Você vive apagando incêndios?

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Você vive em correria, sem tempo para nada, apagando um incêndio atrás de outro? Tem se sentido exaurido mas acredita que não tem opção? Então me acompanhe através desse texto e encontrará ideias interessantes que poderá aplicar imediatamente à sua vida, mudando a sua rotina e ampliando a qualidade de vida.

Antes de falar diretamente sobre como fazer isso acontecer, é importante entendermos o momento em que vivemos e como isso está afetando todas as formas de relacionamento. Por isso apresento a seguir um breve contexto.

Há não muito tempo, no que se entende por era industrial, a padronização dos processos deu escala e era o meio de fazer mais com menos. Era também o meio de reduzir erros operacionais e alcançar padrões de qualidade. Para se alcançar maior produtividade, as empresas investiam em automação e em profissionais com conhecimento, experiência anterior e dedicação. E dessa forma, quanto mais se trabalhava, mais se aperfeiçoavam os processos, produtos e serviços. Era um mercado de trabalho onde a carreira tinha maior sequência e era construída acumulando conhecimentos da mesma área e áreas afins. De certa forma eram momentos de grande valorização e ascensão para os “especialistas” e os mais diplomados.

Com o advento da internet e grandes saltos na tecnologia da informação, a relação de como alcançar maior eficiência e produtividade modificou completamente. Vivemos numa era onde a informação é abundante assim como a “desinformação”. Os meios de aprendizagem se multiplicaram e não depende mais da formação tradicional, que não tem conseguido acompanhar a velocidade das novas necessidades do mercado. E observamos a mídia digital “fabricar” especialistas da noite para o dia, até porque se tornou fácil ser visto e produzir conhecimento. E chegamos ao grande desafio de ter informação de valor e altamente segmentada conforme o público. No entanto, o público se tornou muito melhor informado e com necessidades mais distintas.

Saímos da era de padronização para se ter escala, para uma era de diferenciação e criatividade para criação de valor, seja enquanto profissional ou enquanto empresa. Com isso, modifica-se também o conceito de produtividade, tornando “o melhor” mais importante do que “o mais”. 

Continua sendo importante fazer mais com menos, mas isso não basta. A tecnologia elevou a quantidade de informações que são processados, armazenados e disponibilizados. E como consequência, somos demandados a lidar com um volume absurdo, inimaginável há poucos anos. Ao mesmo tempo, aumentou-se a capacidade de controle das organizações e a comparabilidade entre a produtividade de diferentes profissionais.

Igualmente na vida social, podemos constatar uma nova realidade nas relações, onde é opcional a profundidade das relações, mas quase obrigatória conhecer cada vez mais pessoas e ter “prova social” da sua importância e sucesso. As redes sociais se proliferam e as pessoas são tentadas a participar de mais canais do que são capazes de administrar com qualidade. Todos podem ser acessados a qualquer hora e estimulados a responder. E com maior facilidade para se ter contato virtual, ameniza-se e até substitui a necessidade do contato presencial.

Nesse cenário reforça a necessidade de desenvolver a competência de estrategista para ter maior produtividade. Porque se continuarmos tentando fazer de tudo e cada vez mais, o que alcançaremos não será eficiência, mas ansiedade e estresse. A falta de clareza sobre o importante, leva a uma rotina de muito trabalho, muitas urgências, com risco de perda de qualidade e dedicação de tempo significativo para o que pode não ter importância.

Vamos deixar claro: ser ocupado nem sempre é ser produtivo! E o tempo não foi feito para caber tudo o que aparece. Você terá que fazer suas escolhas.

A perda de competitividade nas organizações não está relacionada à falta de volume de trabalho realizado. Está relacionada à falta de visão sobre o que é mais importante para se alcançar o que deseja e a falta de estratégia para canalizar a energia e a maior parte do tempo de seus colaboradores nessa direção. É uma nova era onde talvez o aprendizado mais importante seja que o “menos é mais”. Se você consegue distinguir as poucas tarefas que trarão maior impacto com os resultados organizacionais, você contribuirá mais do que estar trabalhando mais horas do que foi contratado e ainda não conseguir terminar a longa fila de tarefas que o esperam.

