Você rejeita ter esperanças?

Dizem que a esperança é a última que morre. É como um facho de luz que insiste em escapar pela fresta da porta, para alcançar o quarto mais escuro, prometendo que o dia ainda não terminou. E nos acalenta a expectativa de que dias melhores virão.

Quem não teve em algum momento a esperança na realização de algo desejado?

É justamente esta esperança que nos impede de desistir de sonhos, objetivos de vida e até de relacionamentos…

E é nesse período de virada de ano que fico refletindo ainda mais sobre a natureza humana, sobre os anseios e dúvidas sobre o futuro, mas também sobre o que realmente quero para os próximos anos. E através deste texto eu o convido a refletir comigo sobre a presença da esperança e a importância do seu transbordamento na construção de um caminho do seu jeito para os próximos anos da sua vida.

Este texto também se trata de uma reflexão mais profunda e sensível sobre a essência do que é ser humano, a busca da felicidade e plenitude, e como lidamos com as nossas limitações, dilemas internos e contextos externos.

Se este ano que se inicia não for um ano melhor, que você possa pelo menos estar acompanhado de mais inspiração e amparado por resiliência.

Antes de avançar, permita-me te contar pequena história sobre como cheguei na esperança.

Sou uma pessoa de planejamento e nem tanto de esperança. Acredito em fazer acontecer e não em torcer para acontecer.

Por natureza, tenho visão mais sistêmica e pensamento crítico. Já fui gestora de projetos e gosto de desenvolver estratégias e antecipar passos. Talvez eu tenha um lado romântico, ou talvez deva chamar de otimista com relação à vida (sei que nem tudo é só lógica). Mas também sou daquelas pessoas que ao longo de toda a vida, manteve-se na fase dos porquês. Sigo curiosa, observando, perguntando e aprendendo… Sei que não sei tudo, e que nem tudo é explicado pela lógica, pelo menos a curto prazo.

Eu tenho a necessidade de entender e persigo respostas. Até para aprender e memorizar, se entendo, é bem fluído e ágil. E para entender, aprofundo em significados e contextos. Saber o porquê das coisas me traz maior confiança e coragem para qualquer desafio.

E na busca de respostas, refletindo, pesquisando e procurando pelos porquês… é uma sensação maravilhosa quando as ideias se conectam e tudo faz sentido para mim (o que muitos chamam de “momento aha”).

Então a minha tendência, como a de muitas pessoas que se consideram racionais, é subestimar o poder da esperança e superestimar dados, fatos e o que é mais tangível.

A esperança não parece ser coisa para os racionais. Mas o que aprendi é que não se trata de querer ou não. Em algum momento da sua vida, você terá esperanças. Você terá expectativas de que algo bom aconteça e são evidenciadas pelas decepções quando não se alcança o que esperava. Mas podem ser recompensadas quando se concretizam.

A esperança é inseparável do ser humano e habita em nós sem convite. Alguns negam a sua presença, menosprezam ou refutam, mas ela teimosa, persiste presente.

Há outros que supervaloriza e pesam sobre ela boa parte dos resultados da vida, mesmo que não esteja fazendo quase nada para contribuir.

Por ser de natureza mais estruturada e racional, eu precisei de encontrei com reiteradas evidências da força da esperança para entender o valor e acolher feliz. Passei a perceber que me energiza e impulsiona a persistir, e me torna mais resiliente às decepções porque aprendi que a expectativa de tempo é minha. E se ainda não alcancei, talvez precise de um pouco mais de tempo. Posso estar vendo um ponto final, quando na verdade, cheguei na vírgula.

Reconhecer a função da esperança em mim me livrou do fardo pesado do dever da ação pela ação, criando a expectativa de que coisas boas podem acontecer se tiver ações coerentes com o que desejo. E as minhas conclusões não vieram somente da experiência com meus clientes ao longo de 14 anos, desenvolvendo pessoas. Vieram principalmente da minha curiosidade e busca pela resposta para uma importante questão para mim: porque algumas pessoas persistem mais até alcançar o que desejam, enquanto outras desistem nos primeiros obstáculos, muitas vezes transponíveis? Essa curiosidade foi motivada inicialmente por um incômodo trabalhando em um projeto social chamado de “Desenvolvimento de Jovens Líderes“, que tem por foco jovens entre 18 a 26 anos, de renda pessoal e familiar mais baixa. Visa proporcionar oportunidade para uma formação robusta, e é 100% gratuito aos participantes. Parece bom demais, certo? Mas por que havia uma taxa de desistência, muitas vezes por barreiras que surgiam na vida dos participantes, mas na grande maioria, facilmente contornáveis?

Este projeto é realizado pela união de esforços de muitos profissionais experientes de mercado e no total foram 12 edições anuais, com centenas de jovens. E tivemos o prazer de acompanhar grandes saltos e mudanças de vida e carreira. Mas também observamos um número significativo de desistências antes de que se alcance resultados. A pergunta que não quer calar continua sendo: por quê? Resolvemos aplicar uma pesquisa, incluindo formulários mais entrevistas em profundidade, com um número expressivo de jovens. Queríamos entender o que fazia alguns entrarem em ação e persistir mais do que outros. E estava claro que quem se colocava mais em ação, conquistava mais (do que desejava).

Os meus maiores aprendizados sobre a esperança vieram desta pesquisa, que evidenciou a esperança é o elemento presente que distingue os que tem mais êxito dos que que sequer se permitem tentar porque não tem esperança (ou não se permitem ter) de dias melhores. Passaram boa parte da vida dizendo para não ter esperança para não se decepcionar. Ou pior, não ter esperança porque aquilo (que deseja) não é para si. É para quem nasceu em condições mais favoráveis.

Em conclusão: a esperança coloca uma lente otimista, amplia a autoconfiança e aumenta a energia, que permite persistir e enfrentar melhor os obstáculos até alcançar o que acredita que tem chances de alcançar. Acreditar que pode decide “o jogo”.

O aprendizado com centenas de jovens ao longo destes anos foi extremamente rico e me trouxe um profundo sentimento de realização em paralelo com o meu trabalho com os clientes. Mas é tema para ser melhor compartilhado em um outro momento.

Se o tema deste texto já cutucou com a sua curiosidade, continue até o fim. Vai te trazer muitos insights ao longo da leitura até o final.

Para quem este texto é especialmente útil?

Se você também é uma pessoa curiosa, às vezes reflexiva e que está em busca de inspiração para o Novo Ano que se inicia, esse texto é para você.

Se você é uma pessoa de planejamento e está no momento de pensar na sua visão de futuro e metas para os próximos anos (que efetivamente te engajem), uma reflexão mais aprofundada e um pouco de inspiração com este texto não fará mal.

O que esperança tem a ver com o seu futuro?

A grande lição é que quem tem muita esperança não costuma desistir do que deseja. E ao persistir, muitas vezes alcança.

Eu te pergunto: quantas vezes por não acreditar que você consegue, nem tentou? E tem como saber se é possível, sem nem tentar? Que portas já fechou para si ao desistir antes de saber se era possível?

Vamos refletir sobre alguns exemplos:

  • Você já deixou de se candidatar a alguma vaga por acreditar que não tem chance?
  • Já teve vontade de abordar uma autoridade, mas acredita que não conseguirá a sua atenção?
  • Já quis ser palestrante ou escritor, mas nem tentou porque não acredita que seja capaz?
  • Já deixou de conquistar novos amigos, porque pensou que não tem nada a ver ficar abordando as pessoas que tem mais o que fazer do que te ouvir?
  • E quantas pessoas não estariam casados se não tivessem dado o primeiro passo?

Reitero: a esperança é que nos encoraja a agir, insistir e não desistir.

