escuta e leva em consideração o que você apresenta.
  6. Comprometimento. O profissional deve estar comprometido com o processo de coaching. Deve lhe esclarecer sobre o processo de coaching, os papéis que cabem às partes e as regras do relacionamento de coaching.

Agora que você já sabe se o coaching é para você nesse momento de vida, desejo que possa sempre lembrar que a vida é breve e que buscando ou não apoio, faça valer a pena todos os momentos! Nunca se sabe se teremos novas oportunidades.

Uma vida significativa depende do quanto estamos dispostos a assumir o papel principal!

Que tenha a coragem de escolher viver a vida que deseja!

 

Foto: Shutterstock.