O mesmo acontece com a vida pessoal. Muito do que acostumamos a fazer não tem mais importância, mas continuamos fazendo sem parar para questionar qual a importância se não fizesse.  É necessário aprender a lidar com um volume impossível de caber no nosso dia e começarmos a distinguir o que é realmente importante para voltar a ter domínio sobre a própria vida. A produtividade passa a a ser decorrente da melhoria do nosso processo de escolha sobre o que fazer no tempo limitado que todos nós temos.

Hoje a vida é centrada em seletividade e criatividade para produzir melhores resultados.

Como você vive determina os seus resultados na vida!

A essa altura, se você ainda mantém o pensamento de que é refém da situação e que precisa continuar apagando incêndios… Preciso lhe perguntar: você é bombeiro ou gosta de apagar incêndios? Sim, porque se você é bombeiro, tem mais que apagar incêndios mesmo. Mas mesmo pessoas que não são bombeiros podem acabar construindo uma rotina de estresse por gostar da adrenalina que as urgências trazem. Em geral esse mecanismo não é consciente, mas mesmo assim acaba estabelecendo uma forma de trabalho que procrastina o importante até que vire urgente. E nesse bolo de atividades urgentes, até o que não é importante acaba ganhando o nosso reduzido tempo. E quanto mais incêndios apagamos, mais capazes nos sentimos. Mas isso vem com um custo na qualidade de vida e na produtividade.

Se você se encontra nessa situação onde não vê saída e se sente cada vez mais cansado; acredite, é possível mudar. Mas a mudança começa em si. E a primeira pergunta que você deve responder como sim: Quero abrir a mão de dessa adrenalina?

O livro “5 Escolhas – O caminho para uma produtividade extraordinária“, fala sobre o desenvolvimento de 3 capacidades, necessárias e complementares para uma produtividade pessoal extraordinária: 1) Decisões de Alto Valor; 2) Atenção Focada; 3) Alta Energia.

As decisões de Alto Valor são o ponto de partida para a produtividade. No mesmo livro é apresentado o processo pausar, esclarecer e decidir (PED), onde enfatiza a importância em não se limitar ao piloto automático, mas sim a decisões conscientes que agreguem valor à sua vida.

Para lhe ajudar a adotar uma rotina de decisões conscientes, experimente utilizar a seguinte pergunta antes de iniciar o dia: Se eu tiver tempo para concluir somente uma tarefa hoje, qual trará resultados mais importantes?

Para aumentar a eficiência no uso do seu tempo e decidir o que deve continuar na sua “fila”, experimente a seguinte sequência de perguntas que faço para os meus clientes:

  • Tem que ser feito?
  • Tem que ser feito por você?
  • De que maneira deve ser feito? [Pense Simples!]

A Atenção Focada tem por base dois pontos críticos: a qualidade da atenção e a nossa capacidade em concentrar no importante em vez de reagir ao urgente. Algumas pessoas poderão precisar de treinar a qualidade de atenção e talvez as técnicas de Atenção Plena ou Mindfulness sejam muito úteis. Outras pessoas precisam desenvolver a capacidade de resistir à tentação do urgente. Nesse caso, o modelo da Matriz do Tempo do livro acima citado, vai lhe ampliar a consciência sobre o uso do seu tempo. Veja o quadro a seguir e faça uma rápida auto-avaliação sobre o uso efetivo do seu tempo. Distribua nos 4 quadrantes de forma a totalizar 100%. E reflita: Onde você está destinando a maior parte do seu tempo? O que isso diz sobre o seu modo de viver?