Mas por que somos cautelosos para alimentar as nossas esperanças? Algumas pessoas acreditam que se não tiverem expectativas, não terão decepções. Pensando no ser humano, enxergo nessa lógica duas missões impossíveis. O primeiro é não ter expectativas. Independentemente de sua vontade, todos tem alguma expectativa, mesmo que não seja consciente. O segundo é que em algum momento você se decepcionará porque as coisas não acontecem sempre do seu jeito e no seu tempo. Não existe garantia de realizar tudo, mesmo que tenha o melhor planejamento do mundo. E se colocamos alguma energia e não realiza, como evitar a decepção?

Será que precisamos mesmo de fugir da decepção, como se fosse algo possível? Para mim, a decepção é sinal de que ainda não cheguei lá. De que tem mais que ainda desejo alcançar e tenho horizonte futuro. E isso é ter perspectiva. É sentir-se vivo pulsando por algo e não se limitar a apenas sobreviver.

Vamos falar mais sobre o receio de ter esperança e como muitas vezes somos o primeiro a bater a porta na própria cara.

O que acreditamos determina o que nos permitimos tentar. Este é um dilema humano. Para não se decepcionar, preferimos acreditar que não nascemos para isso, que não somos bons naquilo e que não é o momento para tentar. São muitos os mecanismos para evitar frustrações, decepções e fracassos. Mas existe um princípio universal: o plantio vem antes da colheita.

É preciso plantar, mas para você plantar você precisa acreditar que vai gerar frutos (ou acreditar que precisa fazer porque não tem opção). E se as suas crenças estão cortando as esperanças pela raiz… Você terá menos forças para lidar com barreiras que todos encontramos, volta e meia, na vida.

E as Crenças não são necessariamente verdades. Mas por acreditar, torna-se a sua verdade. E como consequência tem impacto em suas ações e na sua vida, impulsionando ou limitando o seu campo de visão, o que se permite tentar e as suas escolhas.

Apesar disso, as crenças não precisam ser determinantes do que você pode alcançar para o futuro. Você pode escolher desafiar aquelas que te limitam buscando converter o “não” em “sim”.

Sempre que eu me pego pensando em “isso não é possível”, mudo a frase para “Isso pode ser possível se…”

E por mais que você duvide de si, por alguma razão, algumas vezes temos uma voz da esperança nos lembrando de tentar. E pode ter uma presença tão forte quanto aquela réstia de luz que teima em passar pela frestinha da janela como uma promessa que a história ainda não acabou.

Há algum tempo que o tema esperança me desperta a curiosidade. Todos os estados emocionais tem um impacto nas pessoas, sejam positivas ou negativas. Mas a esperança me parece a mais poderosa força para que as pessoas enfrentem positivamente as dificuldades que encontram.

Você sabia que em várias culturas é frequentemente representado por muitos símbolos? Os que mais gosto são a Flor de Lótus e a estrela cadente.

A Flor de Lótus é uma flor elegante e delicada que simboliza superação, pureza e renascimento por sua capacidade de florescer em águas lamacentas.

A estrela cadente, que na verdade é um rastro luminoso de um pequeno fragmento de um meteoroide em alta velocidade, simboliza o renascimento, as mudanças e a iluminação.

E fico me perguntando de onde vem… Será que ter esperança é sempre bom? Até que ponto a esperança se transforma em mera teimosia? Será que algumas pessoas já nascem com mais predisposição para alimentar esperanças ou é cultivável?

E como pessoal racional que sou (boa parte do tempo), não podia deixar de pesquisar. E na minha busca por respostas e mais balizamento, encontrei alguns estudos e livros muito interessantes sobre o tema. Compartilho a seguir dois que me chamaram mais a atenção. Se você é mais do tipo racional como eu, pode querer entender mais sobre a ciência da esperança.

Psychology of Hope: You Can Get Here from There (edição em inglês), por C.R. Snyder. Em tradução livre o título é “A Psicologia da Esperança”. Neste livro o autor fala sobre como as pessoas com alta esperança estabelecem metas claras, imaginam múltiplos caminhos e acreditam na sua capacidade de perseverar, mesmo diante de obstáculos. Também oferece um teste para medir traços de personalidade relacionados à esperança, além de dicas sobre como cultivar a esperança.

Learned Hopefulness: The Power of Positivity to Overcome Depression (edição em inglês), por Dan Tomasulo. Em tradução livre o título é “A Esperança aprendida”.

Este livro oferece exercícios fundamentados na psicologia positiva e comprovados cientificamente. Fala sobre a importância de conhecer os pontos fortes e livrar das crenças limitantes para majorar a capacidade de ser positivo e aumentar seus sentimentos de motivação, resiliência e bem-estar. E ensina a desvencilhar da ruminação sobre eventos negativos do passado, mudando sua perspectiva para o momento presente e antecipando seu futuro com uma visão mais positiva.

Sim, porque a esperança também se cultiva e amplia.

Se você se identificou como alguém que vive dizimando ou ignorando as próprias esperanças, quem sabe, estes livros te fazem mudar a sua perspectiva.

Sei que não ter o livro em português pode ser um limitante, mas atualmente há muita tecnologia que ajuda a superar a barreira de língua. E tenho a esperança que encontrará a ajuda que precisar, se quiser decifrar mais o tema. E claro, estou por aqui para trocar ideias.

Agora que o papel da esperança ficou mais claro, convido a olhar para o futuro: Que esperanças você tem para que o próximo ano? Ou talvez eu deva perguntar que objetivos você tem esperança de alcançar nos próximos anos?

O ponto é: não tenho dúvidas do poder da esperança, mas se limitar à ela é retirar-se do protagonismo da própria vida e tirar as chances da vida ir na direção do que deseja. É preciso aproveitar o movimento que a esperança convida dentro de cada um, para manter o impulso com ações concretas que ajudem a avançar na direção dos objetivos.

Mas ações sem clareza de direção, não alcançam os objetivos. Por isso, gosto de estimular que as pessoas tenham um tempo de qualidade para o planejamento. Não precisa necessariamente ser nada muito estruturado e demorado, mas uma reflexão de qualidade pode fazer muita diferença.

Dê uma força às suas esperanças com um planejamento. Só você sabe o que realmente é importante para você.

Uma dica essencial: planejamento tem que ser realizável. Então seja mais simples, concentrando em menos itens, que sejam realmente importantes para você. Nem pense no conceito de sucesso dos outros. A vida é sua.  Mas não planeje o que não tem esperança de realizar, não terá a energia para enfrentar barreiras. Mas é sempre possível descobrir o que precisa para ter esperanças… Mas se tiver um pouco que seja, foque em demover os empecilhos. Tenha em mente que nenhuma barreira é grande o bastante se o seu sonho for maior.

Se puder te sugerir algo, que funciona para mim, imagine-se daqui a 1, 2 e 3 anos. Nada muito longe para você. E comece com a sua visão de futuro, do que quer SER (quem terá se tornado idealmente), TER (bens, certificações, títulos…) ou ESTAR FAZENDO (estilo de vida).

Tudo está muito dinâmico. Planejar é tirar tempo de qualidade para pensar no que realmente importa para você e buscar um pouco de clareza sobre o que deseja realizar ou conquistar (mesmo!) e possíveis e melhores caminhos.

Pensar em um plano de ação, com possíveis opções de como realizar é válido, mas descomplique. Não se trata da quantidade de ações, mas de quais geram melhor impacto em encurtar o caminho entre hoje e o futuro desejado.