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Ao ter uma Atenção Focada no que é mais importante, você desenvolverá o que eu gosto de chamar de “acabativas”. Os resultados na sua vida não vem do quanto você trabalhou, mas do que você finalizou e se tornou útil para alguém. Então abrir muitas frentes e estar sempre ocupado, não garante o reconhecimento. Para que você colha resultados na vida é preciso ter início-meio-fim. É preciso ter mais “acabativas”.

Por mais que as pessoas valorizem quem é esforçado, tenha em mente que o que produz resultado são as entregas. Onde você estiver, a sua capacidade de concluir com a necessária qualidade, determinará resultados para você.

Então quando tiver decidido algo importante a ser feito, faça todo o possível para manter o foco até finalizar. Com o tempo, terá desenvolvido a prática da disciplina em ter “acabativas”.

A terceira capacidade necessária para uma produtividade extraordinária é a Alta Energia. É muito bom trabalhar com pessoas assim, melhor ainda nós somos assim e sentimos constantemente energizados. Mas não é fácil manter a Alta Energia.

Para que se tenha uma alta energia, é preciso compreender que somos um sistema integrado e interdependente, onde reúne o corpo, a mente e as emoções. Para que esse conjunto funcione bem é preciso zelar com ações concretas e periódicas. É preciso ter saúde física e mental. E é preciso que o que você faz tenha sentido.

Se considerarmos a saúde, os médicos lhe dirão que é preciso se alimentar bem, dormir o suficiente e realizar exercícios físicos. E tudo isso é essencial, para que tenhamos o suficiente para ter energia. Mas a motivação é a mola propulsora de Alta Energia. Como ter energia destinando tempo a atividades sem sentido?

Talvez esse seja o maior desafio: escolher fazer o que tem sentido para você ou encontrar sentido no que você faz no seu dia-a-dia.

Tendo saúde e motivação, você alcança a Alta Energia e realizará o extraordinário! Porque nenhuma barreira será grande o suficiente para a sua vontade de realizar!

Agora você deve estar pensando: posso até me organizar, mas logo surge outra coisa urgente. Não sou eu, mas o chefe que me interrompe… As coisas vão aparecendo e bagunçam o que planejei.

Deixa eu esclarecer uma coisa: a fila anda! Isso mesmo. A vida é dinâmica e aparecem coisas mesmo. A capacidade em estabelecer prioridades e manter focado é um processo vivo. A cada possível incêndio, cabe perguntar: o que acontece se eu não resolver isso agora? E conscientemente fazer escolhas considerando o conjunto de atividades e colocando na frente o que você considera mais importante.

Observo nas organizações onde presto serviços, a necessidade crescente de atitude e pessoas que resolvam. Mas observo também alguns dilemas:

  • Autonomia x Controle. Para que os colaboradores se tornem cada vez mais capazes de propor soluções e resolver problemas, é preciso ter maior autonomia. Igualmente para multiplicar resultados, a maior autonomia é crítica. Mas as organizações e especialmente os seus líderes temem que a autonomia não venha com responsabilidade e inteligência. Então buscam formas de controle, o que muitas vezes resulta na limitação da autonomia e consequentemente dos resultados.
  • Processos x Criatividade. Quanto maior a empresa, maior necessidade em organizar e documentar seus processos. E o tempo parece trazer o esquecimento sobre os motivos que originaram determinado processo e quais benefícios se quer assegurar. É quando se torna burocrático demais. Quando tudo tem o jeito certo de fazer, o ambiente se torna hostil para a criatividade, um fator crítico para a inovação e competitividade das empresas. Então se por um lado a criatividade poderá consumir parte da energia em ações sem resultado, por outro lado é fonte de inovações, algumas muito significativas. Como harmonizar e conviver?
  • Produtividade x Qualidade de Vida. Há um mito de que existe uma maneira certa de ter produtividade e que os colaboradores mais produtivos são os que mais priorizam o trabalho e não um balanceamento adequado com qualidade de vida. Então vamos começar dizendo o que sei que todos já sabem: as pessoas não são iguais e portanto serão produtivos em diferentes condições. E se não sentir que tem qualidade de vida, a organização pode até garantir a quantidade de horas de trabalho, mas não será capaz de assegurar a produtividade máxima. Pessoas exauridas se obrigam a trabalhar, mas o resultado não se compara a de pessoas altamente energizadas. Dar sentido ao trabalho a ser realizado é dever de todos os líderes. Mas é igualmente dever de cada, pois não importa o motivo pelo qual destina seu tempo, é o seu próprio tempo de vida! Faça valer a pena! Lembre-se que para alcançar ambas: produtividade e a qualidade de vida, a chave é o uso inteligente do seu tempo.

Nesse último ponto, convido o leitor a ampliar o olhar. A qualidade de vida com certeza não se restringe ao ambiente de trabalho. Teoricamente, todos querem qualidade de vida. Na prática, quantos fazem de tudo para ter qualidade de vida? Existe qualidade de vida se estivermos vivendo um conflito interno? Você já se percebeu dividido entre ficar com a filha que está lhe pedindo maior tempo e ir fazer um trabalho que está com prazo apertado? Cada situação mal resolvida divide a nossa atenção, reduzindo a produtividade. E não temos apenas um papel. Então como definir os mais importantes papéis que queremos ter e organizar a nossa hierarquia nesse momento de vida?

Sem a clareza do que realmente importa para nós em cada esfera de atuação, teremos dificuldade em estabelecer nossas prioridades e agir de forma a ser produtivo. Então observe a imagem abaixo.

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Defina o que é importante para você em cada esfera. Estabeleça  que você não abre a mão. E sempre que se sentir dividido entre duas tarefas importantes. Negocie consigo e com quem é diretamente afetado. Você não precisa fazer tudo ao mesmo tempo. Ao encontrar uma solução para atender às várias tarefas importantes, você evitará viver em conflito interno. O que permitirá a Atenção Focada, que leva a produtividade ampliada.

Finalizo com a seguinte reflexão: Se você fosse mais produtivo, o que de importante muda na sua vida?

Se você encontrar uma resposta que faça sentido para o seu racional e igualmente faça o seu coração bater mais forte, então terá encontrado a mola propulsora para mudanças significativas na sua produtividade.

Recursos não faltam. O ponto de partida será a partir do que realmente importa para si e aceitar que o tempo é limitado e terá que fazer escolhas. Quanto mais praticar, mais suas escolhas serão sábias.

E quem sabe, no lugar de apagar incêndios, poderá ampliar espaço de tempo de qualidade para conviver com pessoas que você ama e aprender coisas novas que farão toda a diferença na sua vida e carreira?

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Comprometendo-se de coração com a sua vida!

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Quantas vezes você torna o outro mais prioridade do que a você mesmo?

Ao longo da vida, o conjunto de nossas ações escreve mais do que a nossa história, mas quem nos somos, o que valorizamos e que futuro estamos esculpindo.

Tem um motivo de ser quando você não encontra forças para realizar o que deveria fazer e se apega ao que gostaria de fazer. E tudo começa, quando deixamos de lutar pelos nossos valores.

Em algum momento, para que sua vida faça sentido, terá que poder ser íntegro com seus valores, refletida em seus relacionamentos e escolhas. Esquecer-se de quem é para atender ao outro pode lhe trazer o reconhecimento e satisfação naquele momento. Mas de forma repetitiva, vai criar em você um hábito de difícil mudança, até porque às vezes não se tem consciência que tem. E assim, vamos nos esquecendo do que é importante para nós, vivendo cada vez mais a vida do outro, até que não nos encontramos mais.

Ao longo da minha carreira apoiei várias pessoas a “reencontrar” o melhor de si, acreditar nas suas qualidades, redirecionar seus esforços e encontrar o papel que deseja ter na vida. E o ganho é imensurável em autoconfiança, bem-estar, significado e realizações. Reduz significativamente o esforço de “segurar” a essência (e isso custa caro), para simplesmente SER. Retira-se barreiras para realizações que fazem sentido para você. E mais seguros de quem você é, reconhecerá e valorizará melhor suas próprias qualidades, utilizando naturalmente para ampliar chances de sucesso.