Ainda mais quando o planejamento é para você. Pense simples e seja seletivo, pois o tempo é limitado. E você não quer criar um mecanismo de decepção recorrente. Foque nas conquistas mais valiosas que farão o seu ano valer a pena. Não foque em quantidade, que o manterá muito ocupado, mas não necessariamente produtivo e feliz.

Eu gosto de utilizar a metodologia OKR (Objective and Key Results), adaptada e simplificada para a minha realidade. E sempre reflito conjuntamente a minha vida pessoal e profissional porque disputam o mesmo tempo que tenho. Proporciona clareza quando planejado. E serve de instrumento de acompanhamento e reflexões para aprendizados. E gosto de estabelecer alguns “milestones”, que são basicamente os grandes gols que desejo conquistar ao longo do caminho, definindo a data para estes.

Este texto não é sobre planejamento, mas como dar vida longa à esperança, sem viver só dela. Então não aprofundaremos na metodologia OKR, mas caso tenha interesse em saber mais, deixo como referência o autor John Doerr e o seu livro “Avalie o que Importa”. E este livro tem a versão em português.

Para fechar a ideia de planejamento, deixo algumas dicas para você:

  • Avalie bem o tempo necessário e bloqueie a sua agenda, ou viverá de esperança de que amanhã recuperará o que não fez hoje. E costuma ser irreal.
  • Imprevistos acontecem. Não planeje os seus dias lotados. Deixe espaços para ter a opção de resolver imprevistos se forem importantes, sem precisar de desmontar a sua agenda.
  • Estas mesmas janelas de tempo “sobrando” também são úteis para aproveitar oportunidades raras que você quer aproveitar.
  • Mas tenha em mente que o tempo continua sendo limitado e você precisa ser bom em definir as suas prioridades colocando o que é importante primeiro, ou nunca terá tempo suficiente para realizar os seus maiores sonhos e objetivos.

Antes de terminar, quero compartilhar uma pequena parábola, que espero trazer inspiração para o seu planejamento.

“O Agricultor e a Seca

Uma seca terrível castigou a terra. Todos abandonaram os campos, menos um agricultor que continuou lavrando e semeando.

“Estás louco?”, diziam. “Não chove há meses!”

Ele respondia: “Se eu parar de preparar a terra, quando a chuva vier não estarei pronto para receber a colheita.”

Anos depois, quando as chuvas voltaram abundantes, só ele teve campos prontos para dar frutos.

A esperança não é esperar a chuva sentada; é preparar a terra para quando ela chegar, na confiança de que uma hora chegará.”

Todos queremos estar preparados para quando a oportunidade aparecer. Eu espero que neste ano que se inicia, você dê voz às suas esperanças. E mais do que tudo, reforce as esperanças com planejamento de qualidade e ações concretas.

Que ao final deste ano, antes do próximo Ano Novo, você possa revisitar o seu planejamento, celebrar as realizações e conquistas, e constatar a importância da presença amiga da esperança, te apoiando nas batalhas e encorajando a prosseguir ao longo de todo o ano.

Dê boas vindas às suas esperanças, mais que isso, alimente, sinta e viva a esperança, porque ela te faz persistir no que ninguém mais está fazendo. Mas não a utilize como zona de conforto para não agir. A esperança te dá senso de certeza e energia, o planejamento te dá maior clareza e estrutura, e as ações concretas tem o poder de transformar a sua realidade e aproximar do que você deseja realizar!

Feliz Ano Novo!

#Esperanca #Otimismo #Futuro #Planejamento #OKR

Reflexões sobre o Coaching, uma profissão ainda não regulamentada

shutterstock_531851893
Banco de Imagens por assinatura: Shutterstock

Esse texto é dedicado a pessoas que buscam formar suas próprias convicções sobre o tema coaching e procuram informações consistentes para sua análise. A minha pretensão não é estar certa ou errada, mas contribuir com a reflexão de um assunto que tem tido crescente interesse da mídia e da população como um todo, no entanto, ainda reside tanta polêmica.

É importante deixar claro, que todas as minhas colocações aqui, não representam a voz de nenhuma instituição, citada ou não, mas de uma coach dedicada a buscar continuamente a excelência no que faz.

Começo então com a pergunta: a profissão de coaching é ilegal? Não. A base legal da ilegalidade é: “Exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce, sem preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício.” Pergunto: como pode ser ilegal se ainda não há lei que subordine o seu exercício?

É necessário a regulamentação da atividade de coaching para que seja exercida? Também não. Muitas atividades praticadas, tem reconhecimento da existência em algumas legislações e enquanto atividade econômica, recolhem impostos, mesmo as não regulamentadas enquanto profissão. Observando a história, a atividade começa primeiro por alguma necessidade no mundo. E à medida que se crescem seus impactos, podem vir a ser regulamentadas ou não. No Brasil, o percentual de profissões não regulamentadas segundo algumas pesquisas, ultrapassa a 95%.

A profissão coach atua em funções privativas ao psicólogo? Não deveria. O fato de necessitar de conhecimentos comuns não o qualifica como mesma forma de atuação. Se o psicólogo tiver matérias de sociologia, o torna sociólogo ou alguém que pratica a profissão de sociologia? Se na formação de marketing ou licenciatura tiver matérias de psicologia, significa que haverá exercício ilegal da psicologia? Penso que se existe na grade curricular determinada matéria é porque o conhecimento é importante para o futuro profissional, mas o que distingue é como utilizará o conhecimento na prática profissional. O uso de conhecimentos diversos para melhor apoiar a prática da sua própria atividade profissional, com fronteiras específicas, sem assumir funções privativas de outras profissões, é legítimo.

Essa reflexão me levou a pensar se a origem de muitos entendimentos precipitados e equivocados não seria na falta de conhecimento do que é Coaching e o que não é Coaching.

Adicionalmente, talvez não esteja claro que maus profissionais existem em qualquer atividade, seja regulamentada ou não. Isso não deveria desqualificar a atividade, mas àqueles que não adotam as boas práticas ou desrespeitam a Lei.

Então vamos entender um pouco melhor o que é coaching. Na ausência de regulamentação no país, eu me baseio em padrões e instituições de credibilidade internacional. Segundo ICF – International Coach Federation, uma instituição sem fins lucrativos e fundada em 1995, considerado um recurso mundial de informações e pesquisas sobre o coaching: “Parceria com o coachee através de um processo provocativo e criativo que inspire a maximizar o potencial pessoal e profissional”. Denomina-se coachee a pessoa que está sendo atendida pelo profissional coach.

Também conforme a ICF, o que não é coaching: a) Consultoria; b) Terapia; c) Aconselhamento. O Código de Ética da ICF e o documento intitulado 11 Competências Fundamentais de Coaching (Core Competences), são bases de excelência para a atividade e define o conceito e fronteiras. E um documento base intitulado 10 Indicadores (Top Ten Indicators to Refer a Client to a Mental Health Professional) orienta seus associados coaches a convidar o seu cliente a procurar ajuda de profissionais de outras especialidades, quando alguns indícios são observados, levando a refletir se o que ele precisa pode não ser coaching.

Vamos deixar claro. O coach não diagnostica, não aconselha, não dá orientações e nem dá soluções. O coach proporciona condições para que o cliente identifique e utilize melhor recursos internos que já têm e por qualquer motivo, não têm utilizado para alcançar seus objetivos. Como exemplo, vou citar hábitos, que todos temos. Os hábitos são desenvolvidos em algum momento para “facilitar” a nossa vida. Fica mais fácil e automático fazer algo que queremos ou precisamos de fazer. Mas a vida segue e mudanças acontecem, tanto no cenário à nossa volta, quanto internamente passamos a querer mais e até novas coisas. Alguns hábitos ajudam a nova realidade, outros poderão ser entraves. O que o coach faz? Pergunta de que forma o cliente percebe que o hábito influencia nos objetivos futuros.