Seja na vida pessoal ou profissional, há sempre espaço para que seja você possa colocar em ação o que você valoriza. Quanto mais forte forem suas convicções, mais força você terá para influenciar os outros e enfrentar barreiras para realizar o que desejar.

Mas se já estivermos nos sentindo perdidas?

O ponto de partida é comprometer-se de coração com a sua vida. É entender que o outro tem outras prioridades e não é você. É saber que merece mais, mas terá demonstrar que merece com ações concretas. Além disso, o segredo da vida que deseja, está dentro de si, mesmo que bem no fundo e difícil de achar, ainda assim, existe.

Então faça para si a seguinte pergunta: Estou disposto a demonstrar o meu comprometimento com meus valores todos os dias da minha vida?

Você encontrará dificuldades, mas vivenciará a cada dia novas oportunidades de viver seus valores se estiver efetivamente comprometido. Mas se tiver dúvidas, os obstáculos ganharam dimensões cada vez maiores em sua mente e em suas emoções, até parecer impossíveis de superar.

Mas como vou saber que estou vivendo meus valores?

Você já foi ajudar alguém mas não parava de pensar em algo que deveria ter feito? Já chegou numa festa que era muito importante para um amigo e se perguntou o que estava fazendo lá assim que chegou? Já deixou para última hora e dia seguinte estava se sentindo um lixo porque não conseguiu cumprir no prazo algo prometido? Já se distraiu em redes sociais enquanto alguma voz lhe dizia que não estava estudando o que se propôs e não iria passar na prova?

Todos sabem quando o que fazem não está alinhado com seus valores, mesmo quando não tem clareza de quais são. Tempo demais vivendo a inconsistência entre valores e o que você faz, resulta em vazios, frustrações, sentimento de fracasso e até medo de não encontrar mais o que faz sentido. Mas por quê as pessoas caem nessa armadilha? Porque tem necessidade de afeto, aceitação e reconhecimento. Então a curto prazo a recompensa parece mais garantida quando fazemos o que o outro deseja. Fazemos o que a mãe, a esposa, o amigo, o chefe e tantos outros desejam, reforçando os laços de afeto, aceitação e recebendo reconhecimento. Nada errado em desejar tudo isso. Mas por que não alcançar tudo isso sendo quem você é? Até porque a longo prazo, nada garante que fazer o que os outros desejam fará você mais querido, aceito e reconhecido. As pessoas se acostumam e o que você faz “vira” obrigação. E adicionalmente, é certo que terá que abrir a mão de si, se fizer tempo demais o que o outros desejam.

Então como evitar essa armadilha?