Agora convido-os a ampliar o olhar para entender porque o coaching funciona. O Coaching trabalha com o cliente 3 elementos essenciais: confiança, consciência e escolha. Vamos clarificar. Sem confiar em si o cliente não buscará soluções diferentes e limitará ações, o que limita resultados diferentes na sua vida. Mas confiança sem consciência de si e fatos que afetam a sua vida, limitará a qualidade de suas ações. A consciência é primordial para que o cliente aprenda com a própria experiência e melhore as futuras escolhas para si. Por isso muitas técnicas e ferramentas trabalham para ampliar a consciência como base fundamental para encontrar as opções e fazer escolhas. Mas de quem são as escolhas? No coaching, as escolhas são sempre do cliente. Uma função essencial do coach é de apoiar a desenvolver novas e mais eficazes formas de aprender e realizar para si.

Agora eu pergunto a você, leitor: se você tiver um espaço onde se sinta confiante a buscar alternativas, que o auxilie a examinar e explorar momentos de vida sem julgamento e ainda preserva o seu direito de escolha; você estaria mais comprometido com sua vida e encorajado a correr atrás de seus objetivos?

Pois isso é coaching. E é um mercado crescente porque existe a necessidade e tem apresentado resultados. E se considerarmos o cenário de crise, se torna altamente atrativo para quem busca oportunidade de atividade profissional, estando ou não preparado.

Então fica a todos nós o desafio da qualidade e responsabilidade nessa atividade, que como todas as atividades existentes, regulamentadas ou não, também tem impacto na vida das pessoas.

Se você é coach, eu o convido a buscar padrões mais elevados continuamente, reunindo melhor formação com a prática responsável e continuada. Fica a reflexão: que coach você deseja ser?

Se você é um potencial cliente, eu o convido a entender melhor o que é coaching. E quando for o momento de contratar um coach, busque evidências da qualidade e responsabilidade que você deseja nesse profissional, para fazer valer a pena o investimento, seja para si ou para a organização que você representa. Acredito que há grande diferença entre os muitos que se intitulam coaches. Existem os com e sem formação de coaching. Existem os com formação em escolas de longa tradição ou em escolas recém-criadas. Existem os que têm várias formações e os que pararam no tempo. Existem os com experiência prática recente e outros com larga experiência e recomendação de clientes. Então fica a reflexão: que coach você deseja contratar?

O mundo tem acesso a melhores técnicas de coaching e entidades de referência. Mas é necessário que elas sejam apropriadas pelas pessoas, seja quem pode exigir ou quem vai oferecer.

E independentemente da polêmica, o coaching veio para ficar simplesmente porque atende a determinadas necessidades humanas de desenvolvimento. No dia que perder o sentido, deixará de ser procurado.

Só posso dizer que amo o tema e me dedico a estudar continuamente, porque me abre um mundo de possibilidades para despertar e utilizar o meu potencial e dos muitos com quem me encontro na vida!

Eu acredito no coaching! E você?

Se você gostou do texto, compartilhe! Vamos construir um mundo melhor a partir de melhores informações e de ter um olhar para o construtivo. E isso não acontece isoladamente, mas com a soma de pessoas que acreditam!

Você está realmente “Presente” na sua vida?

shutterstock_226983934_peq.jpg

Esta é uma reflexão sobre a qualidade de vida. Sobre escolhas e sobre realmente vivenciar os momentos em vez de estar sempre em correria e já pensando na próxima atividade. Penso em como os relacionamentos se “empobreceram” com a falta da presença. E com o tempo… até nos perdermos de quem nós somos, por estar mais conectado em FAZER do que em SER.

Quantos instantes preciosos simplesmente passam porque não estávamos atentos?

Veja se você já se viu em algumas dessas situações:

  • Você já se percebeu com pessoas à sua volta e não tinha a menor ideia do que estava sendo falado?
  • Já se pegou rindo de uma piada que não entendeu?
  • Já passou por amigos num shopping, sem ver porque estava imerso em seus pensamentos?
  • Já segurou um livro passando os olhos nas letras sem absorver?
  • Lembra-se de ter trabalhado horas e até dias em cima de um projeto e seu chefe lhe diz que entendeu tudo errado?
  • E o que você faz quando é sua filha que diz: olha para mim!

A vida pode estar passando enquanto nos distraímos. E fica o sentimento de que não aproveitamos bem o tempo.

Nem sempre mais é realmente mais. Às vezes para SER MAIS, é preciso FAZER MENOS. E como resultado: VIVER MELHOR!

Seja pelo prazer ou pelo desempenho, estar presente vai aumentar a sua qualidade de estudo, de trabalho, nos relacionamentos e na diversão. Mas como chegamos nessa situação de viver sem estar realmente presente na própria vida? 

À medida que ampliam opções e recebemos uma quantidade muito maior de informações e até de oportunidades, proporcionalmente parece ter aumentado a ansiedade em não perder nada. Aquela cobrança em conseguir fazer e ter mais e mais. Nada errado em batalhar por melhores condições para o seu futuro, mas será que é um bom preço se for a custa de qualidade no momento presente?

O que você pode perder enquanto a vida passa? Afinal, num instante, temos mais idade, não temos mais disposição, as crianças crescem, os amigos se mudam, etc…

Mas criamos muitos mecanismos na expectativa de caber mais, que nem percebemos que não registramos mais o que vale a pena.

Nesse ponto, quero levantar a questão de escolhas. Muitas vezes não escolher o que é prioridade para nós, também é uma escolha. Se você não pondera e faz escolhas, fica mais fácil basear na esperança, de que vai sempre caber mais algo. E o foco se torna quantidade e não o que é mais importante.

Você conhece alguém que não tem nenhum horário livre na agenda, como se fosse possível não ter imprevistos? Você conhece alguém que está num restaurante com a família, mas não larga as redes sociais no celular? E pessoas que fazem tanto curso, mas mal tem tempo para colocar em ação algo novo que aprendeu?

As perguntas que naturalmente vem à mente: para que planejar uma agenda que não tem como cumprir? E se não o tempo não der, o que vai ficar de fora é o menos importante? Para que estar com corpo presente em um grupo e a mente em outro? Para que se estuda tanto, se não der tempo de usar os novos conhecimentos?

Uma vez ouvi de alguém muito sábio: tenha apenas o que você precisa. E faz muito sentido, porque tudo se paga com horas de vida. Se gasta tempo para ganhar dinheiro e compra algo que não precisa, ainda assim, o que comprou lhe custou horas de vida!

Mas você pode estar pensando: é mais fácil falar que fazer. E não tenho menor dúvida disso, em especial se você estiver vivendo a mil por hora, “pedalando o mundo”.

Mas se você quer ter qualidade de vida, deve aprender sobre duas coisas: fazer escolhas e ter presença.

Ao aprender a fazer melhores escolhas para si, vai perceber que se torna mais fácil aproveitar o momento e estar presente. Mas como se faz melhores escolhas? Fazendo!

Como assim? Fazendo? Isso mesmo. Coloque-se em ação para fazer escolhas pela sua vida sempre que tiver mais de uma atividade disputando a sua atenção. E observe a medida que faz suas escolhas, o que fez sentido e o que faria diferente na próxima vez. É um processo de consciência e de assumir a responsabilidade pelo que é melhor para si.

Um recurso que pode lhe ajudar a se situar em reflexões e pensar sobre suas prioridades é o volume “Meu Outono, Minhas Escolhas“, do MyActionBook. É de minha autoria e pode lhe ajudar a se conhecer e melhor entender o que é importante para você.

Mas saiba que mesmo quando se escolhe e quer estar presente, nem sempre é simples. Às vezes tem simplesmente muitas interferências na sua mente, que você não consegue calar. Fica inquieto, distraído e até ansioso. Isso quando não alimenta raiva ou angústia por algo que às vezes nem aconteceu, mas na nossa imaginação, só de imaginar que poderia acontecer, já se expandiu e a emoção tomou conta.

Saiba que se você quer aprender mais e desenvolver a capacidade de estar mais no presente, é possível. Não importa qual tarefa, você pode estar mais presente na sua caminhada, brincando com sua filha, tomando um café, fazendo o seu trabalho ou lendo. Não importa o que, é possível se você estiver disposto a mudar.

Um termo em inglês que vem sendo cada vez mais objeto de pesquisa é Mindfulness, traduzido como Atenção Plena. O chamado Mindfulness conta com evidência científica e comprovada eficácia, surgiu na Universidade de Massachussets por volta dos anos 80. Atualmente, em todo o mundo existem estudos e escolas que disseminam suas práticas, como forma de trazer qualidade de vida e redução do stress. Uma grande referência no mundo é La Universidad de Zaragoza, na Espanha, que oferece o Master de MindFulness. Um centro de referência no Brasil é a Mente Aberta Mindfulness Brasil. Mas se você busca uma leitura consistente, conheça o livro Atenção Plena – Mindfulness – Como encontrar a paz em um mundo frenético, de Mark Williams e Danny Penman, encontrada nas principais livrarias do Brasil em português.

O que se pode aprender de interessante com este tema? Muita coisa! Em primeiro lugar, estado de atenção plena é algo simples, mas nem por isso fácil de alcançar. Estar desperto e consciente do momento presente não parece acontecer naturalmente num mundo hiper-conectado e de cobranças em que vivemos. Imagine como seria a sua vida se você tivesse maior presença com as pessoas, numa entrevista de emprego, na preparação para uma prova, na elaboração de orçamento de projeto e até doméstico!

Nesse livro, você poderá aprender sobre como acontecem as muitas interferências na nossa mente e como interferências emocionais acontecem. Por exemplo entender que emoções são feixes de pensamentos, sentimentos, sensações físicas e impulsos para agir. Ao se observar terá oportunidade de registrar como se processa em você.

Poderá aprender várias técnicas para conectar-se com o momento presente, que incluem meditação (vem com CD), mas não somente.

Para mim a maior contribuição está numa parte singela, mas profunda na página 36: Mudar sua perspectiva pode transformar sua experiência de vida, seja por um ponto de vista diferente ou por um ponto diferente no tempo. O livro traz evidências e técnicas para mudar a “paisagem interna” ou também conhecido como “paisagem mental”, de forma que você possa deixar de depender das circunstâncias externas para encontrar a felicidade, o contentamento e o equilíbrio. Em resumo: a atenção plena surge espontaneamente do modo Existente quando aprendemos a prestar atenção deliberada, no momento presente e sem julgamento nas coisas como de fato são.

Faça uma experiência de atenção plena e veja como o mundo se transforma quando você presta mais atenção nele. Escolha uma tarefa simples que faz volta e meia, por exemplo tomar o café da manhã. Faça a escolha consciente de quanto tempo deseja destinar. Vamos supor que defina 15 minutos. Dedique plenamente esses minutos a observar o momento. Se estiver sozinho, perceba os aromas, a textura dos alimentos, se tem som quando morde um pedaço de pão crocante, veja a fumaça, sinta o seu corpo se nutrindo para iniciar maravilhosamente um novo dia! Se tiver com uma criança, experimente observar cada expressão, gesto, o olhar de curiosidade, as perguntas e tudo mais que aquele momento permite. Cada instante lhe reserva algo precioso se você estiver presente.

Observe quando você está apenas de corpo presente. Onde sua mente divaga? Alguns especialistas dizem que isso acontece por conflito de prioridades. Na dúvida onde deveria estar, acaba tentando estar em vários lugares ao mesmo tempo. E com isso, acaba não estando nem em um lugar e nem em outro.

Gosto muito do significado de presente = dádiva. Sim ter a oportunidade de vivenciar no momento presente é uma dádiva, que poucos usufruem profundamente. De uma forma ou de outra, muito rapidamente o presente se torna passado, e não poderá mais ser reescrito, apenas lembrado, se lembrado.

As suas lembranças, você constrói no presente! Então não deixe a vida passar enquanto está se distraindo. E não se distrai enquanto está com seus amados, eles poderão não estar ao seu lado amanhã. E o amanhã? Você nem sabe se existirá! Então exista agora e já!

E viva a cada dia a dádiva de ter o momento presente!

 

* Esse texto é uma homenagem a duas Senhoras muito inspiradoras, que têm sede pela vida e conexão com os momentos presentes: Helena Tonet (gratidão pelo papo muito interessante sobre como o mundo parece que perdeu a qualidade de atenção) e Voinha (avó do meu esposo), uma dama de personalidade, que vive destemidamente cada momento presente, completando 100 anos de vida no ano passado.

Comprometendo-se de coração com a sua vida!

shutterstock_519451933_peq.jpg

Quantas vezes você torna o outro mais prioridade do que a você mesmo?

Ao longo da vida, o conjunto de nossas ações escreve mais do que a nossa história, mas quem nos somos, o que valorizamos e que futuro estamos esculpindo.

Tem um motivo de ser quando você não encontra forças para realizar o que deveria fazer e se apega ao que gostaria de fazer. E tudo começa, quando deixamos de lutar pelos nossos valores.

Em algum momento, para que sua vida faça sentido, terá que poder ser íntegro com seus valores, refletida em seus relacionamentos e escolhas. Esquecer-se de quem é para atender ao outro pode lhe trazer o reconhecimento e satisfação naquele momento. Mas de forma repetitiva, vai criar em você um hábito de difícil mudança, até porque às vezes não se tem consciência que tem. E assim, vamos nos esquecendo do que é importante para nós, vivendo cada vez mais a vida do outro, até que não nos encontramos mais.

Ao longo da minha carreira apoiei várias pessoas a “reencontrar” o melhor de si, acreditar nas suas qualidades, redirecionar seus esforços e encontrar o papel que deseja ter na vida. E o ganho é imensurável em autoconfiança, bem-estar, significado e realizações. Reduz significativamente o esforço de “segurar” a essência (e isso custa caro), para simplesmente SER. Retira-se barreiras para realizações que fazem sentido para você. E mais seguros de quem você é, reconhecerá e valorizará melhor suas próprias qualidades, utilizando naturalmente para ampliar chances de sucesso.

Seja na vida pessoal ou profissional, há sempre espaço para que seja você possa colocar em ação o que você valoriza. Quanto mais forte forem suas convicções, mais força você terá para influenciar os outros e enfrentar barreiras para realizar o que desejar.

Mas se já estivermos nos sentindo perdidas?

O ponto de partida é comprometer-se de coração com a sua vida. É entender que o outro tem outras prioridades e não é você. É saber que merece mais, mas terá demonstrar que merece com ações concretas. Além disso, o segredo da vida que deseja, está dentro de si, mesmo que bem no fundo e difícil de achar, ainda assim, existe.

Então faça para si a seguinte pergunta: Estou disposto a demonstrar o meu comprometimento com meus valores todos os dias da minha vida?

Você encontrará dificuldades, mas vivenciará a cada dia novas oportunidades de viver seus valores se estiver efetivamente comprometido. Mas se tiver dúvidas, os obstáculos ganharam dimensões cada vez maiores em sua mente e em suas emoções, até parecer impossíveis de superar.

Mas como vou saber que estou vivendo meus valores?