  1. Identifique os seus valores mais fortes. Em geral são poucos itens que não abrimos a mão de jeito nenhum. Os valores mais fortes dão sentido para você vivê-los no seu dia-a-dia. Um ótimo termômetro é a sua emoção. Observe quando de repente se irrita desproporcionamente ao fato. Muito provavelmente um valor importante foi agredido. Pergunte-se o que realmente o irritou? Assim como quando você se engaja em algum projeto e nem vê a hora passar. Algo nesse projeto nutre valores importantes para você. O que tem a ver esse projeto com seus valores?
  2. Coloque-se em estado de consciência. Ao observar melhor a si, começará a momentos em que o que faz não está alinhado ao que faz sentido para você. Pergunte-se o que é preciso para fazer sentido. O que está de errado com esse momento? Pode ser que precise ajustar a ação ou mudar para outra ação. Tente preencher as lacunas: Em vez (disso), faria mais sentido eu fazer (aquilo).
  3. Identifique seus padrões. O ser humano aprende e passa a repetir o que acredita que deu certo. E com isso constrói padrões e forma hábitos. A vantagem é que reduz o tempo para entrarmos em ação. A desvantagem é que o seu momento de vida pode ter mudado e aquele hábito estar sendo prejudicial. E por ser hábito, pode nem notar que faz automaticamente. Nesse ponto, lembre-se que o menos costuma ser mais. Identifique aqueles hábitos que mais trabalham contra seus desejos futuros. E identifique qual foi a necessidade que permitiu construir esse hábito. E busque novas formas de entrar em ação, que atenda essa necessidade (se ainda é uma necessidade).
  4. Identifique oportunidades para viver seus valores. Seja em seus relacionamentos ou outros espaços de convivência, as pessoas esperam o melhor de você. E você não conseguirá dar o melhor se sentir que seus valores são agredidos diariamente. Muitas vezes os desentendimentos começam não pelo que foi feito, mas porque não foi compreendido o porquê. Há um espaço enorme de conversa quando se dialoga com o coração e mostra o desejo de ser genuíno e oferecer o que tem de melhor. Igualmente de expressar nossas limitações e o porquê temos dificuldade em fazer do jeito do outro.
  5. Realinhe suas ações com seus valores. Com clareza de seus valores e tendo identificado tanto os pontos de desalinhamento quanto oportunidades ainda não praticadas, é hora de fazer escolhas para ampliar seu espaço de colocar seus valores em ação. Ser verdadeiramente comprometido de coração consigo. E tenha certeza que esse é o caminho para que seja mais e melhor também com todos à sua volta. Você proporcionará segurança às pessoas de saberem com quem contam.

A essa altura, alguns devem estar pensando no seguinte: isso não funciona. Na minha empresa não posso ser assim. Não posso abrir o jogo com a minha esposa. Imagina o que vai acontecer se eu quiser ser eu com meus subordinados.

Aí vão algumas reflexões:

  • Que problemas você tem evitado deixando de ser você?
  • E que problemas você tem ganhado deixando de ser você?
  • O que pesa mais?
  • Até quando?

Toda escolha implica em renúncia também. A reflexão desse texto é para pessoas que sentem que o preço está alto e que não dá mais para abrir a mão de si. E que é possível viver pelos seus valores sem agredir os outros. Muito pelo contrário, observe como as pessoas admiram e se inspiram em quem tem segurança no que acredita e realiza.

Se você é dessas pessoas e quer aprofundar no tema de valores, recomendo um livro que terminei a leitura recentemente e por isso inspirou o tema desse artigo: “Comprometa-se de Coração”, de Stan Slap. Nesse volume você também encontra nas páginas 67 a 72 um exercício que ajudará a identificar seus valores.

Outro livro que vale a pena é “O que mais importa – o Poder de Viver seus Valores”, de Hyrum W. Smith. Entre vários conteúdos, uma importante contribuição é a tripla equação do que mais importa: missão, valores e papéis.

A vida pode ser muito mais! Não saberemos o tempo total que temos, mas podemos sempre escolher o que fazer com o tempo que temos. Saber seus valores, permitirá colocar o que é mais importante primeiro e não esperar para ser você num futuro que pode não chegar.

Seja na vida pessoal ou profissional, o mais importante deve vir primeiro.

Acredito que há um espaço enorme para se viver seus valores no ambiente de trabalho e isso contribuirá também para uma carreira de sucesso.

Nas empresas é exigido comprometimento. Não existe comprometimento com meros números, mas com o que elas significam se você alcançar. Ou seja, as pessoas se comprometem com algo que faça sentido. Encontre uma causa e conseguirá encontrar como engajar as pessoas em torno do que propõe.

E vale uma reflexão para os líderes: como liderar sem direção? É como dizer: não me siga pois estou perdido!

Seja líder da sua própria vida! Saiba quem é e para onde deseja ir!

E lute pela vida que faça sentido! Num instante, a vida passa! E não poderá reescrever o que já passou!