Você já foi ajudar alguém mas não parava de pensar em algo que deveria ter feito? Já chegou numa festa que era muito importante para um amigo e se perguntou o que estava fazendo lá assim que chegou? Já deixou para última hora e dia seguinte estava se sentindo um lixo porque não conseguiu cumprir no prazo algo prometido? Já se distraiu em redes sociais enquanto alguma voz lhe dizia que não estava estudando o que se propôs e não iria passar na prova?

Todos sabem quando o que fazem não está alinhado com seus valores, mesmo quando não tem clareza de quais são. Tempo demais vivendo a inconsistência entre valores e o que você faz, resulta em vazios, frustrações, sentimento de fracasso e até medo de não encontrar mais o que faz sentido. Mas por quê as pessoas caem nessa armadilha? Porque tem necessidade de afeto, aceitação e reconhecimento. Então a curto prazo a recompensa parece mais garantida quando fazemos o que o outro deseja. Fazemos o que a mãe, a esposa, o amigo, o chefe e tantos outros desejam, reforçando os laços de afeto, aceitação e recebendo reconhecimento. Nada errado em desejar tudo isso. Mas por que não alcançar tudo isso sendo quem você é? Até porque a longo prazo, nada garante que fazer o que os outros desejam fará você mais querido, aceito e reconhecido. As pessoas se acostumam e o que você faz “vira” obrigação. E adicionalmente, é certo que terá que abrir a mão de si, se fizer tempo demais o que o outros desejam.

Então como evitar essa armadilha?

  1. Identifique os seus valores mais fortes. Em geral são poucos itens que não abrimos a mão de jeito nenhum. Os valores mais fortes dão sentido para você vivê-los no seu dia-a-dia. Um ótimo termômetro é a sua emoção. Observe quando de repente se irrita desproporcionamente ao fato. Muito provavelmente um valor importante foi agredido. Pergunte-se o que realmente o irritou? Assim como quando você se engaja em algum projeto e nem vê a hora passar. Algo nesse projeto nutre valores importantes para você. O que tem a ver esse projeto com seus valores?
  2. Coloque-se em estado de consciência. Ao observar melhor a si, começará a momentos em que o que faz não está alinhado ao que faz sentido para você. Pergunte-se o que é preciso para fazer sentido. O que está de errado com esse momento? Pode ser que precise ajustar a ação ou mudar para outra ação. Tente preencher as lacunas: Em vez (disso), faria mais sentido eu fazer (aquilo).
  3. Identifique seus padrões. O ser humano aprende e passa a repetir o que acredita que deu certo. E com isso constrói padrões e forma hábitos. A vantagem é que reduz o tempo para entrarmos em ação. A desvantagem é que o seu momento de vida pode ter mudado e aquele hábito estar sendo prejudicial. E por ser hábito, pode nem notar que faz automaticamente. Nesse ponto, lembre-se que o menos costuma ser mais. Identifique aqueles hábitos que mais trabalham contra seus desejos futuros. E identifique qual foi a necessidade que permitiu construir esse hábito. E busque novas formas de entrar em ação, que atenda essa necessidade (se ainda é uma necessidade).
  4. Identifique oportunidades para viver seus valores. Seja em seus relacionamentos ou outros espaços de convivência, as pessoas esperam o melhor de você. E você não conseguirá dar o melhor se sentir que seus valores são agredidos diariamente. Muitas vezes os desentendimentos começam não pelo que foi feito, mas porque não foi compreendido o porquê. Há um espaço enorme de conversa quando se dialoga com o coração e mostra o desejo de ser genuíno e oferecer o que tem de melhor. Igualmente de expressar nossas limitações e o porquê temos dificuldade em fazer do jeito do outro.
  5. Realinhe suas ações com seus valores. Com clareza de seus valores e tendo identificado tanto os pontos de desalinhamento quanto oportunidades ainda não praticadas, é hora de fazer escolhas para ampliar seu espaço de colocar seus valores em ação. Ser verdadeiramente comprometido de coração consigo. E tenha certeza que esse é o caminho para que seja mais e melhor também com todos à sua volta. Você proporcionará segurança às pessoas de saberem com quem contam.

A essa altura, alguns devem estar pensando no seguinte: isso não funciona. Na minha empresa não posso ser assim. Não posso abrir o jogo com a minha esposa. Imagina o que vai acontecer se eu quiser ser eu com meus subordinados.

Aí vão algumas reflexões:

  • Que problemas você tem evitado deixando de ser você?
  • E que problemas você tem ganhado deixando de ser você?
  • O que pesa mais?
  • Até quando?

Toda escolha implica em renúncia também. A reflexão desse texto é para pessoas que sentem que o preço está alto e que não dá mais para abrir a mão de si. E que é possível viver pelos seus valores sem agredir os outros. Muito pelo contrário, observe como as pessoas admiram e se inspiram em quem tem segurança no que acredita e realiza.

Se você é dessas pessoas e quer aprofundar no tema de valores, recomendo um livro que terminei a leitura recentemente e por isso inspirou o tema desse artigo: “Comprometa-se de Coração”, de Stan Slap. Nesse volume você também encontra nas páginas 67 a 72 um exercício que ajudará a identificar seus valores.

Outro livro que vale a pena é “O que mais importa – o Poder de Viver seus Valores”, de Hyrum W. Smith. Entre vários conteúdos, uma importante contribuição é a tripla equação do que mais importa: missão, valores e papéis.

A vida pode ser muito mais! Não saberemos o tempo total que temos, mas podemos sempre escolher o que fazer com o tempo que temos. Saber seus valores, permitirá colocar o que é mais importante primeiro e não esperar para ser você num futuro que pode não chegar.

Seja na vida pessoal ou profissional, o mais importante deve vir primeiro.

Acredito que há um espaço enorme para se viver seus valores no ambiente de trabalho e isso contribuirá também para uma carreira de sucesso.

Nas empresas é exigido comprometimento. Não existe comprometimento com meros números, mas com o que elas significam se você alcançar. Ou seja, as pessoas se comprometem com algo que faça sentido. Encontre uma causa e conseguirá encontrar como engajar as pessoas em torno do que propõe.

E vale uma reflexão para os líderes: como liderar sem direção? É como dizer: não me siga pois estou perdido!

Seja líder da sua própria vida! Saiba quem é e para onde deseja ir!

E lute pela vida que faça sentido! Num instante, a vida passa! E não poderá reescrever o que já passou!

Encontre o seu lugar!

shutterstock_460240759_peq
Na infinitude do Universo, quem somos nós e que espaços queremos ocupar?

Você já se perguntou qual o sentido da vida? 

Esse artigo é para pessoas que, assim como eu, já buscou ou ainda busca essa resposta. É para pessoas cuja inquietude pode levar a conquistar muitas realizações e encontrar respostas importantes para sua felicidade.

Se você nunca parou para pensar sobre o sentido da sua vida, pode ser que tenha se ocupado com muitas atividades no seu dia-a-dia, ou trabalhando para conquistar uma vida melhor para o futuro. Nada errado se você tem se sentido inteiro. Mas se apesar de muitas atividades, volta e meia vem aquela pergunta: mas a vida é só isso? Talvez seja a hora de dedicar um tempo para conectar-se consigo e encontrar o significado para o que faz e tudo o que tem “acumulado” ao longo da vida, seja bens, diplomas, dinheiro, títulos, acessórios, dispositivos eletrônicos, amizades, etc… A pergunta é: o que você tem acumulado reforça quem você deseja SER ou você tem se tornado o que acumula?

Para que encontre suas respostas para o sentido da sua vida, é preciso abrir a mão de respostas prontas. É preciso aceitar que tem o porquê para não se sentir pleno com a vida e só assim poderá enxergar algo que ainda não vê.

Abra a mão das explicações do tipo:

  • Tenho que fazer isso para depois…
  • Tive que aceitar…
  • Não tenho escolha…
  • Tenho obrigações…

Muitas situações que explicamos contêm verdades, mas não impedem realmente o aprofundamento e a busca por algo mais significativo e genuíno em todo os momentos! Talvez a pergunta a se fazer comece com o por quê: 

  • Por que tenho que fazer isso para depois…
  • Por que eu acredito que tenho que aceitar…
  • Por que eu prefiro dizer que não ter escolha…
  • Por que aceito essas obrigações…

É simples. Se eu não sei o porquê faço o que faço, a vida não vai ganhar sentido. E com o tempo, o sentimento é de a vida passou muito rapidamente e não tivemos tempo para se tornar quem queremos ser e estamos sempre adiando para um futuro, que talvez não chegue a existir.

Você tem opção de encontrar o sentido do que faz, ou ajustar o que faz ao que faz sentido para você.

Mas saiba que basta estar vivo para ter expectativas. Consciente ou intuitivamente, queremos um “lugar” que nos traga o sentimento de pertencimento, mostre que o que fazemos faz sentido e que a vida vale a pena.

O primeiro passo é querer buscar o que te completa. O curioso é que a resposta está dentro de si, mas para encontrar, é preciso buscar referências externas. É preciso se tornar melhor observador de si e do mundo. Quanto mais você observa o mundo sem pré-conceitos, mais você pode se perceber e sentir onde é o seu lugar. A ideia é “olhar” para si e não julgar o mundo. Você começa a “colecionar” sensações positivas e negativas, afinidades ou resistências, remanso ou ansiedade, significado ou vazio.

Em pouco tempo, começará a entender melhor o que faz sentido para você se ganhasse maior espaço na sua vida. Esse autoconhecimento ampliará bem estar e melhores escolhas para a vida. Mas saiba que os velhos hábitos ainda precisarão ser vencidos para que você exerça suas escolhas a favor de si.

Então em vez de continuar fazendo o que sempre fez, pergunte-se: por quê? Considere como afeta a sua vida ao manter. E decida conscientemente se é a hora de mudar.

A sequência abaixo pode lhe ajudar nessa reflexão. Para melhor utilizar, escolha algo que sempre fez, por exemplo: “sempre deixo minhas coisas de lado para atender o que os outros me pedem”. É importante lembrar de alguns exemplos concretos que comprovem que faz isso. Uns 3 (três) exemplos é um bom número. Nesse exemplo, a primeira coisa a se perguntar é por que você deixa as suas coisas de lado quando o outro lhe pede algo? Você irá identificar valores e crenças que permitem que isso aconteça. A segunda pergunta é o que acontece quando você deixa de lado suas coisas para fazer o que os outros pedem? Poderá descobrir o preço que vem pagando e há quanto tempo. A última pergunta é como você quer fazer no futuro? O exercício de como vai lhe trazer opções e consequências das futuras escolhas. Vai lhe proporcionar oportunidades de alinhar o que faz com quem você deseja ser e reafirmar o que tem sentido para você.

A ordem dos itens é essencial, portanto não passe para o item seguinte se não tem a reposta do item anterior.

Encontre o seu lugar.png

Mas saiba que aprender sobre si é um processo sem ponto de chegada, porque somos seres em evolução, sempre. Não somos hoje o que fomos há alguns anos e talvez até alguns segundos atrás.

A caminhada de encontrar-se já lhe trará o sentimento de avanço para pergunta essencial: o  que faz sua vida ter sentido?

A minha busca trouxe muitas realizações significativas e de que a vida vale a pena. Participei de muitos projetos sociais, contribuí com várias organizações e trabalho com o coaching como atividade profissional. Nas minhas relações, o que mais faz sentido é que as pessoas possam perceber a própria grandeza, tenham autonomia, ampliem as realizações significativas (seja na vida pessoal ou profissional) e sintam-se inteiros.

E acredito que atraímos o que buscamos. Recentemente concluí a leitura do livro Comece algo que faça a diferença, de Blake Mycoskie, fundador da TOMS shoes. Um livro que vale a pena ler. Reforçou as minhas convicções e trouxe novas ideias para aprofundamento. Um livro muito apropriado para a tradição de listar ações para o Ano Novo.

Desejo a você um encontro com a sua essência, chave para uma vida significativa!

Que você saiba que não há obstáculo suficientemente grande se o seu sonho é maior. E que quando se persiste no por que, sempre aprenderá mais sobre si e o que o faz feliz.

A vida é uma jornada de descobertas interessantes quando nos colocamos como aprendizes. Mas pode ser infeliz se valorizarmos mais as dificuldades do que as possibilidades de mudança.

Você decide se quer encontrar o seu lugar na vida!

Pergunto: Como será o seu futuro?

Verdades sobre o Sucesso na Carreira

 

02E65972_peq.jpgDe onde vem a ideia de que sucesso traz a felicidade? E dinheiro então…

Você pode precisar de algum dinheiro para realizar o que deseja, mas de quanto dinheiro estamos falando? Até onde você iria para alcançar o dinheiro que deseja? Quais sacrifícios estaria disposto a fazer?

E quando pensamos nas pessoas de sucesso, é comum ouvirmos pessoas dizendo que gostariam de ser assim. Eu sempre penso comigo: será que gostariam se soubessem de toda a história? Porque sempre há mais do que conseguimos ver na história dos outros. E em todas as escolhas, também temos renúncias. Simplesmente a grama do vizinho pode parecer mais verde, mas se de fato for, quanto tempo e esforço foi destinado para que se mantivesse verde?

Ao longo da vida, colecionamos o nosso conceito de sucesso na carreira, que é muito influenciado pelo mundo que observamos à nossa volta. A geração dos meus pais acreditavam em dedicação e fidelidade. Entravam numa empresa pensando em fazer carreira. A minha geração acreditava em títulos. Se estudasse nas melhores escolas com muitos diplomas de pós-graduação, mestrado e doutorado, e quem sabe outros cursos, tinha mais chance de sucesso… A nova geração dá sinais de que não deseja sucesso… pelo menos financeiro… a qualquer custo. O sucesso parece estar na possibilidade de manter múltiplas atividades que incluem fazer o que gostam e ter muita interação seja virtual ou presencial (em geral ambos).

Mas será que o mundo mudou? Ou será que nós mudamos e o mundo é o resultado de nossas mudanças? Observe como aprendemos com as histórias à nossa volta e formamos o conceito do que queremos ou não queremos para nossa vida. E uma vez supridas algumas necessidades, passamos a ter outras.

Será que existe algum modelo de sucesso que nos sirva? Você conhece pessoas que parecem ter de tudo, mas a pessoa não se sente como exemplo de sucesso? Isso acontece mais frequentemente do que tomamos consciência. Por exemplo, você já viu pessoas com um dom e a pessoa acha que não é nada demais?

Para cada indivíduo, o sucesso é único. Temos o nosso conceito de sucesso mesmo que não saibamos conscientemente. E para identificar é necessário partir de quem nós somos e quem desejamos nos tornar.

Esqueça os outros. Comece a buscar a sua resposta. O que você precisa para sentir que é um sucesso? 

Por maiores que sejam os resultados na carreira, se você não estiver feliz, o preço pode ser caro demais. E quem disse que não pode ter sucesso fazendo o que gosta?

Faça um exercício de possibilidades. Olhe a sua volta, observe as pessoas com carreiras de sucesso. Quantas parecem convencidas do que fazem? E se observá-los, será que você não se convence de que há muitas maneiras de alcançar o sucesso na carreira? Encontre a sua e comece a viver que deseja!

Você pode pensar que não é fácil. E não é mesmo. Passamos a vida olhando para fora e não para dentro de nós. Passamos a vida acreditando que se fizermos muita coisa, passaremos a ter muita coisa, que nos levará a ser quem queremos ser.

Na semana passada, participando de uma nova formação em coaching, com Eliana Dutra e Melina Kunifas, dessa vez com acreditação ACTP pela ICF (International Coach Federation), ouvi o resumo do que acredito sobre esse tema.

E se o melhor caminho fosse começar com o ser? Ao ter clareza do ser, o próximo passo é ter somente o que faz parte da vida que deseja. E finalmente, fazer o que faz sentido.

SER -> TER -> FAZER

A clareza de quem queremos ser, provoca mudanças em como percebemos o mundo e nos relacionamos com tudo à nossa volta. Tudo se modifica, no pensar, sentir e agir. Você pode ser quem você deseja. Não espere para ser. Seja agora! Quer ser admirado pela inteligência? Como são as pessoas inteligentes? Quer ser bem relacionado? Como é ser bem relacionado? Quer ser uma boa pessoa? Como uma boa pessoa vê o mundo? No seu conceito, é claro!

Alcançar o sucesso na sua carreira e na vida está bem mais perto que imagina! Não espere para o amanhã, nunca se sabe se chegará.

Seja a sua melhor versão. Aprenda a apreciar e usar o seu acervo pessoal de talentos, habilidades, crenças e valores. Entenda os seus conceitos e escolha fazer o que tem sentido para você!

E SUCESSOS!

 

 

Você não vê a hora da sua carreira “decolar”?

No primeiro texto, dediquei a explicar um pouco sobre o coaching e para quem se aplica. Mas não se compreende o coaching na teoria. Então vou contar uma história real sobre desenvolvimento de carreira com o coaching.

Como coach, tenho apoiado o desenvolvimento de carreira em diferentes momentos e necessidades. E à primeira vista, parece contraditório que nem sempre os melhores profissionais, ou mesmo os mais dedicados, são os mais valorizados.

Já encontrei excelentes profissionais, que estão insatisfeitos com a carreira e às vezes com a empresa, porque não têm recebido o reconhecimento que desejam. É o caso de um dos processos do meu primeiro ano como coach que me traz saudosas lembranças. Vou chamar o cliente de Matheus, para preservar a sua privacidade. Mas você possivelmente encontrará semelhança em pessoas a sua volta.

Como o processo de coaching funciona?

Na nossa primeira conversa, o que o cliente-coachee me relatou foi que sabe da própria capacidade, mas por alguma razão, outros menos capazes são promovidos, como aconteceu em recente processo de avaliação e aumento salarial. A ideia inicial era se preparar para mudança de emprego, uma vez que não acreditava mais que a empresa saberia valorizar pessoas com a sua competência.

O ponto de partida era definir o foco do trabalho. A partir do que o cliente trouxe, perguntei se preferia trabalhar a mudança de emprego ou o reconhecimento profissional. O que de fato desejava alcançar? E após alguma reflexão, ficou estabelecido o foco de reconhecimento profissional, seja na mesma empresa ou em outra.

O próximo passo foi estabelecer o conceito pessoal de reconhecimento, assim como indicadores e metas. Após pedir para falar um pouco mais sobre o que é reconhecimento, perguntei: como você vai saber que alcançou o reconhecimento desejado? Nesse momento Matheus iniciou o exercício de possibilidades, que resultou nos seguintes itens, que ele se propôs a alcançar: ser indicado para liderar um projeto importante, ser consultado pela gerência nos processos de planejamento estratégico e ter ascensão profissional no horizonte de 1 ano (onde for).

Com clareza do que se almeja, é importante convidar o cliente a explorar o momento atual com o olhar curioso e sem pré-conceitos. É colocar-se como um observador diferente. E buscar os elementos importantes relacionados a seus objetivos.

Um momento relevante foi quando se refletiu sobre as evidências de que não era valorizado e em que contexto acontecia. Os relatos trouxeram importantes elementos e uma percepção ampliada. O processo de coaching, que é a parceria entre o coach e cliente-coachee, revelou já na segunda sessão, que não havia evidências de que as pessoas tinham consciência sobre a capacidade do Matheus. Isto porque, por questões de valores pessoais, o cliente fazia todo o possível para não falar ou mostrar sobre o que sabia. Acreditava que um bom trabalho fala por si. Só que as pessoas estavam sempre envolvidas no volume de trabalho e não havia espaços para troca de experiências e êxitos. Mas havia apoio ou intervenção superior quando o trabalho não saía.

Uma pergunta essencial foi: o que é necessário para que as pessoas o valorizem?

Nesse momento o meu cliente me disse, após um silêncio: eles não sabem que eu sei.

Então eu perguntei: como vão saber que você sabe? E ele revelou que não gosta de se colocar nas reuniões, pois as pessoas não gostam de opiniões diferentes. Acredita que sempre resulta em conflito.

Perguntei: Isso é uma crença ou um fato?

Quando trabalhamos para identificar os elementos associados, ele pôde identificar pessoas de seu conhecimento que conseguiam expressar opiniões até contrárias da maioria e não resultava em conflitos. Mais que isso, eram valorizadas na sua opinião. Esse foi o ponto de virada para construir a permissão interior de contribuir com o que ele tinha de melhor, sem temer por conflito; algo que agredia seus valores.

Aproveitamos esse precioso momento para refletir: o que essas pessoas fazem de diferente para ter esse resultado?

Como desdobramento, é chegado o momento de refletir e identificar de quantas maneiras o cliente pode alcançar o que deseja e qual a sua maneira escolhida.

Ao longo do processo, que teve ao todo doze sessões, ele foi descobrindo novas formas de mostrar o que sabia, tanto quanto ficava feliz em identificar novas formas de resolver problemas e construir soluções.

Como ganhos do processo, a curto prazo ele já estava sendo consultado pelo próprio gestor, não somente em planejamento estratégico, mas em vários temas e iniciativas novas e prioritárias para a área. Em poucos meses, assumiu liderança de um projeto que desejava como desafio e alcançou também a promoção financeira desejada.

O que ele concluiu foi que tudo acontece por algum motivo, mas nem sempre enxergamos com clareza. Ainda mais quando estamos envolvidos emocionalmente. E uma ajuda profissional de um bom coach pode lhe ajudar a melhor avaliar momentos, trazer perspectivas claras e possibilidades ainda não trilhadas. E o melhor: com o uso do próprio potencial em ação.

Isso é empoderamento! Isso é um processo de desenvolvimento pessoal e profissional sustentável, onde as pessoas se apropriam de quem são e como utilizar melhor suas capacidades. E de forma contínua, ampliam o autoconhecimento e trabalham para alcançar suas metas!

Como você deve ter observado, o instrumento principal de trabalho do coach são as perguntas, tendo como premissa a confiança, a confidencialidade e a verdade, para melhores resultados a favor de seu cliente! Muitas vezes, tudo o que precisamos é um ambiente seguro para descobrirmos alternativas para o que queremos.

Se você, assim como o Matheus, também tem a carreira como algo muito importante na sua vida e que ocupa um tempo significativo, faça valer a pena! Extraia o máximo de aprendizado e satisfação. Não se conforme em apenas passar o dia.

Você se identificou com essa situação? Quer saber mais sobre o coaching? Busque um profissional de coaching responsável e troque ideias. Quem sabe o coaching é justamente o recurso que faltava para o seu desenvolvimento pessoal e profissional?

 

Foto: Ingimage